Agricultura puxa crescimento do agronegócio

Publicado por: MilkPoint

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O complexo agroindustrial brasileiro tem apresentado resultado singular nos últimos tempos, registrando taxas de crescimento bastante superiores aos outros setores da economia e contribuindo intensivamente para o superávit da balança comercial brasileira.

As estimativas, para julho, calculadas pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), indicam aumento de 7,06% no PIB do agronegócio brasileiro nos sete primeiros meses deste ano e um crescimento de 0,77% em julho. Conforme os números do Cepea/CNA, o agronegócio como um todo apresenta expectativa de encerrar o ano com um PIB de R$ 454,27 bilhões, cerca de R$ 30 bilhões acima do obtido em 2002.

Para tal comportamento favorável, foi importante a evolução do complexo do agronegócio da agricultura, que registrou crescimento de 0,92% em julho e de 8,93% no acumulado do ano. Na comparação com igual período do ano anterior, o PIB da agricultura teve evolução expressiva, pois, em 2002, nesse mesmo período, o crescimento ficou em 4,30%. Em relação ao PIB da agropecuária, o acumulado no ano passado, de janeiro a julho de 2002, apresentou crescimento real de 3,33%, e, neste ano, de 7,05%.

O PIB do agronegócio da pecuária teve uma elevação de 0,41% em julho deste ano, resultando em um crescimento acumulado, até julho, de 2,66%. Comparativamente ao mesmo período do ano anterior, o índice mostra uma melhora, pois, em 2002, houve elevação de apenas 1,18%.

De acordo com os índices obtidos, o PIB primário da agricultura, que mede o desempenho das lavouras, sem o cômputo da parcela referente aos insumos, processamento e a distribuição dos produtos agrícolas, continua sendo o vetor dinâmico do complexo agropecuário brasileiro, mostrando sua relevância nessa marcha ascendente. Em julho, acusou elevação de 1,89%, resultando em um crescimento acumulado de 16,71%, no período de janeiro a julho de 2003. Estes dados permitem projetar que, até o final do ano, o PIB da agricultura poderá atingir o patamar de R$ 84,87 bilhões, contra os R$ 72,72 bilhões registrados em 2002.

Por sua vez, o PIB da pecuária registrou crescimento de 3,13% de janeiro a julho de 2003, sendo que, em julho, o índice de variação mensal foi 0,75%. A projeção para 2003, com base nessas tendências, é que o PIB primário da pecuária atinja R$ 54,74 bilhões, contra os R$ 53,07 bilhões registrados no ano passado.

A conjugação desses resultados favoráveis reflete-se positivamente no índice do PIB básico da agropecuária, que acusou crescimento de 1,44% em julho e que, no acumulado do ano, até julho, apresentou elevação de 10,98%. Esses resultados são altamente relevantes e, mantidas essas performances, estima-se um PIB da agropecuária, para 2003, ao redor de R$ 139,60 bilhões, contra os R$ 125,79 bilhões de 2002. Para efeito de comparação, em igual período do ano anterior, o crescimento do PIB básico da agricultura alcançou 9,21%, com a pecuária e a agropecuária acusando taxas de crescimento acumuladas do PIB básico de, respectivamente, 0,52% e 5,29%.

Os sucessivos recordes da safra de grãos e inúmeros avanços em diferentes atividades agropecuárias são resultados tanto do aumento de produção como de produtividade e qualidade dos produtos. Cabe salientar, também, o efeito favorável das condições climáticas e do câmbio sobre a agricultura nos últimos períodos.

Os indicadores econômicos, relativos ao segmento de insumos industriais utilizados pela agricultura, estimados pelo Cepea/CNA, revelam taxas de variação altamente positivas para o agronegócio brasileiro. Para a agropecuária como um todo, o crescimento dos insumos foi da ordem de 11,30% no acumulado de janeiro a julho, e de 1,13% em julho. Para a agricultura, o setor de insumos acusou variação acumulada de 13,70% nos sete primeiros meses do ano e de 1,29% em julho, ambas inferiores ao crescimento da agricultura. As taxas relativas aos insumos utilizados pela pecuária apresentaram expansão de 0,85% em julho e, no acumulado do ano, de 7,35%. Esses índices são altos e significativamente superiores aos verificados para a pecuária, continuando a tendência registrada durante todo o ano de ganhos desse segmento industrial (insumos) no complexo do agronegócio da pecuária.

Por sua vez, o setor industrial de processamento dos produtos da lavoura tem apresentado, sistematicamente, taxas positivas de variação do PIB neste ano, embora acuse os menores percentuais de crescimento desse complexo. Em julho, teve aumento de 0,43% e, no acumulado do ano, atingiu o patamar de 4,83%. A indústria processadora de produtos animais voltou, em julho, a registrar recuo, neste caso, de 0,25%, alcançando o modesto crescimento acumulado no ano de 0,05%. Apesar desse desempenho ínfimo da indústria/pecuária, o segmento industrial do complexo da agropecuária apresenta elevação de 0,32% em julho e de 4,08% no acumulado do ano.

No segmento de distribuição, observa-se evolução positiva do PIB tanto para o complexo do agronegócio da agricultura como para o da pecuária, com taxas, respectivamente, de 0,71% e 0,17% em julho, e, acumuladas no ano, de 7,33% e 1,56%. Em contrapartida, o PIB do setor de serviços da agropecuária apresentou variação de 0,55% em julho e de 5,55% no acumulado do ano.

Os resultados apresentados evidenciam um setor dinâmico, eficiente e competitivo. Mantida a tendência observada até o momento, as perspectivas do agronegócio brasileiro, para este ano, são altamente positivas, tanto no que se refere ao mercado interno como ao setor de exportação.




Fonte: Assessoria de Comunicação do Cepea, adaptado por Equipe MilkPoint
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