Os produtores de leite da Província de Santa Fé, na Argentina, manifestaram na última quarta-feira forte oposição à intenção do governo nacional de elevar os impostos às exportações de leite. Eles também anteciparam sua oposição sobre as possíveis cotas às exportações sugeridas pelo Ministério da Economia como estratégia para frear o aumento dos preços dos produtos lácteos.
Em uma assembléia da Mesa Provincial de Leiteria, realizada na quarta-feira na sede da Sociedade Rural de Rafaela, os produtores advertiram que as medidas que o Governo Federal está analisando vão gerar impactos negativos para o setor produtivo. Por isso, os produtores analisaram algumas medidas alternativas para apresentar como contraproposta e evitar, desta forma, que o governo avance com medidas restritivas sobre as exportações.
Consultado sobre a oposição dos produtores, o presidente da Mesa de Produtores Leiteiros de Santa Fé, Roberto Socín, disse que nos últimos dias apareceram no setor leiteiro "algumas propostas que foram apresentadas pelo secretário da Agricultura, Miguel Campos, em função da preocupação que a economia tem com o índice de preços ao consumidor".
"Esta disputa começou em março com um compromisso assumido por algumas indústrias de não aumentar o preço de uma série de produtos". No entanto, segundo ele, devido às mudanças nos custos das indústrias por vários motivos, entre eles, os custos de produção, salário e serviços, alguns produtos não podem resistir e não sofrer aumento nas gôndolas dos supermercados.
Socín disse que, somado a esta situação, o índice de preços ao consumidor "foi de 0,9 e estima-se que os produtos lácteos têm um impacto de 4% no conjunto da cesta básica". Além disso, ele disse que é necessário avaliar que o Ministério da Economia "não está preocupado somente com o índice, mas sim, com as expectativas das pessoas em um momento eleitoreiro". Trata-se de uma inquietude eleitoral mais do que econômica, já que uma corrida inflacionária poderia afetar a imagem do governo às vésperas dos comícios.
Neste contexto, o Executivo Nacional da Argentina deu início a negociações com as indústrias de lácteos com a intenção de renovar os acordos para não aumentar os preços dos produtos. "Os produtores foram os últimos a participar destas negociações, enquanto surgiam todas as versões possíveis", disse Socín.
O presidente da Mesa de Produtores Leiteiros de Santa Fé destacou que os produtores de leite estão assumindo o compromisso de fornecer algumas alternativas a Campos e ao Ministério da Economia para evitar a aplicação de impostos, cotas ou proibição das exportações, que são as três ferramentas usadas pela economia no caso de as partes não chegarem a um acordo.
Socín afirmou que a aplicação de qualquer das medidas propostas pelo governo "seria totalmente prejudicial para o setor, porque a reação do produtor será de produzir menos leite e isso agravará o problema ao invés de resolvê-lo".
Ele disse que os representantes do setor leiteiro das Províncias argentinas se reuniram recentemente para elaborar propostas alternativas que serão levadas ao Secretário da Agricultura. Essas propostas ainda não foram divulgadas.
Com relação à posição das indústrias, Socín disse que, de acordo com o informado pelo presidente do Centro da Indústria Leiteira (CIL), a indústria está com posições divididas, sendo que também se reuniram nesta semana para chegarem a um consenso para apresentar à reunião nacional com o governo.
Fonte: Castellanos, adaptado por Equipe MilkPoint
Argentina: produtores refutam impostos de exportação
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