Forragem suplementar: Faça a escolha correta para o seu rebanho
A escolha mais adequada pela fonte de forragem suplementar na bovinocultura não é um processo simples e requer análise criteriosa das condições de produção e necessidades específicas para sua utilização. Nesse contexto, alguns aspectos devem ser observados, os quais serão discutidos neste artigo. Por Thiago Bernardes e Rafael Amaral
No Brasil, ainda que se respeitando as especificidades de cada região, os alimentos conservados constituem a maior parte da fonte de forragem suplementar. A ensilagem é o processo de conservação de forragem mais comumente utilizado, principalmente em propriedades produtoras de leite. Entre várias alternativas possíveis, o milho tem sido a cultura predominante para produção de silagem. Entretanto, a silagem de milho apresenta elevado custo de produção, somente sendo justificada quando produzida de forma tecnificada para resultar em forragem de alta qualidade.
Contudo, a escolha mais adequada pela fonte de forragem suplementar não é um processo simples e requer análise criteriosa das condições de produção e necessidades específicas para sua utilização. Nesse contexto, alguns aspectos devem ser observados, quais sejam:
- Adaptação às condições de clima e solo de determinada região
As culturas do sorgo e do milheto são boas alternativas para confecção de silagem em regiões com índices de pluviosidade baixos. No Nordeste do País, por exemplo, mesmo com situação adversa (falta e má distribuição das chuvas) a cultura do milho ainda é a principal opção para ensilagem. Tal fato é principalmente devido aos aspectos culturais (tradição familiar em produzir o milho para grãos), juntamente com a carência de extensão rural. Em Pernambuco, a Empresa de Pesquisa Agropecuária (IPA) tem desenvolvido variedades de sorgo mais adaptadas às condições do semi-árido e mesmo assim, a silagem de milho prevalece entre os produtores. Dessa forma, a escolha inadequada da forrageira para a ensilagem, tem proporcionado resultados negativos, como: perda da cultura, baixa produção de MS/ha e péssima qualidade do material ensilado.
- Produção de forragem por hectare (t MS/ha)
A cultura do sorgo, também se destaca pela produção de MS/ha (13-15 t), sendo uma particularidade, a utilização da sua rebrota. Em condições adequadas de clima e fertilidade do solo a rebrota pode alcançar cerca de 40% da produção do primeiro corte, ampliando o potencial de utilização da cultura.
A cana de açúcar apresenta um dos maiores potenciais de produção de MS/ha (cerca de 50 t). Além de ser sua colheita ideal na época seca de ano, a cana de açúcar possui cultivo fácil e de tradição no País.
- Potencial de produção animal (nível de exigências nutricionais)
É sabido que as plantas forrageiras de clima tropical não suprem totalmente as demandas de energia e proteína de bovinos, principalmente aqueles de alto desempenho. Contudo, no tocante às silagens, reconhecidamente, a de milho possui maior valor alimentício e por isso mesmo, é mais indicada para alimentação de animais com elevado nível de exigências. Seguindo o mesmo raciocínio, tem-se que a silagem de sorgo é a que mais se aproxima do valor nutritivo da silagem de milho (cerca de 90%). Por essa razão, a silagem de sorgo tem sido indicada para animais de produção de leite e carne. A cana de açúcar foi muito recomendada para animais com produção mais discreta, contudo isto vem sendo modificado.
Consideram-se animais de baixo potencial de produção de leite àqueles com produção por lactação (305 dias) menor que 5.000 kg. Animais com produção entre 5.000 e 9.000 kg seriam de médio potencial. Finalmente, para produções acima de 9.000 kg por lactação, teríamos animais de alto potencial e, por conseguinte, alta demanda nutricional. Essa classificação não é um padrão fixo de identificação do potencial de produção, mas nos permite relacionar melhor o nível de exigências nutricionais com a forragem a ser utilizada. Seguindo tal definição, teríamos animais de baixo, médio e alto potencial, aqueles que apresentassem produção diária menor que 16,0 kg; até 30,0 kg e acima de 30 kg, respectivamente.
Normalmente as recomendações técnicas para uso da cana de açúcar têm sido feitas para a alimentação de animais de baixa produção de leite, normalmente até 10,0 kg/dia. Alguns experimentos utilizando animais de médio potencial, embora tenham apresentado resultados satisfatórios, têm recomendado a cana de açúcar para vacas com produção inferior a 20 kg/dia. Um exemplo disso é encontrado no trabalho de Mendonça et al. (2004), que alimentaram vacas em lactação com dietas de relação forragem:concentrado de 60:40, sendo a silagem de milho ou a cana de açúcar como forragem exclusiva. A produção de leite foi de 22,0 e 19,2 kg para as vacas alimentadas com silagem de milho e com cana de açúcar, respectivamente. Entretanto, em um dos tratamentos cuja relação forragem:concentrado foi de 50:50, as vacas produziram 20,1 kg/dia com a cana de açúcar.
E o que dizer de vacas Holandesas de alta produção de leite, recebendo cana de açúcar como volumoso exclusivo? Essa resposta foi encontrada no trabalho de Corrêa et al. (2003) que avaliaram o desempenho de vacas Holandesas alimentadas com silagem de milho ou com cana de açúcar, utilizando dietas com relação forragem:concentrado de 45:55. A cana de açúcar deprimiu o consumo (23,1 versus 21,5 kg/dia) e a produção de leite (34,4 versus 31,9 kg/dia). Os autores concluíram que a cana parece ser uma alternativa para alimentar grupos de vacas Holandesas durante fases da lactação nas quais a demanda nutricional não seja a máxima. Resultado como esse, onde vacas alimentadas com cana de açúcar suportaram produção de leite de até 32 kg/dia, nos condiciona a repensar os conceitos mais tradicionalistas com relação à utilização dessa forragem.
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Material escrito por:
Thiago Bernardes
Professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (UFLA) - MG. www.tfbernardes.com
Acessar todos os materiaisRafael Camargo do Amaral
Zootecnista pela Unesp/Jaboticabal. Mestre e Doutor em Ciência Animal e Pastagens pela ESALQ/USP. Gerente de Nutrição na DeLaval. www.facebook.com.br/doctorsilage
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REGENTE FEIJÓ - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 12/02/2014

