A Cooperativa Agropecuária Regional de São Domingos do Prata (Duprata) dá início à fabricação, ainda na primeira quinzena deste mês, de uma bebida láctea à base de soro de leite com sabor natural. Os recursos para a implantação da nova linha de produtos da indústria de laticínios Duprata foram conseguidos em parte, R$ 645 mil, junto ao Programa de Revitalização das Cooperativas de Produção Agropecuária (Recoop) e o restante, da própria cooperativa. Ao todo, segundo o presidente da entidade, José Flávio Gomes, são mais de R$ 1 milhão em investimentos. É o que informa reportagem de Fátima Péres, publicada hoje na Gazeta Mercantil.
Nos próximos 60 dias, a indústria passa a fabricar também, iogurtes nos sabores morango e côco para abastecer os mercados das regiões metropolitana de Belo Horizonte, Vale do Aço e cidades vizinhas. A expectativa num primeiro momento é de comercializar cerca de 8 mil litros da bebida láctea por dia e, aos poucos, chegar a até 15 mil litros por dia. Quanto aos iogurtes, Gomes não quis citar números.
Atualmente, a Duprata conta com 500 fornecedores efetivos de leite para uma produção diária de 30 mil litros. De acordo com o presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Minas Gerais (Ocemg), Alfeu da Silva Mendes, a Duprata foi a primeira a receber recursos do Recoop. Além dos investimentos realizados na produção, ela refinanciou a dívida dos cooperados. "O nosso pedido ao governo federal foi de R$ 967 mil, mas só liberaram R$ 645 mil. O capital de giro, que é um dos itens importantes para a retomada da produção ficou para a próxima", ressalta José Flávio Gomes.
Por causa da falta deste capital já estão em estudos algumas parcerias com empresas fornecedoras para o envase do leite em embalagem tetra pak (longa-vida). A cooperativa tem um faturamento mensal de R$ 500 mil. "Com os novos produtos devemos alcançar um volume de negócios da ordem de R$ 700 mil por mês", espera José Gomes.
Em 23 de janeiro de 1998, o Poder Executivo autorizou a abertura de linha de crédito para o Recoop no valor de R$ 2,1 bilhões para financiar itens de interesse das cooperativas agropecuárias brasileiras. Na época, cerca de 109 cooperativas mineiras se inscreveram junto ao programa. Destas, só 89 tiveram as propostas aprovadas. Das aprovadas, 63 receberam resposta positiva aos projetos que garantem para Minas Gerais recursos em torno de R$ 480 milhões.
A verba vem sendo reivindicada há três anos para poder aliviar a situação das cooperativas e, consequentemente, dos cooperados. "É preciso que até 2002, todos os produtos de leite, ou cooperativas estejam 100% capacitadas para a granelização, pois será proibido o transporte do produto em latão. Se os produtores estiverem endividados isto não será possível de acontecer. Portanto, o refinanciamento dos débitos, dos Recebíveis, com alongamento dos prazos, investimentos em modernização e capacitação da mão-de-obra são fundamentais para a sobrevivência dos produtos agropecuários", ressalta Mendes.
O presidente da Ocemg lembrou que os produtores ficaram endividados a partir do plano Collor e de lá para cá não tiveram acesso ao crédito rural. Muitas cooperativas tiveram que bancar os insumos junto aos associados e também tornaram-se devedoras. No plano Real, os preços agrícolas caíram 25%. Os juros cada vez mais altos e com a TR mantida como indexador representavam mais de 50%, o que para o produtor significava uma dívida de 70%. "Impossível de ser paga", garante Alfeu Mendes.
Com o Recoop, o produtor vai poder quitá-la em até 15 anos com juros indexados pelo IGP-DI, mais 4% ao ano, o que equivale em torno de 9% ao ano. "Menos mal. Mas não devemos nos esquecer de que os preços dos produtos agropecuários estão caindo e as margens cada vez menores. A idéia é a fusão das cooperativas para ganhar em volume e reduzir custos, como a recente união de 12 cooperativas do Triângulo Mineiro com a CentroLeite de Goiás".
(Por Fátima Péres, para Gazeta Mercantil, 02/03/01)
Cooperativa de Minas Gerais recebe verba do Recoop e lança nova linha de produtos
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