Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, os produtores ainda enfrentam dificuldades persistentes para elevar os patamares de produção. Diante de uma oferta de pasto verde caracterizada pela baixa qualidade nutricional, o setor tem recorrido ao fornecimento de reservas de feno e de silagem como alternativa indispensável para assegurar índices mínimos de produtividade e preservar a condição corporal das matrizes.
Em Alegrete, esse quadro de restrição forrageira motivou a antecipação da secagem de vacas, resultando na redução do número de animais em lactação em diversas propriedades. Por outro lado, o menor volume de precipitações registrado no mês de junho nessa mesma localidade trouxe um alento momentâneo, ao melhorar as condições do solo para o pastejo, o tráfego nos corredores de acesso e a manutenção da rotina higiênica que antecede o momento das ordenhas.
A consolidação de estratégias de suplementação tem sido a chave para atenuar as perdas nas regiões mais afetadas pelo encharcamento. Na regional de Caxias do Sul, a estabilidade produtiva e o estado corporal satisfatório dos rebanhos foram assegurados pelo uso intensivo de silagem de milho, mantendo a qualidade do leite dentro dos padrões regulamentares exigidos, apesar do barro nas instalações e de episódios pontuais de mastite.
Cenário semelhante de enfrentamento climático é observado em Frederico Westphalen, onde as fortes chuvas prejudicaram o aproveitamento dos piquetes, e em Passo Fundo, localidade na qual o pastejo diário precisou ser combinado com a suplementação no cocho e silagem para que os níveis produtivos não sofressem queda diante do menor rendimento das pastagens.
Em contrapartida, há áreas que registram reações positivas no volume captado. Na região de Ijuí, a produção leiteira apresentou elevação, embora os sistemas estabulados tenham sofrido com a alta umidade dos materiais de acomodação dos animais, mesmo com o aumento na frequência de revolvimento do composto; essa umidade excessiva gerou problemas de locomoção e quedas que comprometeram os membros dos animais.
Já na regional de Pelotas, a gradual introdução das pastagens de inverno começou a surtir efeito positivo, reduzindo a dependência de complementos alimentares na maioria dos municípios e garantindo estabilidade com leves incrementos locais. O clima mais ameno nessa porção do estado também contribuiu para a redução na incidência de carrapatos, embora o uso de silagem e outros volumosos ainda seja mantido nas propriedades onde o frio intenso, as geadas e a baixa luminosidade limitaram o crescimento pleno das forrageiras.
Por fim, as regiões de Santa Maria e Santa Rosa sintetizam o esforço logístico atual da atividade leiteira gaúcha. No município de Júlio de Castilhos, pertencente à regional de Santa Maria, o acúmulo de lama nas áreas de descanso, espera e trânsito tem prejudicado a higiene e dificultado os trabalhos de ordenha, além de elevar os diagnósticos de problemas podais e a proliferação de agentes patogênicos.
Na região de Santa Rosa, o volume produzido permanece firme, sustentado pelo consórcio entre pastagens de inverno e volumosos conservados. Mesmo com a lama desafiando o manejo sanitário nas salas de ordenha e nos piquetes, a qualidade do produto final não registrou contaminações ou surtos descontrolados de mastite, restando aos produtores locais o desafio contínuo de manter a contagem de células somáticas dentro dos limites ideais recomendados pelas normativas vigentes.
As informações são da Emater/RS, adaptadas pela equipe MilkPoint.
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