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Controle de mastite em vacas leiteiras com produto homeopático

Introdução

Segundo Brito et al. (2003), a mastite, é uma inflamação da glândula mamária, que dentre outros, pode ser causada por micro-organismos e suas toxinas, traumas físicos e agentes químicos irritantes. No entanto, em sua maioria é concretizada e definida por meio da entrada de micro-organismos que causam doenças no corpo do animal por meio dos tetos, através dos esfíncteres (orifício de saída do leite pelo teto).  

Com esta entrada no organismo destes micro-organismos ocorre uma infecção da glândula mamária resultando na mastite. O organismo do animal por sua vez responde a esta inflamação para neutralizar esta invasão e acabar com o problema. Porém, a partir deste fato, pode ocorrer destruição das células do epitélio interno do úbere que são responsáveis pela síntese do leite causando graves malefícios ao animal, bem como, a sua produção leiteira diária.

Segundo alguns autores, já em 1997 (como Duvall (1997), descreveu-se nos Estados Unidos que 50% das vacas tinham um ou mais quartos infectados por mastite. No Brasil, já no ano de 2000, relatos, segundo Arenales e Mendonça (2000), já apontavam que o índice de ocorrência de mamite subclínica era da ordem de 72% e de 17,5% de mamite clínica, nos Estados de Minas Gerais e São Paulo. Na época, os prejuízos por mastite subclínica em propriedades nestas mesmas regiões correspondem em média a R$ 322/vaca/ano.

Cabe ressaltar que existem diferentes tipos de mastite e - dentre elas - podemos citar a mastite clínica aguda, hiperaguda e subaguda. Ainda, pode-se citar a subclínica que é aquela invisível que pode causar malefícios ao animal pela diminuição da produção sem se ver os sintomas e consequentemente ao produtor com a diminuição da produção animal diária. Quando a vaca apresenta a mastite subclínica, pode-se isolar o agente patogênico quando se faz a cultura do leite e são detectadas as alterações provenientes da reação inflamatória, como, por exemplo, o aumento da contagem de células somáticas (CCS).

Para tanto, o conhecimento sobre a eficácia de um produto homeopático pode ajudar no controle da mastite, sobretudo pelo fato de que a homeopatia é, segundo Araújo Filho (2000) uma importante ferramenta no auxílio da arte de curar e prevenir doenças nos animais. Além disso, é um recurso eficiente para ser usado nos animais ligados à produção de alimentos (neste caso o leite), sem que o produto final sofra contaminações residuais típicas daquelas provocadas por medicamentos convencionais.

Sendo assim, o objetivo do presente estudo foi avaliar o efeito e eficiência do pool de matrizes homeopáticas Caltha palustres CH2, Natrum carbonicum CH10, Actaea spicata CH20, Luffa operculata CH8, Bovista CH1 em vacas leiteiras em pastagem com suplementação de ração para medir a eficácia do controle da mastite clínica e subclínica.

Material e métodos

Para testar a eficácia do pool de matrizes homeopáticas Caltha palustres CH2, Natrum carbonicum CH10, Actaea spicata CH20, Luffa operculata CH8, Bovista CH1 para o controle de mastite em vacas produtoras de leite, foi desenvolvido um trabalho em propriedade particular localizada na cidade de Alvares Machado/SP. Foram utilizados 8 animais mestiços da raça Jersey com média de produção de 15 litros de leite por dia.

Os animais permaneceram em manejo diário normal da propriedade bem como no manejo alimentar caracterizado como em pastagem e concentrado, na relação de 07:30 respectivamente de volumoso e concentrado. Durante o dia, os animais permaneciam no pasto (13% de Proteína Bruta [PB] e 58% de Nutrientes Digestíveis Totais [NDT]) e eram trazidos a sala de ordenha duas vezes ao dia, as 6:00 e as 16:00 horas.

A ordenha era caracterizada como balde ao pé, com dois conjuntos de teteiras, sendo ordenhadas duas vacas simultaneamente. A ordenha apresentada estrutura de contenção dos animais, sendo contidAs duas vacas ao mesmo tempo por meio de brete de ordenha em linha, com a separação dos animais. A estrutura de ordenha era coberta com telha de fibrocimento, porém, arejada e com sombra suficiente para que os animais pudessem ter conforto térmico.

