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Quais são as principais doenças reprodutivas?

As perdas geradas por doenças, em qualquer rebanho, podem acarretar diversos entraves para o negócio da pecuária como um todo. Esse quesito é indiscutível.

Outro ponto fundamental na pecuária é que não podemos desatrelar os índices produtivos, reprodutivos e financeiros em nenhuma fazenda. Todos eles sempre se interligam de alguma forma. Mas, no caso de bovinos de leite, as consequências geradas por erros ou doenças reprodutivas podem ser catastróficas.

O que acontece é que a produção leiteira está diretamente ligada ao ciclo reprodutivo dos animais utilizados para essa finalidade. Desse modo, quanto melhor o status reprodutivo do animal maior será o ganho em produção de leite.

O grande problema é que perdas gestacionais significativas nesse ciclo são promovidos por afecções e, na maioria das vezes, a identificação delas é feita justamente quando a perda já é irreversível, ou seja, quando há aborto.

Assim, quando o pecuarista suspeita ou descobre que há alguma coisa errada, a chance do rebanho estar infectado é grande. Além de já ter perdido dinheiro e tempo com as gestações abortadas.

No texto de hoje você vai saber quais são as principais doenças reprodutivas que atingem bovinos de leite e como elas afetam a produtividade financeira do seu negócio.

Quais são as principais doenças reprodutivas?

Não há como afirmar se há uma doença pior ou menos prejudicial que outra, na verdade isso varia de fazenda para fazenda.

De mesmo modo que definir as principais delas é um tarefa delicada, afinal existem alguns patógenos que sobrevivem melhor em ambientes diferentes.

Por isso vamos traçar as doenças reprodutivas mais comuns nos rebanhos bovinos brasileiros de acordo com sua origem, ou de acordo com sua etiologia.

Você sabe quais as doenças mais comuns e como elas agem?

Leptospirose Bovina - Bacteriana

Todos conhecemos algum caso de rebanho acometido por leptospirose, não é mesmo? Ela é uma doença bem comum no território nacional.

Embora seja uma bactéria amplamente disseminada ela é mais freqüente em locais ou períodos de maior umidade, podendo persistir no ambiente por até 180 dias.

Após a contaminação do animal e um período de circulação sanguínea, a leptospira, bactéria que causa leptospirose, atinge o trato reprodutivo, provocando problemas reprodutivos como aborto, natimorto e nascimento de bezerros fracos.

Bovinos infectados, são reservatórios da doença no rebanho e podem transmiti-la aos animais saudáveis através de urina e secreções de forma oral ou cutânea.

Rinotraqueíte Infecciosa Bovina (IBR) - Viral

A IBR é causada por um vírus (herpesvírus) que não causa só problemas reprodutivos como também pode provocar lesões em outros locais do organismo do animal.

Esse nível de várias lesões tende acontecer principalmente em animais jovens, que foram contaminados pelas suas mães, enquanto em adultos, a contaminação ocorre principalmente via cópula.

A grande problemática desse vírus é que pode permanecer em alguns locais do organismo, principalmente gânglios nervosos, por longos períodos, em estado de latência.

E isso é perigoso, afinal, se não houver manejo atrelado à exames específicos para diagnóstico ou acompanhamento clínico, o Herpesvirus pode atacar a qualquer momento de maior fragilidade do animal hospedeiro.

Diarréia bovina a vírus (BVD) - Viral

A BVD é provocada por um vírus da família Pestivírus, que é parecido com aquele famoso que causa danos nos rebanhos suínos, a Peste Suína.

Em bovinos cronicamente infectados, o Pestivírus pode causar um quadro chamado de Doença das Mucosas. Na BVD, a infecção pode ser transmitida por inalação, via oral ou transplacentária (mãe-feto).

Se o feto for contaminado entre 50 e 120 dias de idade e não morrer, pode se tornar permanentemente infectado (PI).

A partir daí, após o nascimento, esses animais são disseminadores do vírus no rebanho. Dessa forma, o cuidado tem que ser redobrado, afinal eles não são detectados pela sorologia convencional.

Brucelose - Bacteriana

Transmitida principalmente por via oral e genital a Brucelose é uma doença bacteriana pouco diagnosticada porém muito prevalente. Acontece que, apenas uma pequena parcela do rebanho nacional é examinado com a técnica e rotina adequada.

Aí é que surge o grande vilão da brucelose: O fato dela ser crônica e ter sinais clínicos comuns à outras patologias, é que gera esse quadro de baixo diagnóstico.

Acontece que, quando infectada, a probabilidade da fêmea abortar em decorrência da brucelose reduz-se com o passar das gestações. E isso diminui a potencialidade do alerta de que há algo errado com o rebanho.

Ou seja, é mais provável ocorrer um aborto na primeira gestação após a contaminação do que nas gestações subseqüentes. Fazendo com que os produtores não identifiquem isso como um “problema” afinal não há tanta recorrência abortiva.

O fato é que, embora a taxa de aborto tenda a se reduzir com o tempo, as fêmeas jovens a manterão elevada.

Enquanto isso, as mais velhas, já infectadas, geralmente apresentam problemas de parto e produzem bezerros fracos, com baixa viabilidade.

Neosporose - Protozoose

A Neosporose é causada por um protozoário, cujo hospedeiro definitivo é o cão, e é ele o responsável pelo maior número das transmissões para bovinos.

Há a possibilidade de duas formas de transmissão, vertical e horizontal: A horizontal ocorre quando o bovino ingere oocistos de Neospora e a vertical ocorre por transmissão transplacentária. 

Em algumas regiões do mundo, onde a brucelose e outras doenças estão controladas e bem mapeadas, a neosporose ainda assim se destaca como a principal causa de aborto entre bovinos.

