Bancada Ruralista pede "alto nível" após filho de Bolsonaro culpar China por coronavírus

A Bancada Ruralista no Congresso destacou nesta quinta-feira (19/3) a intenção de manter no "mais alto nível" as relações bilaterais entre Brasil e China diante da crise do coronavírus.

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A Bancada Ruralista no Congresso destacou nesta quinta-feira (19/3) a intenção de manter no "mais alto nível" as relações bilaterais entre Brasil e China diante da crise do coronavírus.

A nota oficial foi divulgada após o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro, ter dito em rede social que a "culpa" pela pandemia é dos chineses.

A Frente Parlamentar da Agropecuária, composta por 285 parlamentares (40 senadores), lembrou na nota, assinada pelo presidente Alceu Moreira (MDB-RS), que "declarações isoladas não representam o sentimento da nação ou de qualquer setor".

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Os deputados e senadores ainda afirmaram que a China é "parceira de longos anos do Brasil, com quem temos excelente relação comercial e de amizade" e ressaltaram o "mais profundo desejo de união para combatermos o novo Coronavírus juntos, sem maiores prejuízos à vida humana e às relações internacionais globais".

Frente Parlamentar Brasil-China

O deputado federal Fausto Pinato (PP-SP), presidente da Frente Parlamentar BrasilChina, que congrega 225 membros no Congresso, disse ao Valor que o presidente Jair Bolsonaro precisa esclarecer se pensa como o filho Eduardo, que na quarta-feira culpou a China pela pandemia do novo coronavírus.

Pinato teme que as declarações de Eduardo Bolsonaro, que é deputado federal (PSL-SP), atrapalhem avanços em parcerias que têm por objetivo viabilizar a ampliação das exportações brasileiras ao país asiático.

“É mais uma estratégia para tentar mudar o foco e tampar a crise. O presidente Jair Bolsonaro deve vir a público dizer se ele pensa igual ao filho ou não. Se o presidente não se manifestar é porque pensa igual, e aí corremos grande risco na balança comercial”, afirmou.

Pinato, que também preside a Comissão de Agricultura da Câmara, afirmou que os chineses “têm muita serenidade, ao contrário da atitude de Eduardo Bolsonaro”, e disse ter “vergonha” das palavras “indefensáveis” do parlamentar.

Em vídeo compartilhado com deputados da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), ele alertou para os riscos de uma crise diplomática e relatou irritação de vários colegas com o tema.

“A gente pensa que tinha muita coisa a mais para avançar. Abrimos mais frigoríficos, aumentaram os investimentos em infraestrutura dos chineses, a exportação de soja. Estamos preocupados de não avançarmos mais”, disse Pinato.

Em nota enviada ao Valor, o Ministério da Agricultura informou que não irá se manifestar sobre as declarações feitas pelo filho do presidente, em que culpa a China pela disseminação global do coronavírus.

O posicionamento de Eduardo gerou duras críticas do embaixador chinês no Brasil, Yang Wanming , e um pedido de desculpas do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. A China é o principal parceiro comercial do Brasil na área agrícola.

No início deste ano, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, criou um núcleo específico, ligado ao gabinete dela, para tratar de aproximação e ampliação de negócios com os chineses.

As informações são do Globo Rural e do Valor Econômico.

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