Argentina: Setor leiteiro se equilibra e define seus pontos fracos

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"Achamos que o número de propriedades leiteiras ficará estabilizado em 11 mil, depois do desaparecimento de 5 a 6 mil estabelecimentos nos últimos anos e uma perda no rebanho bovino de 500 a 700 mil animais", disse o representante do Projeto Leiteiro do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA), Carlos Corbellini, durante o Congresso da Associação Argentina de Consórcios Regionais de Experimentação Agrícola (Aacrea).

Os dados que foram passados durante o Congresso refletem não somente a situação atual da produção leiteira da Argentina, mas também, a mudança do cenário para todos os produtores que abandonaram a atividade. Segundo Corbellini, a expectativa é de uma recuperação do estoque, que deverá ficar em torno de 2 milhões de cabeças. Além disso, espera-se um crescimento da exportação de 20%, com expectativas de fechar 2004 com mais de 9 bilhões de litros de leite.

Neste cenário de crescimento, estimado em 3% como mínimo e 5% como máximo, "estaríamos saturando a capacidade instalada de industrialização até 2007 ou 2010". Entre os principais desafios, segundo ele, está a necessidade de encarar as negociações para aumentar a exportação. "Temos que lutar por mercados extra Mercosul e dar maior atenção para China, África do Norte e Oriente Médio, como os principais candidatos".

A sanidade é, para ele, outro dos pontos primordiais para crescer e para a possível satisfação dos mercados internacionais. "Devemos encarar seriamente a erradicação total da brucelose e da tuberculose de nossos rebanhos leiteiros, sem criar circuitos paralelos de venda de leite de animais infectados". Ele disse também que, atualmente, a leucose bovina é apenas uma barreira comercial na venda de animais em pé. "Em questões de comercialização internacional, estas doenças podem levar à imposição de restrições".

Com relação à qualidade do leite produzido, Corbellini disse que, apesar de ter melhorado consideravelmente nos últimos tempos, a sanidade é fundamental. "Creio que não estamos trabalhando o suficiente para garantí-la, porque, entre outras coisas, é muito caro".

Sobre a rastreabilidade, Corbellini disse que esta "não é um fim em si mesmo, mas sim, uma ferramenta de identificação de origem de uma qualidade determinada. Isso está a serviço de um sistema de segurança, para o qual temos que cumprir as normas e os procedimentos de órgãos, como a Organização Mundial de Saúde (OMS). Temos que combinar as boas práticas agrícolas, de fabricação e de higiene". Para isso, ele disse que o setor leiteiro da Argentina precisa aplicar o sistema de Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC). "Temos que capacitar o pessoal em seu uso, porque este é um trabalho de cada estabelecimento e envolve a todos".

Fonte: Infobae, adaptado por Equipe MilkPoint
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