A importância econômica da neosporose bovina é atribuída principalmente aos custos associados ao aborto, à diminuição da produção de leite, ao aumento do descarte e à reposição dos animais.

Campilobacteriose - Bacteriana

É uma doença que pode atingir tanto machos quanto fêmeas. Nas fêmeas, a Campilobacteriose geralmente causa danos nas fases iniciais de gestação.

Os principais efeitos da bactéria estão relacionados a alteração do ambiente uterino, alterações no desenvolvimento embrionário, dificuldade de implantação, morte e reabsorção embrionária.

Estes problemas causam principalmente falhas na fertilidade. Após a contaminação, as bactérias se multiplicam inicialmente na vagina e dentro de duas semanas atingem útero e tubas.

A produção de anticorpos pela fêmea pode eliminar os agentes em cerca de 6 a 8 semanas. Em casos mais raros podem ocorrer abortos em fases mais tardias da gestação.

Outro fator importante é saber que o Touro é o principal disseminador dessa enfermidade, afinal a sua transmissão é realizada via cópula.

Tricomoníase - Protozoose

Nas fêmeas, a Tricomoníase pode provocar inflamações na vagina, cérvix e útero, causando aborto nas fases iniciais da gestação, ou apenas repetição de cio.

Quando a fêmea se contamina, abortando ou não, elimina o agente por um período de cerca de 8 semanas no muco cervical. Nesse período ela raramente ficará gestante, o que é outro fator de alerta para o produtor.

Já nos touros geralmente não são apresentadas lesões causadas pela Tricomoníase, fazendo com que se torne um portador assintomático e disseminador do agente.

O diagnóstico é feito após a coleta de material nas vacas e, principalmente, nos touros. Caso positivo, para o tratamento, deve haver o isolamento destes do resto do rebanho. Vale ressaltar que a  vacinação contra Campilobacteriose é indicada em rebanhos que utilizam monta natural.

Por que essas doenças acontecem?

Essas doenças ocorrem geralmente por falta de manejo sanitário adequado, onde o produtor na maioria das vezes, não faz a gestão dos índices reprodutivos do rebanho.

A junção desses três fatores (manejo + prevenção + controle) deve ser levada a sério.

Uma vez que não há prevenção os animais ficam expostos, se não há manejo sanitário adequado aumenta o risco de infecção dos mesmos.

A gestão dos índices reprodutivos, por sua vez, além de fornecer informações importantes para seu planejamento, pode auxiliar na abordagem de casos clínicos.

Quando não há acompanhamento da média considerada normal de abortos, taxa de concepção, e cio em um rebanho, olha-se apenas os sinais clínicos aparentes, esquecendo de olhar os sinais subclínicos destes animais. Um exemplo de consequência comum dessa má gestão é um maior intervalo entre partos que causa grandes prejuízos na propriedade.

O que fazer para evitá-las?

Identificando o Problema

A dificuldade em identificar e “corrigir” caso alguma dessas doenças esteja acometendo o seu rebanho varia bastante. Ela depende do período da perda:

Perda muito precoce

Uma perda muito precoce, por exemplo, que é aquela que acontece antes de 1 mês de gestação, é muito difícil de ser visualizada.

O animal volta ao cio normalmente e a gente nem percebe que ele foi fecundado, também não gerando o “sinal de alerta”.

Perda Precoce

Na perda precoce, a partir dos 30 até os 90 dias, o produtor que está preocupado, atento ao seu rebanho, já pode perceber alguns sinais clínicos.

Um exemplo prático é a observação dos cios em períodos irregulares, fator que já demonstra algo errado.

Perda Tardia

Neste caso, já é mais fácil identificar, você pode ver um produto de aborto ou uma placenta retida, mas o prejuízo é maior.

Afinal, o animal que dá uma perda tardia para de dar cio, fazendo com que o tempo de vaca vazia aumente, gerando gastos em todos os aspectos.

Autor

Renato Reis - Graduando em Medicina Veterinária pela UNIBH, está envolvido com a pecuária de Leite desde 2015, acompanhando de perto produtores os ajudando-os na área de sanidade animal. Hoje é estagiário da PRODAP no time do Corte, onde continua a desenvolver a pecuária no Brasil.

Para mais informações, acesse o box abaixo.

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FERNANDA

EM 05/04/2019

Texto excelente, extremantente rico e esclarecedor!!
KAREN BARBOSA ROCHA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 04/04/2019

Texto simplesmente esclarecedor, prático e de uma enorme carga informativa . Parabéns ao autor Renato. Gratificações pela sua formação que com certeza será de grande ajuda para o desenvolvimento da pecuária brasileira.
Att.
Leitora Karen.
ANA CAROLINA BERNARDES

EM 04/04/2019

Muito bom o conteúdo, continue assim Sucesso ????????????
VITOR PIRES SILVA PEREIRA

ITAMBACURI - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/04/2019

Boa noite, estou com um surto de aborto e natimortos. De 16 partos entre fevereiro e Março. 6 bezerros nasceram mortos, onde algumas vacas anteciparam de 20 a 30 dias a paricao. E 2 bezerros nasceram fracos e morreram no dia seguinte. Estou sem saber o que é? Consegue me dar luz? Pois fiz vacina reprodutiva em todos as vacas a 9 meses atrás.
RENATO REIS

EM 04/04/2019

Boa Tarde Senhor Vitor, tem inúmeras possibilidades!
O ideal é que o Senhor entre em contato com um veterinário sanitarista que possa visitar a sua propriedade para investigar os fatores de risco, examinar os animais e, se possível, coletar materiais para exames laboratoriais!
Um abraço!