A Cooperativa Nacional dos Produtores de Leite do Uruguai (Conaprole) está de olho no mercado de Angola e espera que a recente visita desenvolvida pelo presidente uruguaio, Jorge Batlle, à nação africana possa gerar negócios no setor de lácteos.
A expectativa da cooperativa diz respeito basicamente a leite em pó, pois não existe o hábito de consumo de outros produtos lácteos em Angola, embora haja também algumas possibilidades de exportação de leite Longa Vida.
"Pelos contatos com empresários angolanos e pelas visitas de técnicos uruguaios a esse país, há possibilidade de fazer desenvolvimento tecnológico, por meio dos convênios firmados com a Conaprole. O setor de lácteos de Angola está devastado, praticamente não há produção de leite e a Conaprole poderia colaborar com seus técnicos para reanimá-lo", disse o diretor da cooperativa, Carlos Arrillaga.
Arrillaga disse que a Conaprole tem esperanças de que a recente visita do presidente Batlle "abra as portas" ao Uruguai, primeiro "para vender leite", e, depois, "para a cooperação técnica e produtiva, que pode ir desde a exportação de gado em pé, até o envio de técnicos".
Angola pode ser um mercado de grande potencial para os lácteos uruguaios porque tem 11 milhões de habitantes e é um país em crescimento. "Todo o mundo está olhando a África como um continente emergente". Por isso, Arrillaga justificou o fato de a Conaprole, por meio de sua sociedade com a irlandesa Glanbia - Conabia -, também apostar no continente africano. "É um mercado ao qual temos que apontar, como temos feito, abrindo portas e mercados há mais de 20 anos".
Expansão
O setor leiteiro do Uruguai vive um momento de otimismo, porque tem enfrentado aumentos importantes mês a mês nas produções de leite.
"Há perspectivas de mercados cada vez mais interessantes, preços internacionais sustentados e novas demandas, como é o caso da África do Sul em leite longa vida". Estimulados pelos bons preços os produtores de leite uruguaios têm investido, plantado pastagens e estão muito otimistas.
O presidente da Associação Nacional de Produtores de Leite (ANPL) do Uruguai, Wilson Cabrera, concordou com a afirmação de Arrillaga, dizendo que a situação atual dos produtores de leite do país está muito melhor que a de um ano atrás. "Hoje, tiramos o nariz para fora da água e, pelo menos, estamos respirando. No entanto, houve muitos produtores que se afogaram nestes últimos cinco anos. A situação mudou e hoje o produtor está trabalhando de outra maneira, pensando em pagar suas dívidas".
O setor leiteiro uruguaio mantém um endividamento de cerca de US$ 90 milhões, mas, antes da criação do Fundo de Financiamento da Atividade Leiteira (FFAL), eram US$ 110 milhões. "O que os produtores pagaram neste tempo é o que receberam do FFAL. Agora, na Primavera, começaremos a pagar de novo", disse Cabrera.
Fonte: El País, adaptado por Equipe MilkPoint
Cooperativa uruguaia está de olho no mercado de Angola
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