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Silagem de milho: importância das características dos grãos

POR THIAGO BERNARDES

THIAGO FERNANDES BERNARDES

EM 27/10/2015

2 MIN DE LEITURA

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Quando as plantas de milho estão aptas para serem colhidas para silagem os grãos representam de 30 a 45% da matéria seca. Ou seja, os grãos podem constituir com quase a metade da massa colhida em determinadas silagens. Mas não é só a quantidade de grãos que exerce importância no valor nutritivo da mesma. Outras características também são importantes porque a associação delas irá definir o quão energético é o alimento, devido à presença do amido. Desse modo, este texto irá elucidar quais são os quatro fatores, que em conjunto com a quantidade de grãos, definem a importância deles como componente da silagem de milho.

1.Maturidade dos grãos: Os grãos são preenchidos inicialmente com um líquido de coloração branca, o qual é constituído basicamente por um açúcar simples (glicose). Com o passar do tempo a glicose se transforma em amido que preenche o grão no sentido da coroa para a base (local onde o grão se fixa no sabugo). A divisão entre o líquido branco e a coloração amarelada do amido é o que chamamos de ‘linha do leite’. Esta mudança bioquímica ao longo do tempo promove maior dureza ao grão, o que torna o amido menos digestível. Portanto, a planta deve ser colhida quando de 40 a 70% do grão está tomado por amido, que na prática pode ser observado pela linha do leite. Grãos completamente cheios possuem mais amido, ou seja, teoricamente seriam mais energéticos, mas nem todo amido pode ser aproveitado pelo animal devido ao efeito da maturidade.

2.Tipo de endosperma: Há dois tipos de endosperma em grãos de milho, o duro e o macio. Como os próprios nomes dizem, a característica física que os diferencia também impactam no aproveitamento do amido pelo animal. Grãos duros possuem grânulos de amido menores e mais densos, além de serem protegidos por uma matriz proteica a qual exerce barreira a digestão do carboidrato. Portanto, deve-se dar preferência por híbridos com endosperma de textura macia.

3.Rompimento dos grãos: A colhedora de forragem é responsável por captar a forragem no campo, pica-la e lança-la no vagão forrageiro. Outra função é necessária quando se trata de plantas de milho: o rompimento dos grãos. Esta ação é necessária porque grãos quebrados possuem maior acesso do amido para os microrganismos que irão degrada-lo no ambiente ruminal. Grão pouco partido ou intacto não sofre digestão ou esta é prejudicada, o que impacta negativamente no desempenho do animal, além das perdas econômicas causadas pela eliminação dos grãos nas fezes.

4.Tempo de estocagem: Silagens estocadas por períodos mais longos (muitos meses ou até anos) são consideradas mais digestíveis do que aquelas ‘mais jovens’. O tempo de estocagem tem influência positiva sobre a digestibilidade do amido, tornando-o mais acessível aos microrganismos digestores devido ao papel da fermentação sobre as características físico-químicas deste carboidrato. Desse modo, o planejamento da propriedade deve priorizar tempos mais prolongados de armazenamento como forma de potencializar o valor nutritivo da silagem.
 

THIAGO BERNARDES

Professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (UFLA) - MG.
www.tfbernardes.com

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ABRAHÃO GOMES DE HOLANDA

CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL

EM 30/11/2015

Porque se utiliza  atualmente atualmente grãos seco para alimentação dos bovinos ,-

principalmente em confinamentos .Isto não dificulta a digestibilidade do amido?

O ponto de ensilagem é o ponto de pamonha como antigamente?

Vale apenas deixar os  grãos de molho para facilitar a digestão do amido? No nordeste

brasileiro se faz muito isto com torta de algodão principalmente para gado de leite.
NATALINO CUISSI SOBRINHO

MATUPÁ - MATO GROSSO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 30/11/2015

