Concordata da Parmalat atinge as seguradoras

Publicado por: MilkPoint

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Seguradoras querem assumir duas unidades da Parmalat
AIG, que tem negócios com o Unibanco no Brasil, é uma das empresas afetadas

Seis companhias de seguro de vida que emprestaram dinheiro a duas subsidiárias da Parmalat sediadas nas Ilhas Cayman pediram a um juiz que as ajudasse a recuperar seu dinheiro depois que o grupo italiano de laticínios deixou de pagar os empréstimos e pediu concordata nesta semana.

Elas querem tomar o controle de duas unidades da Parmalat com sede no paraíso fiscal, a Food Holdings e a Dairy Holdings, que deixaram de pagar empréstimos cujo vencimento foi no começo do mês, disseram os advogados das seguradoras em nota.

O comunicado, divulgado por um escritório de Nova York, diz que os empréstimos eram garantidos pela Parmalat. O montante não foi informado, mas a nota acrescenta que as seguradoras querem ganhar o controle dos dois "veículos para fins especiais" criados pela Parmalat.

As seguradoras envolvidas são: Jefferson-Pilot, Monumental, New York Life Insurance and Annuity, Principal, Transamerica Occidental e Transamerica. Outras 27 tinham US$ 1,6 bilhão aplicados em ações da empresa de laticínios, de acordo com um relatório da agência de classificação de risco de crédito Moody's, divulgado ontem.

De acordo com um relatório da Moody's Investor Service, 27 seguradoras de vida, entre elas a American International Group (AIG) e a AFLAC Inc. tinham cerca de US$ 1,6 bilhão em investimentos na Parmalat. A AFLAC, sigla para American Family Life Assurance Company, empresa com sede na Georgia (EUA), foi a mais afetada. Ela tinha US$ 384 milhões em exposição à Parmalat ou 17% de seu capital estatutário, de acordo com o balanço de 31 de dezembro de 2002, informou Robert Riegel, diretor da Moody's. Recentemente, a AFLAC anunciou um prejuízo de US$ 257 milhões com a venda de títulos da Parmalat.

Os dados em que a Moody's se baseia são de um ano atrás, mas dão uma idéia do tamanho da exposição das maiores seguradoras de vida dos EUA. Entra as outras 25, estão a American International Group (cuja exposição totalizava US$ 162 milhões) a John Hancock (com US$ 117 milhões); a Prudential (com US$ 105 milhões) e a Pacific Life (US$ 99 milhões). Exceto a AFLAC, a exposição das demais seguradoras é "modesta" e não deve ter impactos significativos em seus "ratings".

De todas as empresas mencionadas, algumas têm negócios importantes no Brasil. É o caso da AIG, seguradora que partilha com o Unibanco o controle da operação de seguros da instituição. Também a Principal tem uma parceria importante no país, como sócia junto com o Banco do Brasil e o Sebrae da empresa de previdência BrasilPrev. A Prudential, que já foi sócia do Bradesco em previdência, desfez a sociedade em 2002 e passou a atuar sozinha.

O comunicado das seguradoras afirma que a petição não pretende punir a Parmalat ou impedi-la de salvar seus negócios mas, simplesmente, garantir que as seguradoras recebam seu dinheiro de volta. "Os detentores das notas informaram a Enrico Bondi e a seus assessores que o desejo deles é trabalhar com a empresa para maximizar a recuperação de dinheiro, em benefício dos credores".

A petição, apresentada na quarta-feira (24) e anunciada na Itália ontem, foi divulgada no momento em que a polícia removia grande volume de documentos da casa do fundador da Parmalat, Calisto Tanzi, que, com outros 20 executivos da empresa, está sob investigação por possível fraude e outras acusações relacionadas à suposta falsificação de documentos.

Tanzi não foi visto na Itália nos últimos dias e não apresentou defesa pública desde que surgiram revelações sobre os prejuízos e o quase colapso da empresa. Mas informou aos investigadores que está disposto a depor. As TVs informaram que ele ligou da Espanha para os investigadores e alegou que não está foragido e que precisava de um tempo para descansar.

Desde que o escândalo surgiu, tornam-se mais fortes os indícios de que existe um imenso buraco no balanço da empresa. Recentes reportagens na Itália dizem que um total de US$ 12 bilhões pode ter sido subtraído das contas da Parmalat, depois de até 15 anos de falsificação de contabilidade.

O diário milanês "Il Sole-24 Ore" disse que um ex-executivo financeiro da Parmalat, Fausto Tonna, revelara aos investigadores que houvera falsificação sistemática na contabilidade por 15 anos e que ele obedecera às ordens de seus superiores.

Fonte: Folha de S.Paulo e Valor OnLine (por Janes Rocha), adaptado por Equipe MilkPoint
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