LONDRINA - PARANÁ - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO
EM 04/11/2013
Parabens pelo artigo, como sempre assuntos aplicaveis a campo...
Porém, quando vi o titulo do artigo, achei que abordariam algo sobre a suplementação volumosa para animais em pastagens de alto desempenho e a dificuldade em executar essa suplementação. Já tive essa situação , tanto no corte quanto leite, ao tentar fazer esse manejo e os animais não aceitarem mais o pasto, ficando ao redor dos cochos durante todo o dia...a idéia era aliviar a pressão de pastejo e aumentar a capacidade de suporte, porém na pratica não foi tão facil. Algum comentário a respeito? Forte abraço.

SÃO JOSÉ DO RIO PRETO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 03/11/2013
Me ajude com esses numeros por favor.
Baseado no artigo do "poltalklff", a Cana de acucar custando R$139,00 e o milho R$150,00 a tonelada ensilada, e baseando um consumo diario de 30kgr cada, a cana custaria R$4.17 e o milho R$4.50, dando uma diferenca de R$0.33 de custo o que nao justificaria perder sequer 1 litro de leite. Portanto optar pela silagem que aumenta producao seria mais barato.
Claro que esse eh um calculo a grosso modo e deve ser melhor formulado.
O que reinforca seu artigo no ponto que cada caso/regiao/clima/fertilidade, etc influi no resultado final da viabilidade de cada alimento/investimento.
Grato

BOM DESPACHO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 31/10/2013
Se tem água para irrigação é lógico que é melhor irrigar o pasto que usar silagem de milho.

ARACAJU - SERGIPE
EM 30/10/2013
CARMO DO PARANAÍBA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 30/10/2013
VARGINHA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 30/10/2013
ela comer esses 33-35 kg de cana(in natura) em quantas vezes ao dia ?
quanto mais dividir o trato é melhor?
LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO
EM 30/10/2013
Att,
Thiago Bernardes
http://www.milkpoint.com.br/radar-tecnico/conservacao-de-forragens/canadeacucar-saiba-como-reduzir-a-frequencia-de-cortes-na-capineira-sem-utilizar-cal-micropulverizada-78873n.aspx
LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO
EM 30/10/2013
Contudo, ressalto que isso não é receita de bolo. Cada produtor deve procurar o seu nutricionista para tal cálculo. Nutrição de bovinos, especialmente os leiteiros, não é realizada na base da tentativa e erro. É necessário que a pessoa tenha um diploma para tal tarefa.
Att,
Thiago Bernardes

SANTA MARIA - RIO GRANDE DO SUL - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO
EM 30/10/2013

IBIÁ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 30/10/2013
No aguardo do retorno, agradeço pela oportunidade.
Att.
André Nogueira

ITAPIRA - SÃO PAULO
EM 30/10/2013

GOIÂNIA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 30/10/2013
Gostaria de sabe ser cana de açúcar e melhor que capim tifton 85, capim feno, pois estou liberando na minha fazenda 800 hectares para esse plantio desses dois capins ser e melhor e planta a cana no lugar do capim vou planta tudo de cana, pois os 800. Hectares têm três pivôs centrais nesses 800 He obrigados pela atenção de vocês muito obrigado esperou a resposta de vocês mais breve.
Diretor geral
Jeveranio furtado

ARACAJU - SERGIPE
EM 30/10/2013

PARANAÍBA - MATO GROSSO DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 29/10/2013

MUTUM - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 29/10/2013
OURO FINO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 29/10/2013
Parabéns pelo artigo.
Na oferta de cana-de-açucar de açucar ainda encontramos uma dificuldade, que a forma de ofertá-la. Picar a cana todos os dias demanda muita mão-de-obra. Fazer silagem de cana, não tive sucesso. Perdemos muito, provavelmente por não saber fazê-la corretamente. Gostaria, se possível, de instruções de como fazer essa silagem ou uma sugestão da melhor maneira de ofertar esse volumoso.
Desde já agradeço.
VARGINHA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 29/10/2013
simplificando ela comeria 33-35kg de cana e 10kg de raçao comercial(22%p) ?
LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO
EM 29/10/2013
VARGINHA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 29/10/2013