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Como aumentar a qualidade do leite na fazenda?

Atualizado em 08/11/2019

Gosto não se discute e cada um tem o seu. Comportamentais, culturais e biológicos: são vários os motivos que fazem os consumidores optarem por uma ou outra marca de determinado produto. Mas e quando se fala em qualidade do leite?

Nesse caso, os consumidores esperam um alimento nutritivo, que não esteja adulterado e que satisfaça suas demandas sensoriais. Para a indústria de laticínios, porém, esse conceito vai além.

Para o produtor, existem 2 eixos que balizam a cadeia produtiva: a qualidade nutricional e a inocuidade do leite. O produto precisa ser o mais rico possível em proteína, gordura e lactose, mas livre de bactérias e outros fatores que indiquem insalubridade e afetem o sabor do leite — como contagem de células somáticas.

Frente a essas conjunturas, o produtor precisa estar dentro das normas de seguridade alimentar, além de agradar o gosto do consumidor. Mas quais são as práticas que podem ser adotadas na fazenda para aumentar a qualidade do leite e garantir sua permanência no mercado? Continue a leitura e descubra!

Como aumentar a qualidade do leite?

São 3 os fatores que influenciam diretamente no aumento da qualidade do leite: a nutrição das vacas leiteiras, o bem-estar animal e a capacitação da equipe de tratadores. São ações diretas, pois lidam e condicionam o estado físico e mental dos animais.

Há ainda um 4º elemento que atua indiretamente na produção: a composição genética dos bovinos. A seleção de características específicas nos reprodutores permite que o leite apresente atributos desejáveis ao mercado.

É importante lembrar que um dos principais passos para atingir o êxito em qualquer cadeia produtiva é o planejamento. E na indústria de laticínios isso não é diferente. Uma boa programação é essencial para que o produtor saiba exatamente aonde quer chegar. Ao dar início a um ciclo, portanto, a meta de produção precisa estar estabelecida, seja ela aumentar o teor de gordura ou o volume de leite em litros, por exemplo.

Com esse norteamento é possível, então, proceder a uma boa administração, estipulando as estratégias necessárias para que os objetivos sejam efetivamente alcançados. Ao longo do post, falaremos mais sobre como determinadas práticas aumentam a qualidade do leite.

O que define e influencia a qualidade do leite?

Sabendo que a qualidade do leite vai além do conceito subjetivo do gosto dos consumidores, a cadeia industrial de produção passou a ter regulamentos e critérios mínimos de qualidade a serem seguidos.

A partir de 2002, com a Instrução Normativa IN51, as condições de saúde das vacas, a higiene durante os procedimentos e a refrigeração do leite passaram a ser controladas. Além disso, a ausência de resquícios antibióticos e outros resíduos químicos também são avaliados.

Os parâmetros de qualidade a seguir englobam a segurança alimentar e a composição propriamente dita do leite, visto que cerca de 87% equivalem a água e 13% a sólidos totais:

  • Contagem de Células Somáticas (CCS) e Contagem Bacteriana Total (CBT);
  • concentração de sólidos totais, somando lipídios (gordura), carboidratos (lactose), proteínas, vitaminas e sais minerais.

As células somáticas são células de defesa das glândulas mamárias das vacas, produzidas por seu sistema imunológico. Quando a taxa está alta, é sinal de que o organismo do animal está tentando se defender de algum patógeno, o que significa que há risco de contaminação. Nesse caso, há problemas com a salubridade da fazenda.

O alto índice de CCS implica também em uma menor concentração de sólidos totais. Com menos nutrientes (principalmente proteína e gordura), o leite tem menor rendimento para o mercado de laticínios. Será preciso, por exemplo, de mais litros de leite para fazer 1 quilo de queijo. Como consequência, o valor de mercado do leite cai.

Além de estarem relacionadas com os conceitos de produtividade e rentabilidade, obviamente, as contagens excessivas de CCS e CBT afetam o sabor, o aroma e a vida útil do leite fluido, alterando com isso a textura e o gosto de seus derivados.

O que efetivamente é preciso fazer?

Dada a importância de manter a qualidade do leite elevada para garantir sua entrada no mercado e as características adequadas de seus derivados, é necessário seguir algumas práticas na fazenda. Veja a seguir!

  • Investir em raças com genética superior

Melhoramentos genéticos no setor agropecuário representam uma grande vantagem para a produção. Durante o cruzamento de linhagens, são selecionadas características específicas para serem transmitidas de uma geração para outra.

Na pecuária leiteira, a capacidade de produzir leite com menor taxa de CCS ou maior índice de sólidos totais é atributo desejável e hereditário, sendo, portanto, passível de seleção por cruzamento.

  • Garantir uma nutrição de qualidade

A nutrição das vacas leiteiras é extremamente importante para sua produção. A qualidade da dieta oferecida tem grande relevância para a constituição do leite, uma vez que maximiza o potencial genético dos animais.

Além disso, para produzir um leite com os padrões nutricionais recomendados (que será consumido, por exemplo, por crianças, idosos e mulheres na menopausa como fonte de cálcio), a vaca precisa de uma dieta equilibrada em minerais, vitaminas, proteínas e energia.

É importante, portanto, contar com uma assistência técnica na formulação de dietas e no acompanhamento dos resultados do rebanho. Assim, caso haja qualquer intercorrência, ela pode ser corrigida o mais rapidamente possível para não comprometer a qualidade do leite.

  • Promover o conforto animal

É essencial que as práticas de bem-estar animal sejam cumpridas, visto que o estado em que as vacas se encontram influencia diretamente a produção do leite. Se elas não estiverem dentro de sua zona de conforto, toda a produção poderá ser prejudicada.

Nesse sentido, é fundamental investir, por exemplo, em equipamentos que evitem o estresse térmico, já que os bovinos são sensíveis a variações de temperatura. Como consequência, uma cascata de alterações hormonais afeta o leite.

  • Manter o status sanitário da fazenda

Essa prática faz parte da promoção de bem-estar, uma vez que vacas saudáveis produzem melhor. As questões sanitárias são extremamente importantes na pecuária leiteira, principalmente na cama das vacas (onde descansam) e na sala de ordenha.

Esses locais devem ser rigorosamente higienizados, pois há o contato direto com o úbere do animal. Lembre-se: qualquer insalubridade aumenta o risco de contaminações.

  • Investir na capacitação da equipe

Por último, mas não menos importante, está a capacitação da equipe de trabalho. Investir no treinamento dos funcionários é crucial para que todas essas práticas sejam executadas adequadamente.

A produtividade e a rentabilidade de um negócio estão atreladas a uma boa gestão. Quando se trata de um empreendimento com criação de animais, a gestão deve se preocupar também com as boas práticas de manejo.

Fazer o planejamento das metas e tomar os devidos cuidados durante toda a cadeia produtiva garante a seguridade e eleva a qualidade do leite, fazendo com que o pecuarista consiga entregar um produto ao gosto do freguês.

Este conteúdo foi elaborado com a colaboração de Fabiano Lopes Bueno, atual Gerente de Nutrição Ruminantes da Vaccinar – Nutrição e Saúde Animal e está disponível, junto com outros artigos, no Portal de conteúdos - www.nutricaoesaudeanimal.com.br.

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