Clima instável no Rio Grande do Sul volta atenção ao manejo sanitário da produção leiteira

De acordo com o Informativo Conjuntural da Emater/RS, o volume produzido pelo estado apresenta estabilidade e registra recuperação pontual em algumas regiões administrativas apesar das dificuldades logísticas e estruturais causadas pelo excesso de chuvas. Entenda.

Publicado por: MilkPoint

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A produção de leite no Rio Grande do Sul se mantém estável, mas varia entre regiões devido a condições climáticas e de forragem. Chuvas intensas afetam o manejo e exigem cuidados com a higiene e saúde dos animais. Em Bagé, a baixa qualidade do pasto leva ao uso de feno e silagem. Ijuí apresenta aumento na produção, enquanto Pelotas se beneficia de pastagens de inverno. Desafios persistem em Santa Maria e Santa Rosa, mas a qualidade do leite se mantém dentro dos padrões exigidos.
De acordo com o Informativo Conjuntural da Emater/RS, a produção de leite no Rio Grande do Sul apresenta um cenário de estabilidade na maior parte do território estadual, embora, os resultados variem entre as regiões em decorrência da disponibilidade de forragem e das condições climáticas. O recente volume de chuvas impôs desafios severos ao manejo diário dos rebanhos na maioria das propriedades gaúchas. O acúmulo de água provocou a formação de barro nos piquetes e nas vias de acesso às salas de ordenha, uma realidade que passou a exigir dos produtores uma atenção redobrada quanto à higiene das instalações, à locomoção segura dos animais e ao controle preventivo de enfermidades recorrentes sob o excesso de umidade, como a mastite e as afecções de casco.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, os produtores ainda enfrentam dificuldades persistentes para elevar os patamares de produção. Diante de uma oferta de pasto verde caracterizada pela baixa qualidade nutricional, o setor tem recorrido ao fornecimento de reservas de feno e de silagem como alternativa indispensável para assegurar índices mínimos de produtividade e preservar a condição corporal das matrizes.

Em Alegrete, esse quadro de restrição forrageira motivou a antecipação da secagem de vacas, resultando na redução do número de animais em lactação em diversas propriedades. Por outro lado, o menor volume de precipitações registrado no mês de junho nessa mesma localidade trouxe um alento momentâneo, ao melhorar as condições do solo para o pastejo, o tráfego nos corredores de acesso e a manutenção da rotina higiênica que antecede o momento das ordenhas.

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A consolidação de estratégias de suplementação tem sido a chave para atenuar as perdas nas regiões mais afetadas pelo encharcamento. Na regional de Caxias do Sul, a estabilidade produtiva e o estado corporal satisfatório dos rebanhos foram assegurados pelo uso intensivo de silagem de milho, mantendo a qualidade do leite dentro dos padrões regulamentares exigidos, apesar do barro nas instalações e de episódios pontuais de mastite.

Cenário semelhante de enfrentamento climático é observado em Frederico Westphalen, onde as fortes chuvas prejudicaram o aproveitamento dos piquetes, e em Passo Fundo, localidade na qual o pastejo diário precisou ser combinado com a suplementação no cocho e silagem para que os níveis produtivos não sofressem queda diante do menor rendimento das pastagens.

Em contrapartida, há áreas que registram reações positivas no volume captado. Na região de Ijuí, a produção leiteira apresentou elevação, embora os sistemas estabulados tenham sofrido com a alta umidade dos materiais de acomodação dos animais, mesmo com o aumento na frequência de revolvimento do composto; essa umidade excessiva gerou problemas de locomoção e quedas que comprometeram os membros dos animais.

Já na regional de Pelotas, a gradual introdução das pastagens de inverno começou a surtir efeito positivo, reduzindo a dependência de complementos alimentares na maioria dos municípios e garantindo estabilidade com leves incrementos locais. O clima mais ameno nessa porção do estado também contribuiu para a redução na incidência de carrapatos, embora o uso de silagem e outros volumosos ainda seja mantido nas propriedades onde o frio intenso, as geadas e a baixa luminosidade limitaram o crescimento pleno das forrageiras.

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Por fim, as regiões de Santa Maria e Santa Rosa sintetizam o esforço logístico atual da atividade leiteira gaúcha. No município de Júlio de Castilhos, pertencente à regional de Santa Maria, o acúmulo de lama nas áreas de descanso, espera e trânsito tem prejudicado a higiene e dificultado os trabalhos de ordenha, além de elevar os diagnósticos de problemas podais e a proliferação de agentes patogênicos.

Na região de Santa Rosa, o volume produzido permanece firme, sustentado pelo consórcio entre pastagens de inverno e volumosos conservados. Mesmo com a lama desafiando o manejo sanitário nas salas de ordenha e nos piquetes, a qualidade do produto final não registrou contaminações ou surtos descontrolados de mastite, restando aos produtores locais o desafio contínuo de manter a contagem de células somáticas dentro dos limites ideais recomendados pelas normativas vigentes.

As informações são da Emater/RS, adaptadas pela equipe MilkPoint.

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