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Andam falando que leite é pus!

POR HAYLA FERNANDES

VACA FELIZ

EM 25/09/2020

5 MIN DE LEITURA

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"Leite é pus!!"

"As vacas são ordenhadas 24 horas por dia até a exaustão!!"

"Vacas apanham o dia inteiro para dar leite!!"

"Bezerros apanham e são mal cuidados nas fazendas!"

"Leite tem 30% de gordura!"

Está indignado? Pois então, é isso que se tem propagado sobre o leite!

Ultraje! Crime! Difamação! São nomes que podemos usar e berrar, mas, sinto muito, o nosso espernear não vai fazer essas pessoas pararem, por uma simples razão: notícia ruim e sensacionalismo vendem! O ser humano se sente atraído por catástrofes. Basta passar perto de um acidente de carro. As pessoas param, vão olhar, filmam. Para ajudar mesmo são poucos.

“Hayla, mas o que isso tem a ver com a gente que está na fazenda acordando cedo, 365 dias do ano, para ordenhar nossas vacas, lutando para que elas adoeçam menos, numa batalha diária para tratar menos vacas e descartar menos animais?” Eu te digo que tem tudo a ver! Nosso consumidor está sendo bombardeado dia e noite com esse tipo de frase que citei acima. Sei disso pois há alguns anos criei e administro o perfil @vaca_feliz_oficial no Instagram e já vi essas e outras frases em perfis de nutricionistas, médicos, educadores físicos, ativistas, artistas, enfim... pessoas de várias áreas que acessam o consumidor muito mais do que nós.

Nossa querida Anitta tem nada menos do que 48 milhões de seguidores no Instagram, Luisa Mel 3 milhões, Doutor Barakat 1.4 milhão, enquanto o movimento #bebamaisleite por exemplo tem 39 mil seguidores, eu tenho 8 mil. Deixo aqui meu aplauso de pé para a turma do Milkpoint, da Leite integral que fazem um trabalho incrível e tantos outros que estão nessa luta, mas você concorda que estamos apanhando de gente MUITO grande? Quando alguém popular assim fala mal do leite o impacto é gigantesco e o consumidor na gôndola do mercado vai começar a pensar se precisa mesmo do iogurte, de leite condensado, se deve fazer seu cappuccino com leite de vaca ou com “leite de amêndoa”. Queridos, para o consumidor infelizmente não importa se vem de tetas ou não, ele simplesmente absorve a informação que chega até ele. Aliás... ele só vai se questionar se nós mostrarmos que leite de vaca e "de amêndoa", apesar de serem bebidas brancas, têm diferenças gigantescas em sua composição.

Algumas reflexões que temos de fazer: como está o consumo de leite? Aumentando? Diminuindo? O consumidor está pagando mais? Eu te diria que essa é a grande chave para que o preço do leite seja alto e que remunere você, que está aí na fazenda ralando todo santo dia. Espernear com o laticínio pode até ter uma parcela de ajuda a curto prazo, mas se nós como cadeia não pensarmos além, sinto muito. Não há laticínio que consiga segurar preço sem demanda.

Pense: Por que será que estão surgindo certificações de bem-estar animal? Por que marcas de leite mais naturais estão vendendo cada vez mais e com preço mais alto? Por que se discute tanto a questão do BST? Porque esses temas são pauta em mercados de outros países e vêm crescendo aqui cada dia mais? Pasme: 14% da população brasileira já se declara vegetariana! (Fonte: Ibope)

Está com a cabeça fervendo? Então cheguei no ponto que eu queria, pois é a partir desse desconforto que podemos pensar em parar de chorar e começar a realmente a agir. Você sabia que abrir uma rede social da sua fazenda é gratuito? Não temos nada que esconder certo? Então por que não mostrar um pouco mais das boas práticas? Tem preguiça? Sem problemas... Comece a colocar nas suas redes pessoais fotos bonitas das suas vacas, mostrando como elas são bem tratadas, como os bezerros são cuidados, em como você ama a atividade e como é importante para você. Se você for mostrando para as pessoas ao seu redor um pouco da sua rotina de cuidado com os animais, é natural que quando alguém escutar uma bobagem dessas venha até você verificar se a informação é correta. Entende? Conseguimos então fazer um movimento gigantesco sem grande alarde, silencioso, mas que firma o leite na ponta. Sem lobby, sem política, sem nenhum grande investimento. Inteligente, não é? E o melhor: gratuito! Lembre-se de que este conteúdo deve ser bonito, criativo e positivo.

O Brasil não sabe que já temos 2.000 barracões. O brasileiro não sabe do seu esforço para alimentar uma vaca bem e dar conforto a ela, muitas vezes mais até do que a si mesmo. O consumidor na ponta nunca foi numa fazenda e ele realmente acha que o leite surge numa caixinha! Talvez numa árvore de caixinhas! Rsrs

Veja o tamanho dessa proposta: somos quase 1 milhão de produtores no Brasil, cada um atingindo pelo menos 200 pessoas conseguimos mostrar para o Brasil de uma forma leve e construtiva porque o leite merece respeito e que pode ser consumido sem preocupação. Vou gravar nos próximos dias um curso sobre como usar redes sociais para fazendas e ficará disponível no Educapoint. Fiquem ligados, pode ajudar muito quem entende a importância disso!

