Com o objetivo de fortalecer e profissionalizar o setor e melhorar a logística de transporte e processamento de leite no sudoeste de Minas Gerais, nove cooperativas e uma associação fundaram, em dezembro de 2004, a Minas Leite, Associação de Cooperativas de Leite do Sudoeste Mineiro.
Segundo José Américo de Oliveira Simões, mais conhecido como Manuelito Simões, ex-presidente da Cooperativa de Alfenas e gestor da Minas Leite, antes da formação oficial da Minas Leite, os dirigentes das cooperativas já se reuniam para discutir aspectos de mercado e idéias para fortalecer as empresas, uma vez que, se continuassem praticando o modelo atual de operação e gestão, estariam fadadas a perder a competitividade e a possibilidade de prestarem serviços de qualidade a seus cooperados, necessitando, portanto, de mudanças urgentes em seus modos de atuação.
Ele complementa que a entidade veio com uma proposta de profissionalizar os produtores, atuando em gerenciamento, capacitação, estímulo à cultura de cooperação, treinamento em ordenha e qualidade do leite. Nesse aspecto, o Sebrae-MG é um parceiro da associação, colocando recursos para a capacitação dos produtores.
"Entendemos que é necessário colocar o leite com qualidade na indústria, com o menor custo logístico possível", explica Manuelito. Para ele, ao colocar matéria-prima de qualidade e em grande volume nas indústrias, o produtor tem que ganhar. Com otimização da logística, é possível dividir melhor os ganhos obtidos na cadeia do leite. Ele exemplifica que, a partir da parceria, a Cooperativa do Machado fechou sua plataforma e está processando o leite de seus associados em Serrania.
O dirigente diz que, no início, as empresas que captam o leite das associadas ficaram apreensivas com o movimento, mas hoje a Minas Leite é bem-vinda porque seus objetivos, que interessam a todos, ficaram mais claros. Entre as empresas que captam leite estão a CCL, a Danone, a Elege, a Nilza e a Vigor. Já as associadas da Minas Leite são responsáveis pelo processamento de 16,3% do leite captado.
A Minas Leite começou com 650 mil litros diários, obtidos a partir de 2.800 produtores das seguintes cooperativas e associações: Coolapa, de São Sebastião do Paraíso; Coopassa, de Cássia; Aproleite, de Passos; Coperlat, de Pimhuí, Cooral; de Alpinópolis; Coopama, de Machado; Corples, de Serrania; Coapal, de Alfenas; Coopercam, de Campos Gerais e Capebe, de Boa Esperança. A Cooxupé, outra cooperativa, é parceira do sistema.
Mais recentemente, se associaram a Caarg, de Lavras, e a Coopervass, de São Gonçalo do Sapucaí. "Estamos com 4.500 produtores e 1 milhão de litros diários e esperamos atingir 1,3 milhão em breve, com 6.000 produtores", informa Manuelito. Ele diz que há outras cooperativas em processo de filiação.
Em relação à qualidade, o dirigente informa que apenas 3,5% do leite captado pelas associadas não está ainda enquadrado na IN 51. Já o número de produtores é um pouco maior: 10,2%. "Os produtores não enquadrados estão em processo de enquadramento e, até dezembro, todos estarão enquadrados", garante Manuelito, que informa que a média de produção dos produtores não enquadrados na IN 51 é de 70 litros diários, contra 201 litros dos associados da Minas Leite em geral.
Futuro
Sobre o futuro da entidade, Manuelito prevê que novas alianças serão formadas e que o leite estará reunido em um ou dois postos de recepção, ou deverá ir direto para a fábrica.
Ele avalia que há, na região, carência de unidades industriais e, ao mesmo tempo, um belo mercado consumidor precisa ser ocupado. Segundo ele, do leite comercializado hoje 83% vão para fora do estado e o restante é processado dentro de Minas Gerais.
A entidade também tem o objetivo de atuar em conjunto com entidades que trabalham com marketing institucional e, nesse aspecto, a Láctea Brasil tem acompanhado as atividades da entidade, através de seu diretor financeiro, Luis Antônio Leite Ribeiro.
Mercado hoje
Segundo Manuelito, entre os associados da Minas Leite, houve redução de 4,3% na produção de leite de agosto para setembro. Segundo ele, se essa tendência se confirmar em mais regiões, não deveria haver motivos para novas reduções de preços ao produtor. "Todos falam em aumento de produção, mas o fato é que, entre nossas associadas, no último mês houve queda", comenta.
Fonte: Equipe MilkPoint
Associação de cooperativas em MG quer fortalecer setor
Publicado por: MilkPoint
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