Caro prof. Thiago F. Bernardes, a conservação de forragens na forma de silagem é uma prática que produtores usa muito para regular o fornecimento de volumosos durante o ano,nas épocas mais secas com maior intensidade ou durante todo o ano adotado por muitos produtores ,mas com as pesquisas novidades ou novos procedimentos são adotados para que a conservação seja melhorada,ai eu gostaria que comentasse a respeito do teor de umidade,pois ocorre uma grande variação na umidade da massa a ser ensilada(28 a 38 %) com o grão no ponto farináceo(maior acumulo de amido),pois ensilo o meu milho com produção de grãos estimado de 4500 a 7200 kg/ha com produção de MS total de 12 a 16 T/ha,mas não estamos satisfeitos pois estamos ensilando muito material pobre e pensamos em levantar a plataforma de corte a  30 cm abaixo da espiga,assim sendo que energia podemos alcançar com produção média de 6 T de grãos/ha.
ABRAHÃO GOMES DE HOLANDA

CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL

EM 02/11/2015

Caro Prof,Bernardes ,esse teor de 32 % de matéria seca  corresponde ao milho ponto de pamonha que se falava antigamente? que a EMATER recomendava?Eu percebia que quando  ensilava percebia  muitos grãos  inteiro e com relação a planta não tinha essas

informações tão necessárias antigamente nem se falava nesses detalhes sobre  o amido.

Aqui em Campo Grande está muito em uso a utilização de milho em grão ,seco ,distribuído

no cocho principalmente em confinamento.Tenho combatido esta prática veementemente.

Baseado em experimento do C N P G L

aconselha molhar o fubá de milho de véspera ,pois verificaram que grande parte desse material passava para as fezes. Imagine o grão inteiro seco.?

Qual a variedade de Milho devo plantar para ensilagem? Parabéns pelotrabalho  e muito Grato
GUSTAVO HENRIQUE PEREIRA VILELA

ILICÍNEA - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 02/11/2015

Concordo plenamente e parabenizo o comentário do companheiro Walter, hoje mts procuram trabalhar com a famosa "receita de bolo" de baixo do braço. Seria simples se conseguíssemos fazer td como manda o protocolo, colher com 35 de MS e quebrar os grãos. Mas existe um abismo entre a teoria e a prática, principalmente no campo brasileiro. O Sr. Walter faz o q deve ser feito, adapta o trabalho de forma racional, o q é o trabalho de um bom consultor. Hj temos um gd número de novos profissionais q não se saem bem no campo pelo fato de q as universidades trabalham na sua maioria apenas com o protocolo pronto, e produzir leite é mt mais q isso. produzir leite é saber usar os recursos disponíveis no momento, produzir leite não é uma ciência exata, na matemática 35% de MS é ótimo, mas produzir leite é depender do clima, de disponibilidade de mão de obra, de capital financeiro p investir em recursos. Creio q o bom consultor hj no Brasil é aquele q consegue montar uma "equação" q leve em conta tds esses fatores e ainda consiga ajustar a resposta dentro de uma boa margem de erro. Trabalhar com números é simples, trabalhar no campo é complexo e exige grandes manobras... Àquele q se prender a "números" estará invariavelmente fadado a grande pergunta do produtor: Fiz td como vc me pediu, pq meus animais não estão produzindo como vc m disse q produziriam? ....
THIAGO BERNARDES

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 29/10/2015

Caro Walter,



Eu compreendo algumas vantagens que a colhedora autopropelida tem sobre aquelas tracionada por trator, mas é possível promover a quebra de 90-95% dos grãos utilizando colhedora de linha. Você terá que regula-la para menores tamanhos de partícula e  trabalhar de forma mais lenta, colhendo a lavoura com 32% de MS. Para atender os requerimentos de fibra efetiva uma alternativa é inserir ingredientes que possam promover mais mastigação devido ao menor tamanho de partícula da silagem.

Porém, colher o milho com 28% de MS não é a melhor saída. Embora os grãos sejam mais rompidos, as plantas acumularam pouco amido. Estudos mostram que com 28% de MS a planta possui cerca 65 a 70% (18-20%) de amido quando comparado a plantas com 32% (25-30). A participação de grãos (amido) na massa diminui muito. Somado a este fator nutricional, silagens com 28% de MS apresentam fermentação de pior qualidade, o que pode causar rejeição pelos animais.

A pergunta que permanece é: Grão jovem mais quebrado e com menos amido ou grão maduro menos quebrado e com mais amido? Essa é uma equação que precisamos resolve-la. Enquanto não há a solução, eu penso que valores intermediários de MS (32%) é a saída mais viável.