Foram utilizadas 8 vacas com produção diária, idade e lactação distribuídas uniformemente em dois lotes, sendo um lote recebendo o produto homeopático e o outro não, sendo caracterizados com e sem produto. No total de 4 vacas por tratamento continha duas vacas (1 animal cada lote) com bezerro ao pé, ou seja, um animal de cada lote que necessitava do bezerro para produzir leite. Os animais, ao serem ordenhados recebiam o produto homeopático na proporção de 3 gramas por animal/dia, durante o arraçoamento dos mesmos, sendo o produto uniformemente misturado ao concentrado fornecido (18 % de PB e 75% de NDT). Aos animais que não recebiam o produto, era fornecida a mesma quantidade de concentrado sem adição de produto.

Com a entrada dos animais no brete de ordenha, os animais eram amarrados pelas pernas para evitar coices e em seguida, os tetos eram lavados e desinfetados com solução a base de iodo (pré-dipping). Em seguida, os tetos eram secos e retirados dois jatos de leite em caneca preta para detecção de grumos (teste da caneca preta) para a detecção de mastite clínica. O número de animais e o dia do ocorrido eram devidamente anotados. 

Após o teste da caneca preta, era efetuado o teste do CMT (California Mastitis Test -  Schalm, 1957). O CMT é um método indireto, que avalia a quantidade de células somáticas do leite, sob a ação de um detergente aniônico capaz de romper a membrana celular. Consiste em retirar aproximadamente 4 ml de leite de cada teto, em uma raquete própria para esta análise e após feito isso, acrescentar nestes respectivos lugares que correspondem ao leite de cada teto um reagente próprio para quantificação do aparecimento de gel neste leite mais amostra contido nestes respectivos lugares desta raquete.

Sendo assim, foi quantificado o quanto de gel ou espessamento deste leite mais amostra e, em seguida quantificar utilizando-se zero (-) asterisco (*) para o leite normal; um asterisco (*) para pouco gel; dois asteriscos (**) para uma quantidade mediana de gel e três asteriscos (***) para o aparecimento de muito gel. Esta avaliação foi realizada por três avaliadores treinados, sendo a média considerada como valor de cada mensuração por teto de animal por coleta.

Após realizados estes testes, foi coletado de cada teto, em recipiente apropriado, aproximadamente 10 ml de leite por meio de ordenha manual após desinfecção das mãos de cada indivíduo que efetuou a coleta. Este leite após acondicionado nestes recipientes (tubetes) que continham reagente próprio, foram enviados ao laboratório para análise de CCS (Contagem de Células Somáticas).

Após a coleta do leite para o CCS, os animais eram ordenhados em conjunto de teteiras e após a ordenham recebiam um produto a base de iodo nos tetos (pós-dipping). As vacas que precisavam do bezerro para produzir leite, após todo o processo de ordenha, contavam com o bezerro solto e não realizado o pós dipping. Após realizado todo o processo de ordenha e desinfecção, os animais eram soltos no pasto para voltarem ao processo de pastejo normalmente.

Foram realizadas 6 coletas a cada 7 dias, contabilizando 4 animais, 4 tetos coletados separadamente e 6 coletas por tratamento, com e sem o produto homeopático, totalizando 96 amostras que foram analisadas no total do período experimental a cada tratamento. Considerou-se coleta 1 a coleta realizada após 7 dias do fornecimento do produto aos animais.

O experimento foi realizado no delineamento inteiramente casualizado em esquema fatorial considerando o produto (com e sem) em função das coletas (6 coletas com intervalos de 7 dias), totalizando 192 amostras (4 animais * 4 tetos e 6 coletas). Os dados foram avaliados a 5% de significância pelo teste F.

Resultados e discussão

A partir dos dados coletados pode-se inferir que para o tratamento com homeopático (COM) foram observados apenas um caso de presença de grumos na caneca preta, em apenas um teto (anterior direito) na segunda coleta, ou seja, 15 dias após o fornecimento do produto. Infere-se também que este animal não fora tratado e se recuperou normalmente apenas com o fornecimento do produto. O leite, apenas, foi descartado, mas o animal se mostrou recuperado na próxima coleta, 7 dias depois.

No tratamento sem homeopático (SEM) houveram dois animais acometidos, um animal com apenas um teto acometido e um animal com três tetos acometidos, na penúltima e ultima coleta, respectivamente (5 e 6 coletas). Mostrou-se significativo o efeito positivo do tratamento COM em função do parâmetro caneca preta.

