Calu aumenta valor pago ao pecuarista

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Até o fim de junho, a Cooperativa Agropecuária de Uberlândia Limitada (Calu) pretende aumentar o valor do leite pago ao pecuarista em R$ 0,02. O aumento acontece em função da entressafra. O preço pago ao produtor em maio deste ano variou de R$ 0,35 a R$ 0,40 o litro do leite não resfriado, e de R$ 0,40 a R$ 0,45 o litro resfriado.

Segundo o presidente da Calu, Jerônimo Gomes, a tendência este ano é de que se atinja uma estabilidade de preços, diferente do que ocorreu em 2000, quando o valor pago pelo litro do produto chegou a R$ 0,45 e caiu para R$ 0,26 em menos de 90 dias. "Os índices de recuperação estão se mantendo entre 3% e 4% mensais, mas o produtor, cada vez mais, tem de buscar estabilidade dos preços que se traduz em seu próprio esforço para baixar seus custos e aumentar a escala para se garantir na época da seca", afirma Jerônimo Gomes. "Quanto mais o produtor se tecnificar, e souber manejar sua produção, adotando a granelização, melhores serão as perspectivas".

A recuperação de preços e condições proporcionadas pelas medidas antidumping não são vistas como satisfatórias pelos pecuaristas. Eles dizem que as indústrias e componentes da cadeia leiteira transferem suas responsabilidades e custos de produção para os criadores.

"Os laticínios e captadores exigem que o produtor invista em melhoramento genético, manejo tecnificado, granelização. Mas, fazem lobby entre si e com cooperativas, que igualam os preços pagos por produto de qualidade com os de condições inferiores", afirma o pecuarista Júlio César. A assistência prestada pelas cooperativas também é criticada. "Somos reféns das multinacionais que monopolizam a captação e comercialização de leite e de algumas cooperativas que aliam-se às indústrias, pois não têm poder de barganha e precisam negociar o leite, que é perecível".

Para o produtor José Gil Júnior, os preços pagos ao produtor e as políticas adotadas não compensam os prejuízos causados por um regime de produção totalmente dolarizado, que se reflete na compra de adubos, sementes, maquinários, de melhoramento genético, ordenha, e resfriamento. "O único custo que não é em dólar é o do salário dos funcionários".

fonte: Gazeta Mercantil (por Virna Campos), adaptado por Equipe MilkPoint
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