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Análise da proteína total e IgG no soro das bezerras e a transferência de imunidade passiva

VIVIANI GOMES

EM 15/10/2018

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A colostragem das bezerras deve seguir a regra dos 3Q’s: qualidade e quantidade de colostro, administrado o mais rápido possível após o nascimento (em inglês, a palavra “rapidamente” é traduzida como “quickly”). Para monitorar o processo de colostragem, recomenda-se a coleta de sangue em tubos sem anticoagulante, o qual deve ser mantido em temperatura ambiente até a formação do coágulo e separação da parte líquida do sangue chamada de soro. Em seguida, a dosagem da proteína total deve ser feita usando refratômetro digital ou óptico, que possui uma escala de 0 a 12 g/dL. Se o processo de colostragem foi bem sucedido, o valor da proteína total será ≥ 5,5 g/dL.

Figura 1 - Modelos de refratômetros digital (à esquerda) e óptico (direita) para avaliar a proteína do soro sanguíneo.

colostragem de bezerras

Figura 2 - Colher o sangue e tubo sem anticoagulante e deixar dessorar (não é necessário usar centrífuga). Pingar uma gota da fração líquida (soro) no refratômetro. Fazer a leitura na escala de 0 a 12 g/dL. O valor deve ser ≥ 5,5 g/dL.

colostragem de bezerras

Nas fazendas e estações de cria tem-se encontrado grande dificuldade para colher o sangue e avaliar a transferência passiva das bezerras imediatamente após a mamada do colostro (48 horas de vida), porque os nascimentos das bezerras não são sincronizados, o que gera a necessidade de avaliar a proteína total praticamente todos os dias dentro da rotina de uma média a grande fazenda.

As estações de cria recebem bezerras de um a sete dias de vida (ou mais) de diferentes fazendas submetidas a diferentes protocolos de colostragem, o que torna necessário, porém impossível, adotar o protocolo de avaliação da proteína total apenas no 2o dia de vida porque a maioria delas adentram o sistema de crias mais velhas.

A avaliação da transferência da imunidade passiva colostral é prioridade no sistema de criação de bezerras, pois animais com proteína total ≤ 5,5g/dL possuem risco de vida. Estas bezerras devem ser brincadas com brinco de cor vermelha ou sinalizados de alguma forma para uma maior atenção dos colaboradores em relação ao seu manejo. Além disso, é interessante isolar estas bezerras porque representam uma fonte de infecção para os demais animais dentro do bezerreiro.

A dificuldade em avaliar a proteína total em momento tão pontual (2o dia de vida) e a polêmica sobre o momento ideal para medir a proteína total fez uma equipe de pesquisa da Universidade de British Columbia avaliar se os teores de proteína total no soro das bezerras sofrem variações nos primeiros dez dias de vida. O artigo foi recentemente publicado por Wilm e colaboradores na revista científica Journal of Dairy Science em julho de 2018 (volume 101, n. 7, p. 6430-6436, Julho, 2018).

A média da proteína total encontrada por Wilm e colaboradores foi de 4,61 g/dL ao nascimento (antes de mamar colostro); 5,83 g/dL após a ingestão de colostro (24 horas de vida); e 5,78g/dL no décimo dia de vida. Os teores de IgG foram de 0,6 mg/mL ao nascimento (antes de mamar o colostro), 22,2 mg/mL às 48 horas de vida e 16,1 mg/mL no 10o dia de vida.

Estes autores ainda correlacionaram os valores da proteína total obtidos no 2o com o 3o dia de vida (r≥0,98), 2o com os valores obtidos entre o 4 e 9o dia de vida (r≥0,88) e 2o com os valores obtidos no 10o dia de vida  (r≥0,76). Com base na alta correlação entre os valores de proteína total obtidos entre o 2o até o 9o dia de vida, os autores disseram que é ainda possível estimar a transferência de imunidade passiva entre o 3o e 9o dia de vida.

Os autores ressaltaram que os dados do estudo devem ser usados com cautela, pois todas as bezerras do estudo apresentavam proteína ≥ 5,5 g/dL, desconhecendo-se o perfil no tempo das bezerras com falha na transferência de imunidade passiva (proteína ≤5,5 g/dL). Outra questão importante é que as diarreias são frequentes nas primeiras duas semanas de vida, o que pode causar desidratação e aumento aparente da proteína total. Sendo assim, desconsiderar as recomendações desta pesquisa para bezerras desidratadas.

Em geral, o ideal seria avaliar a proteína total entre 48 e 72 horas de vida. Na impossibilidade de realizar esta prática, os dados do artigo demonstraram que é possível avaliar a transferência de imunidade passiva pela mensuração da proteína total no soro das bezerras  entre um a nove dias de vida.

VIVIANI GOMES

Professora Clínica Médica de Ruminantes da FMVZ-USP. Coordenadora GeCria - Grupo Especializado em Medicina da Produção aplicada ao período de transição e criação de bezerras. Tel: (11) 3091-1331

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JOAO COSTA

SÃO JOÃO BATISTA - SANTA CATARINA - PESQUISA/ENSINO

EM 17/10/2018

Viviani, Parabéns pelo artigo e muito obrigado por divulgar um pouco do nosso trabalho!

Joao
VIVIANI GOMES

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 17/10/2018

João, bom dia
Esta foi uma grande polêmica no Simpósio do Leite Integral deste ano ... Por favor, fique a vontade para complementar as informações que achar pertinente. Posso incluir no artigo ou podemos escrever outro juntos. Muito legal conhecê-lo no Japão
Obrigada
NATALIA MINAMI

BOTUCATU - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 16/10/2018

Parabéns Professora Viviani e toda a equipe GeCria por mais um excelente artigo. Muito prático e didático, repassarei as informações para meus colegas e produtores de leite.
Grande abraço.

Natalia
THAÍS PASSOS

EM 16/10/2018

Obrigada pelas informações, Profa. Viviane!
Aproveito para sugerir um termo em português para o terceiro Q: "quanto antes".
: )
VIVIANI GOMES

PESQUISA/ENSINO

EM 17/10/2018

Thaís, amei a sua sugestão!!! Vou adotar a sua idéia, abraços e obrigada. Viviani