No que tange ao parâmetro CMT, para o tratamento COM, da primeira a sexta coleta, houveram respectivamente 2,1,2,1,1 e 2 animais acometidos com pouco gel quando adicionado o reagente ao leite. Foi observado apenas 1 animal com média presença de gel quando adicionado o reagente na coleta 6. Para o tratamento SEM, da primeira coleta a sexta, houveram respectivamente 1,1,0,1,0 e 0 animais acometidos com pouco gel quando adicionado o reagente ao leite. Quanto ao médio aparecimento do gel, um animal na primeira e na quinta coleta. Quanto ao aparecimento intenso do gel, houve aparecimento de um animal na última coleta. Todos os aparecimentos foram em apenas 1 teto de cada animal. Houve significância para o aparecimento de pouco gel no tratamento COM e também para o aparecimento com muito gel para o tratamento SEM. Houve melhor resultado para o tratamento COM que respondeu menos significativo quanto o aparecimento do gel implicando menos indício para o aparecimento de mastite subclínica e constantemente uma futura mastite clínica, como observado no teste da caneca preta.

Para as contagens de células somáticas (CCS) estão apresentados na figura 1 os dados referentes aos valores de CCS em relação às coletas de 1 a 6. Pode-se inferir que ao se observar a linha de tendência dos dados, o tratamento COM mostrou-se melhor (com menor número de CCS). Infere-se também que na sexta coleta, os dados mostram-se conclusivos para mensurar que o efeito do produto pode ser sentido após 35 dias do seu fornecimento. Há tendência significativa de que após este período, os dados de CCS tendem a manter-se constantes mesmos com os problemas ambientais, como demonstrado com o aumento significativo da CCS do tratamento SEM.

Figura 1.  Valores de CCS (Contagem de células somáticas) em função das coletas 1 a 6 (com intervalos de 7 dias cada coleta), sendo a coleta 1 quando passados 7 dias após o fornecimento do produto homeopático. Onde: Linear 2 e 3, são as equações de retas ajustadas para os tratamentos COM e SEM homeopático (COM e SEM produto respectivamente).

 

Os resultados apresentados mostraram-se melhores com o uso do produto homeopático em função dos menores valores de CCS e menor aparecimento de grumos na caneca preta e gel no teste do CMT. Com isso, o fornecimento do produto garante aos animais melhores índices de segurança quanto aos patógenos causadores da mastite, uma vez que os animais COM e SEM o produto permaneceram nas mesmas condições quanto ao contato com o ambiente, seja rico ou pobre quanto ao patógeno causador.

Houveram casos de mastite e com isso se conclui que o patógeno existiu e por isso o produto se mostrou promissor quanto a garantia de mantença da integridade dos animais perante ao problema, garantindo o bem-estar dos animais bem como a produção de leite diária.

Conclusão

Pode-se inferir que a partir dos dados estudados, o pool matrizes homeopáticas Caltha palustres CH2, Natrum carbonicum CH10, Actaea spicata CH20, Luffa operculata CH8, Bovista CH1 mostrou-se eficaz no controle da mastite em função dos resultados encontrados no controle da mastite clínica e subclínica. Nenhum animal apresentou intoxicação pelo uso do produto.

Autores: Marco Aurélio Factori; Danilo Pereira da Silva; Bruno Emerick Anacleto; Bruno de Barros da Silva Cardoso; Matheus Abinel Calado, Natália Aparecida Rocha Gaudio.

Agradecimentos

Control Q Consultoria
Nutriboi Nutrição Animal

Referências bibliográficas

ARAUJO FILHO, R. A Homeopatia na Medicina Veterinária. In: ARAÚJO FILHO, R. Introdução à Pecuária Ecológica: a arte de criar animais sem drogas ou venenos. Porto Alegre: São José, 2000. p. 81-118.

ARENALES, M. do C.; MENDONÇA, L. V. A. Mastite, realidade do campo e homeopatia. São Paulo: Arenales, 2000. 35 p. Apostila.

BRITO, J. R.; BRITO, M. A. V. P.; ARCURI, E. F. Como (re)conhecer e controlar a mastite em rebanhos bovinos. Produtor Parmalat.  2003.

DUVALL, J. Treating mastitis without antibiotic. Ecological Agriculture Projects, Quebec, 1997. 7

SCHALM, O.W.; NOORLANDER, B. Experimental and observation leading to development of the California Mastitis test. Journal American Veterinary Medicine Association, v.130, p.199-204, 1957.

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JOSE FERNANDO

JOÃO PINHEIRO - MINAS GERAIS

EM 27/02/2019

ate que enfim um estudo aprovando o uso de produtos homeopaticos, parabens