Outra ideia de baixo custo é: por que não levar escolas da cidade mais próxima na sua fazenda? Não seria incrível que as crianças soubessem o que é agricultura, o que é vaca e que tudo que está na mesa delas saiu de uma fazenda? Será que é à toa que 100% do marketing do Mcdonalds é focado em crianças? Não! Crianças levam consigo tudo que vivenciam desde muito cedo. Elas serão os ativistas de amanhã ou serão os profissionais do campo. Está na nossa mão dar essa opção a elas. Tenho certeza que o agro seria mais respeitado.

Conclusão: conforto de vacas leiteiras é pauta e, como eu trabalho muito com isso, sei da genuína preocupação de norte a sul do Brasil em melhorar as condições dos animais para que vivam mais, sejam mais saudáveis e que produzam leite de qualidade, mas o nosso país não sabe disso. O nosso consumidor está sabendo de uma fofoca que vacas apanham dia e noite nas fazendas. Quem pode desfazer esse mal entendido? Informação de qualidade.

Fico por aqui sabendo que provoquei alguns e peço perdão se fui indelicada ou generalista, mas o recado é geral: precisamos nós cuidar da nossa imagem! Compartilhe isso com seus colegas produtores, discutam isso nas cooperativas, façamos um movimento mais construtivo.

Curte e comente se você viu sentido nisso tudo! Forte abraço!

Leia também:

Comunicação: 'ninguém melhor do que quem produz para falar sobre leite', diz Jaqueline Ceretta

Produtor do futuro: 'só faz bem feito quem gosta do que faz', diz Maurício Coelho

HAYLA FERNANDES

Descrição: Médica veterinária pela UFG, mestre em sustentabilidade e pecuária e consultora técnica. Proprietária do perfil @vaca_feliz_oficial no Instagram. Contato: (62) 99949-5588.

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PEDRO AUGUSTO CARVALHO PEREIRA

GUARATINGUETÁ - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 13/10/2020

Bacana sua reflexão ! Parabéns !! A culpa dessa imagem distorcida e mentirosa veiculada por esses ditos "influencers" é do próprio segmento leiteiro que não se esforça para transmitir algo diferente e ocupar um espaço mais amplo na mídia. Com as redes sociais, por exemplo, nunca foi tão fácil, barato e eficiente fazer campanhas publicitárias em massa. Vivemos no Brasil, mais do que nunca, o "tempo dos ignorantes", onde a ciência e conhecimento não tem nenhum valor para grande parte da sociedade, que tem como referência esses "formadores de opinião" citados no texto.. Caberia, então, ao setor talvez se aproveitar dessa triste realidade e ser mais agressivo e capitalista no mercado, utilizando, talvez, uma Anitta da vida ou qualquer outro desses "gênios da raça" como garotos propaganda, fazendo bigode de leite... Se entrar dinheiro o discurso muda ! O que não tem mais espaço é para representante do setor, seja produtor, político ou dirigente, continuar com o velho discurso populista de que o produtor de leite é um coitado, fadado ao insucesso e pobreza, que vive a margem das demais cadeias do agronegócio e vende seu produto mais barato que copo de água, pinga... Isso nunca funcionou e só atrasa o setor.
MARCELO DE SOUZA LIMA

CAMPO VERDE - MATO GROSSO - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 05/10/2020

Hayla, já realizei um trabalho semelhante aqui na minha cidade contra o hormônio na carne de frango. Palestrei em todas as escolas da primeira fase e algumas visitas no abatedouro da São Salvador Alimentos.
Por que não levar os pequeninos das creches para tomarem leite na ordenha das vacas? Por que não explicar a importâncias dos alimentos na pista de trato? Por que não fazer um piquenique nós piquetes das bezerras, tão traquinas quanto eles?
Vou implementar essa idéia tão logo voltem as aulas, vou começar pela creche onde minha esposa trabalha. Desde já vou vender essa idéia a alguns produtores de leite, bora virar o jogo pra cima desses artistas meia boca.
FERNANDO SACRAMENTO

EM 22/10/2020

Ensinando desde de pequeno como normatizar a exploração animal . Bela mensagem está passando .
CIDO JOSÉ

SÃO BERNARDO DO CAMPO - SÃO PAULO

EM 05/10/2020

Gostei da ideia de compartilhar com as crianças, o conhecimento da produção de todos os derivados do leite, que são levados para dentro dos seus lares....
FÁBIO EDUARDO SCHLICK

SANTANA DO LIVRAMENTO - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 30/09/2020

Acredito que devemos ter uma campanha permanente de valorização da atividade leiteira, estou publicando fotos de meus animais mostrando como são tratados. leite é uma alimento de qualidade e seguro.
FÁBIO EDUARDO SCHLICK

SANTANA DO LIVRAMENTO - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 30/09/2020

