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2017 será tão instável para o setor lácteo quanto foi 2016? Confira relatos de especialistas

RAQUEL MARIA CURY RODRIGUES

EM 12/01/2017

8 MIN DE LEITURA

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Entre altos e baixos, 2016 foi um ano desafiador para o mercado lácteo. Para conhecer quais são as expectativas para este ano, o MilkPoint convidou algumas lideranças e empresários para traçar um panorama sobre o que se espera para 2017.

valter brandalise Na visão de Valter Antônio Brandalise, presidente do Sindileite-SC e diretor da Política Leiteira da Tirol, o grande e maior problema que a cadeia leiteira vai enfrentar nos próximos meses é a instabilidade política. Segundo ele, a perda de confiança na classe política compromete quaisquer projeções futuras e inclusive, influencia no consumo dos lácteos.

“Em 2017 acredito que tenhamos um pequeno crescimento do PIB, na casa de 1%, o que pode contribuir para o consumo crescer um pouco. Com a valorização do leite no mercado internacional as importações devem reduzir e, com a queda nos preços do milho e consequente diminuição dos custos, podem melhorar as perspectivas do produtor”.

Explanando esse cenário, Brandalise espera que os preços do leite ao produtor em 2017, na média, sejam mais altos que 2016. “Por outro lado, os preços dos produtos no mercado podem não acompanhar esta tendência pelo cenário de consumo em baixa e desemprego em alta, fazendo com que as margens em 2017 para a indústria sofram um achatamento ainda maior. Façam suas apostas, se é que isso é possível em um mercado volátil por natureza e com tantos fatores internos e externos”.

Na mesma linha, para Cesar Helou, Diretor de Relações Institucionais docesar helou Laticínios Bela Vista (detentor da marca Piracanjuba) e presidente da Associação Brasileira da Indústria de Leite Longa Vida (ABLV), o ano de 2017 já começou com muita especulação. “A alta que observamos nos últimos leilões GDT [e com permanência de tendências altistas] ao meu ver não terá sustentação visto que a China não está comprando muito, há bastante leite sendo produzido no mundo ainda e os estoques europeus ainda são grandes. Já me referindo ao mercado interno, começo o ano preocupado, pois o preço da matéria-prima está subindo e o consumidor terá uma menor renda comparada a 2016 – visto que a expectativa é que o desemprego não diminua. A alta no mercado spot também é prova de uma especulação nesse mercado”.

Helou pontuou que já estamos começando o ano com um preço muito alto em relação há um ano. “Em 2016, o leite custou para a indústria algo em torno de 20% a mais do que 2015. Esse ano, começamos já com um preço alto – o que é preocupante. Na minha opinião, o produtor vai ganhar mais dinheiro em um curto período de tempo devido a ração mais barata, chuvas regulares, entre outros fatores, provocando uma maior produção do que a capacidade de consumo. As empresas que estão capitalizadas estão animadas, mas as que não estão diminuirão o seu processamento – a consolidação no Brasil vai continuar”. Para ele, muitos viveram um ‘conto de fadas’ durante um período em 2016. “Houve uma especulação muito grande e foi dado um sinal para o produtor de leite que ele poderia vender o produto pelo dobro do preço do produtor europeu. Com isso, houve um desgaste muito grande, pois, o produtor acreditou nisso, estava errado e depois o mercado despencou e o consumidor parou de comprar”.

Ele fez um alerta para que os produtores não esperem que o ano de 2017 renda preços mais altos ao longo de todo o ano. “A indústria descapitalizada e que precisar de banco, está fora do jogo, pois está numa situação menos confortável. O consumidor não está comprando produtos lácteos básicos, imagine os de valor agregado. Eles reduziram muito as compras”.

sávio santiago - verde campo Sávio Santiago, Gerente de Captação da Verde Campo, corrobora com as afirmações anteriores e crê que 2017 seguirá sendo um ano difícil de ponto de vista do consumo. “As medidas econômicas adotadas ainda não se refletiram em resultados práticos e o ambiente político muito conturbado segue travando a melhoria dos índices de emprego - mantendo a renda do brasileiro em queda. Quanto a produção, acredito que deve diminuir a partir do mês de janeiro, proporcionando reação no leite UHT a partir do fim de janeiro, início de fevereiro e dos queijos e subprodutos um pouco mais adiante - a partir de março. Tudo dependerá do movimento de redução de estoques formados no fim do ano”.

