As dívidas da Parmalat Brasil com bancos somam aproximadamente US$ 1,8 bilhão e já foi criado um comitê de credores para negociar o déficit da indústria de laticínios. Segundo uma fonte do mercado financeiro, a expectativa é que as instituições financeiras possam se antecipar a um possível pedido de concordata da empresa.
Uma fonte do J. P. Morgan informou que o banco não faz parte do comitê de credores porque não fez empréstimos diretos para a Parmalat. "Nossas pendências com a empresa constituem-se empréstimos indiretos", informou uma fonte do banco sem, porém, detalhar qual teria sido o tipo de operação com a empresa de laticínios.
Entre os bancos credores estão BankBoston, Citibank, Banco Santander, Banco do Brasil (BB) e Banco Itaú. Segundo a fonte do J. P. Morgan, as dívidas da Parmalat com o banco não chegam a 0,5% do total, ou cerca de US$ 3 milhões.
Os promotores que investigam o colapso da Parmalat Finanziaria tentarão estabelecer nesta semana como desapareceram € 8 bilhões das contas da companhia antes que a Parmalat requeresse a concordata pela lei italiana em 24 de dezembro. Eles interrogarão o ex-diretor financeiro da companhia, Fausto Tonna, o chefe das unidades nas Ilhas Caimã, Giovani Bonici, e Francesca Tanzi, filha de Calisto Tanzi e que administrava a divisão de turismo da família.
A meta é descobrir com Tonna e Bonici informações completas sobre as empresas da Parmalat em paraísos fiscais. Francesca também pode ser importante para determinar quanto dinheiro foi injetado em companhias de turismo como a Parmatour.
Tanzi declarou aos promotores que desviou € 500 milhões (US$ 642 milhões) da Parmalat para as empresas, mas os promotores não acreditam. Para eles, pode ter sido o triplo desse valor.
A promotora de Parma, Antonella Ioffredi, declarou no sábado, quando deixava a promotoria, que há ainda muitas informações a serem reveladas. Ela se referiu aos resultados das investigações já feitas nas Ilhas Caimã, mas recusou-se a fornecer mais detalhes.
A família Tanzi tinha dezenas de empresas em paraísos fiscais, das Ilhas Caimã a Luxemburgo, informou o jornal "La Republica", na edição de domingo, sem mencionar a fonte das informações.
Tonna provavelmente será interrogado hoje, segundo funcionários do tribunal de Parma, na Itália, que pediram para não ser identificados. As datas para a realização de outros interrogatórios não foram estabelecidas.
Fonte: Gazeta Mercantil, adaptado por Equipe MilkPoint
Comitê negociará déficit da Parmalat
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