Sou Fábio Eduardo Schlick. pequeno produtor de Santana do Livramento - RS, acredito que devemos ter uma campanha permanente de valorização da atividade leiteira, mostrar para a população que nossos animais são bem tratados e saudáveis. Leite é um alimento de qualidade. Já postei foto em minha página e vou seguir com esta ideia.
FERNANDO ALVES

EM 29/09/2020

Excelente artigo! Sou médico veterinário e Professor da UFF. Sei como é difícil tirar imagens arraigadas nas cabeças das pessoas. Precisamos, sim, FALAR, e MUITO, de como os alimentos de origem animal são produzidos e como o produtor rala para produzir cada vez melhor e com mais cuidado. Espero que todos sigam sua sugestão! Parabéns!
DISNEY CRISCIONE

SÃO PAULO - SÃO PAULO

EM 29/09/2020

Prezada HAYLA:
Li, com vivo interesse sua instigante matéria, com a qual concordo "in totum".
Comunico-lhe que estamos, eu e um conhecido Diretor de Animação programando um filme em forma de
desenho animado, focado em crianças da primeira infancia e um pouco mais (até 10 anos de idade), cujo tema é a importância do leite flúido na alimentação das crianças (Voce leu recente matéria falando que nos Estados Unidos as crianças estão consumindo menos leite à medida em que crescem?) Pois é, penso que no Brasil isso tambem pode acontecer, pois as marcas de diversos tipos de bebidas concentram-se mais em divulgar através de propaganda o sabor, a alegria, o "status in" do grupo de referência, em vez de vender saúde, formação ossea, proteção intelectual, etc. enfim, as virtudes do leite. Estamos formatando o projeto para oferecer às empresas produtoras de leite flúido dentro do programa de incentivo à cultura - Lei Rouanet.
Disney Criscione - mercadodelaticinios.com.br (11) 99951-5759.
HAYLA FERNANDES

GOIÂNIA - GOIÁS - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 29/09/2020

Que legal! Isso aí!
Tomara que esteja disponível em grandes plataformas em breve. Precisamos ganhar repercussão.
Parabéns e forte abraço
MAURICIO PEREIRA LIMA

EM 28/09/2020

Parabéns pelo texto. Muito claro e realista.
SALVADOR ALVES MACIEL NETO

RIO PRETO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/09/2020

parabéns pela reportagem, me sinto incomodado com postagens que denigrem a imagem do produtor de leite e outras proteínas de origem animal, além disto este grupo ainda fala mentiras, pois leite é um produto de origem animal, como podemos ter leite de amêndoa ou carne vegetal. Este problema deverá ser combatido por nós produtores e técnicos, para defender a nossa cultura sem entrar em embate com estes grupos que só querem ocupar um espaço econômico.
DANIELE DUARTE NUNES DE SOUZA

RIO DE JANEIRO - RIO DE JANEIRO - PESQUISA/ENSINO

EM 28/09/2020

Parabéns pela iniciativa. Realmente a cadeia do agronegócio precisa se posicionar de maneira construtiva. Precisamos mostrar aos formadores de opinião a realidade dos sistemas de produção. Muitos falando mal de coisas que desconhecem gera uma sociedade alienada e crédula em tudo que houve, sem buscar informações a respeito.
PABLO FREITAS PAGLIOTO

BARRA LONGA - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 25/09/2020

Muito interessante! Eu participei por 2 anos consecutivos de um projeto da Escola Municipal da cidade onde eu moro onde os alunos do 5 ano tiveram a aula em uma Fazenda de Excelência na produção de leite, e eu e a equipe da Fazenda apresentamos o caminho do leite a eles, da vaca a mesa. No total foram mais de 200 crianças. E muito legal ouvir do produtor relatos de encontros na rua com algumas delas e elas o reconhecerem.
HAYLA FERNANDES

GOIÂNIA - GOIÁS - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 28/09/2020

Exato!! Esse pode ser um dos caminhos!
FERNANDO SACRAMENTO

EM 22/10/2020

Ensinando as crianças como explorar um animal , belo exemplo , fala também que o bezerro é privado de mamar,que são separados precossemente de sua mãe,que se machos serão abatidos ainda jovens, que também as vacas são estupradas diversas vezes, E que terão a vida diminuida a 1 sexto de tempo, e quando não aguentarem mais serão brutamente assasinadas, pode usar a artimanha que quiserem, o marketing quiserem,a verdade ta ai veterinários deveriam mais que ninguém a crueldade que é a indústria leiteira .
JOSELY COSTA SANTIAGO DE BARROS

RIO BONITO - RIO DE JANEIRO

EM 25/09/2020

Interessante essa proposta de informar crianças corretamente, eles realmente serão o elo pata o futuro em todos os seguimentos da nossa sociedade. Quem difama o leite com certeza está mal informado e se apoia em argumentos sem fundamentos advindos de fontes não confiáveis, supérfluas e quer chamar atenção para um estilo de vida que pode não ser vivido como se prega, pois duvido que em uma situação de emergência, não se valham do leite e seus derivados para se alimentarem. É realmente com informação de qualidade e fidedigna que essa corrente pode ser quebrada, revertendo a opinião do consumidos a favor do produto.
MilkPoint AgriPoint