Att,



Thiago Bernardes  
WALTER JARK FLHO

SANTO ANTÔNIO DA PLATINA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 29/10/2015

Thiago ! Aqui no Norte Pioneiro do Pr. somos muito influenciados pela tecnologia utilizada em Castro maior produtor de leite do Brasil. Uma das características daquela região é a produção em grande escala (em termos de Brasil) tendo inclusive uma fundação denominada ABC que faz pesquisa para as cooperativas da região. Como são grandes produtores as máquinas utilizadas para colher a silagem de milho são as automotrizes com 8 ou mais linhas com grande capacidade de corte bem como "quebra" daquele grão eventualmente mais duro. Como consequencia , as recomendações de corte do milho é quando ele estiver com 30 a 35% de M.S. Tenho observado que esta recomendação não é adequada para o pequeno produtor que utiliza ensiladeiras de 1 linha acoplada ao trator. Estas máquinas ,mesmo novas com as facas bem afiadas, não consegue quebrar todos os grãos. Como consequência muito milho passa pelo trato digestivo e é visivel nas fezes dos animais. Por isso pessoalmente , acho que um teor de 28% de M.S do milho é mais adequado .Nada adianta um excelente resultado no laboratório quando , na prática uma boa porção do milho não é aproveitado pelos animais.Como sugestão seria interessante uma pesquisa a respeito .

Walter
DOUGLASY CASTRO RATHKE

CONSTANTINA - RIO GRANDE DO SUL - MÉDICO VETERINÁRIO

EM 29/10/2015

Alecsandro



Para contribuir com a discussão.

Aqui em minha região um dos híbridos que se destacou com quase todas estas características relacionadas  no artigo do Thiago foi um híbrido da Agroceres 8025 sendo que a unica avaliação que realizamos para decidir qual a hora da colheita foi o teor de matéria seca alcançar 30% a planta é de muita sanidade . Porem não sei dizer se na sua região iria tão bem. Silagem Excelente   
THIAGO BERNARDES

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 29/10/2015

Caro Alecsandro,

O híbrido destinado à ensilagem, de preferência, deve obedecer a maioria dos seguintes critérios: 1) ser produtivo; 2) apresentar colmos finos (alta relação entre fibra de folha e fibra de colmo); 3) apresentar boa qualidade na porção vegetativa; 4) apresentar lenta velocidade de maturação dos grãos (aumentar a janela de corte e exigir menos da colhedora no rompimento dos grãos); 5) ser tolerante a maioria das pragas e doenças; 6) possuir grãos macios.

Eu entendo que é impossível encontrar todas estas características em um só material. Portanto, o produtor deve buscar aquele que atende a maioria deste critérios e que seja adaptado as condições climáticas e de solo da região.



Att,



Thiago Bernardes

ALECSANDRO MARCELO GOMES DE SOUZA

SÃO LUÍS DE MONTES BELOS - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 29/10/2015

Bom dia.

Prezado Thiago, dentre os híbridos, comercialmente no Brasil,  quais seriam os mais adequados para silagem ?



Excelente artigo.

Bem didático.



Obrigado



Alecsandro Souza
THIAGO BERNARDES

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 28/10/2015

Caro João,



Concordo que o número de híbridos com grão duro seja muito maior quando comparado aos de endosperma macio. Contudo, devemos pensar que esta é somente uma característica frente a outras que também são de extrema importância sobre o valor nutritivo da silagem de milho (por exemplo: composição da porção vegetativa).

Muitos produtores e técnicos entendem que o endosperma isoladamente define valor nutricional. Eles devem visualizar que a associação dos componentes das plantas e suas características definem padrão de qualidade em silagem de milho.

Nós precisamos mostrar para as empresas produtoras de semente que se elas disponibilizarem híbridos adequados à produção animal os mesmos serão adquiridos.



Att,



Thiago Bernardes
JOÃO LEONARDO PIRES CARVALHO FARIA

MONTES CLAROS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 28/10/2015

Falando-se em Brasil, nunca teremos milho com endosperma de qualidade.....
ANGELO PORCARO DE SALES

EM 28/10/2015

Muito bom o artigo

LUIZ CARLOS FERNANDES

CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL - PRESTADOR DE SERVIÇO

EM 28/10/2015

Fazer alimentos com Qualidade requerem cuidados. Desde a escolha e preparação da Área até a escolha do híbrido.
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