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Como identificar o agente infeccioso causador da diarreia neonatal?

POR VIVIANI GOMES

E CAMILA MARTIN

VIVIANI GOMES

EM 03/07/2017

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A diarreia ainda é o principal desafio na criação de bezerras no 1º mês de vida. As prevalências das diarreias são extremamente altas independente da dimensão do sistema de criação, apesar dos esforços dos produtores, equipe técnica e empresas para a disponibilização de estratégias para o controle da doença.

O cenário encontrado nas fazendas A e B de alta produção, que possuem um sistema de manejo extremamente rigoroso, nos fez pensar onde estamos errando. Na busca por esta resposta, verificamos que o 1º passo para a elaboração de um programa de controle de diarreias neonatais é a identificação do agente etiológico (causador). Somente com esta resposta em mãos podemos corrigir protocolos de tratamento, vacinação e desinfecção do bezerreiro.

Figura 1 - Frequências (%) de diarreia em bezerras recém-nascidas Holandesas oriundas de duas fazendas leiteiras de alta produção localizadas em São Paulo.

diarreira em bezerras

A ampla possibilidade de agentes infecciosos causadores das diarreias dentre vírus, bactérias, protozoários e helmintos confunde muito o produtor e técnico de campo sobre a colheita, armazenamento e conservação das fezes, além do exame a ser solicitado. Estes questionamentos têm sido rotineiros, e nos motivou a redigir este artigo de divulgação.

Os principais agentes infecciosos causadores de diarreia são Escherichia coli enterotoxigênica (2,6 a 45,1%), Rotavírus (17,1 a 79,9%), Coronavírus (21,6 a 27,8%) e Cryptosporidium parvum (27,8 a 58,5%). Muitas vezes podemos encontrar infecções mistas, causadas pela associação entre agentes, especialmente Rotavírus e Cryptosporidium.

O 1º passo para investigar o agente causador da diarreia é a identificação da idade acometida, pois os micro-organismos distribuem-se de acordo com a faixa etária: idade ≤5 dias de vida são frequentemente acometidas por Escherichia coli enterotoxigênica; entre 5 e 14 dias de vida por Rotavírus, Coronavírus, Salmonella e Cryptosporidium; e ≥14 dias de vida por Salmonella, Eimeria e Giardia.

Para descobrir a dinâmica das diarreias, de acordo com a idade, recomenda-se o monitoramento das bezerras ao menos 2 vezes por semana utilizando-se o sistema de escore adaptado do Calf Heath Scoring Criteria - University of Wiscosin - Madison. Deve-se atribuir valores de 0 a 3 para as fezes de acordo com a consistência fecal. 

Quadro 1 - Escores de fezes adotado para detecção de diarreia em bezerras. Clique no quadro para ampliar*

Escores de fezes adotado para detecção de diarreia em bezerras.

Figura 2 - Escores de fezes adotados para detecção de diarreia em bezerras. Fonte: MARTIN, C. C., 2017. 

 Escores de fezes adotados para detecção de diarreia em bezerras

As fezes para a detecção do agente causador das diarreias deverão ser coletadas apenas das bezerras que apresentarem escore fecal 2 ou 3.

Os materiais necessários para a coleta das amostras de fezes podem ser encontrados em farmácias, lojas de produtos hospitalares e cirúrgicos e supermercados. O material necessário para a coleta por animal inclui: 3 copos coletores estéreis, 1 luva estéril, 1 haste flexível (swab) com meio de transporte (stuart), isopor e gelo reciclável.

Na suspeita de Salmonella deve-se entrar em contato com os laboratórios que realizam o exame para este agente solicitando o meio de transporte das amostras (tetrationato) antes da coleta de fezes, pois essas bactérias são muito sensíveis e morrem se não forem encaminhas ao laboratório nesse meio de cultura. Muito resultados para Salmonella são falso-negativos porque são encaminhados ao laboratório sem o meio de cultura ideal.

Figura 3 - Meio de cultivo tetrationato para o transporte de fezes para identificação da Salmonella. A suspeita de Salmonella ocorre quando as bezerras mais velhas (ao redor 20 dias de vida) ficam muito debilitadas, com febre e manifestam diarreia e/ou disenteria fétida.
diarreira em bezerras

O passo a passo para coletar as fezes é simples, porém deve ser seguido com cautela.

1- Levantar a cauda do animal com uma das mãos, e com a mão livre calçada com luva estéril deve-se coletar as fezes diretamente da ampola retal;
2 - Transferir as fezes coletadas para 3 copos coletores estéreis;
3 - Abrir a embalagem da haste flexível com meio de cultura no sentido oposto a ponta de algodão, para evitar contato direto com esta superfície estéril. Introduzir a haste flexível na ampola retal das bezerras, em seguida deve-se acondicioná-la no tubo de plástico que contém o meio de transporte stuart;
4 - Identificar os copos coletores e haste flexível  com a identificação da bezerra, idade e data da coleta;
5 - Enviar as amostras ao laboratório sobre refrigeração em caixa de isopor o mais rápido possível.


Quadro 2 - Indicações para a coleta de material, conservação, armazenamento e exames indicados para a detecção dos agentes causadores das diarreias neonatais. Clique no quadro para ampliar*

Indicações para a coleta de material, conservação, armazenamento e exames indicados para a detecção dos agentes causadores das diarreias neonatais

Figura 4 - Bezerra com aproximadamente 10 dias manifestando diarreia (escore fecal 3), no qual foi coletada amostra de fezes em coletor universal e swab (haste flexível) contendo o meio de cultura stuart para a pesquisa e identificação dos agentes etiológicos.

diarreira em bezerras

As amostras de fezes devem ser enviadas para laboratórios que realizem a pesquisa do agente de interesse. No quadro 2 estão listados alguns laboratórios que realizam o diagnóstico para Rotavírus, Coronavírus, Cryptosporidium parvum, E. Coli, Salmonella e coproparasitológico. Antes do envio de amostras é importante entrar em contato com o laboratório e preencher corretamente o formulário para envio de amostras.

Quadro 3 – Lista de alguns laboratórios que realizam exames para os principais agentes causadores das diarreias neonatais. Clique no quadro para ampliar*

Lista de alguns laboratórios que realizam exames para os principais agentes causadores das diarreias neonatais.
 

VIVIANI GOMES

Professora Clínica Médica de Ruminantes da FMVZ-USP. Coordenadora GeCria - Grupo Especializado em Medicina da Produção aplicada ao período de transição e criação de bezerras. Tel: (11) 3091-1331

CAMILA MARTIN

Possui graduação em Medicina Veterinária pela Universidade Federal do Paraná. Residência na Clínica e Cirurgia de Ruminantes pela FMVZ-USP. Atualmente é mestranda na FMVZ-USP, área de Clínica Médica de Ruminantes,

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NEI MOREIRA

PALOTINA - PARANÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 11/07/2017

Excelente artigo! Prático e objetivo!
VIRGÍLIO JOSÉ PACHECO DE SENNA

SANTO AMARO - BAHIA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 05/07/2017

Parabéns, bastante esclarecedora e de referencia para o desenvolvimento da Clinica de Ruminantes.
ROMÃO MIRANDA VIDAL

PALMAS - TOCANTINS

EM 04/07/2017

É dessa forma e maneira que a Classe Médica Veterinária marca presença, se consolida, evita que outras profissões adentre na nossa área privada de atuação e de exclusiva competência nossa. Parabéns às Colegas pela forma Profissional e Didática que expôs o assunto.

Médico Veterinário Romão Miranda Vidal.

CRMV-PR-0039

CRMV-To- 1290