Na visão da Verde Campo, os agentes de mercado tendem a ser um pouco mais conservadores na administração das tabelas de preços no âmbito do atacado em relação ao ano passado. Sávio também supõe que a balança comercial deve ter um movimento menos deficitário em 2017 em função do comportamento do dólar e do aumento de preços dos lácteos no mercado internacional. “Acredito que a nível de campo, o leite deve ter um comportamento de valorização menos agressivo e também deve ser mais conservador no momento da queda, uma vez que não teremos grande oferta do mercado externo e também menos intensidade no estímulo de produção”.

marcelo martins - viva lácteos Sobre os custos de produção, Marcelo Costa Martins, presidente da Viva Lácteos comentou que em virtude da redução dos preços dos ingredientes usados na ração (principalmente milho e farelo de soja) junto com uma melhoria das condições climáticas e sem o efeito do El Niño, em 2017 provavelmente não veremos uma queda significativa na produção de leite como observamos em 2016.

“O ano passado foi instável – com alguns meses muito bons tanto para a indústria como para o produtor. A queda na oferta de leite em 2016 foi um fator importante que estimulou as importações. Para 2017 acreditamos que não teremos uma diferença significativa entre mercado interno e mercado internacional. Em abril de 2016, por exemplo, tivemos uma diferença de aproximadamente 87% entre o preço praticado no mercado interno e o preço praticado no mercado internacional. A medida que nós temos um aumento da oferta de leite no mercado interno, uma reação dos preços do mercado internacional e uma menor variação entre os mercados, nós passamos a ter uma condição mais favorável às exportações ou, uma redução no déficit da balança comercial que tivemos esse ano”.

Ele acrescentou que algumas empresas associadas à Viva Lácteos – que trabalham com o mercado internacional – estão se posicionando para as exportações de lácteos e que por meio do preço praticado, começam a vislumbrar uma maior competitividade no mercado internacional do leite em pó, principalmente devido à abertura do mercado da Rússia para as empresas brasileiras de lácteos.

“Com relação ao consumo interno, as melhorias são dependentes da estabilidade econômica do país – o que também é preponderante para a manutenção e abertura de novos investimentos, gerando empregos e melhorando a renda, o que está intimamente relacionado com o consumo de lácteos. Pressuponho que este ano veremos uma menor volatilidade dos preços, maior oferta de produção e redução das importações”.

fábio scarcelli - abiq De acordo com Fábio Scarcelli, presidente da ABIQ (Associação Brasileira das Indústrias de Queijos), o ano de 2017 será muito parecido com 2016 – com dificuldade na aquisição de matéria-prima (influenciada pela dificuldade de importar produtos para suprir a nossa necessidade, devido ao mercado internacional ter subido). “O cenário que se apresenta para mim é bastante difícil de articular e de superar. Eu não tenho dúvidas. Pode haver um descompasso grande tanto nos preços das matérias-primas como dos derivados”. Fábio enfatiza que na Nova Zelândia o preço do leite está subindo ao produtor porque a produção caiu e que os Estados Unidos têm estoques, mas que em breve acabará. “Acho que o produtor, por outro lado, talvez receberá um preço melhor”.

Craig Bell, Diretor da Leitíssimo (Fazenda Leite Verde localizada no Estado dacraig bell - leitíssimo - delicari Bahia) e da Delicari, presume que este ano será marcado pela recuperação dos preços do leite cru e dos produtos lácteos após dois anos de um fraco mercado.

“Há um ano, o preço do leite em pó integral no leilão GDT foi de USD2.300/tonelada e hoje temos um preço próximo de USD3.500/tonelada. O Brasil também passou a importar mais comparado ao ano passado. Entrando em 2017 temos uma situação de grande déficit de produção local e ao mesmo tempo, preços internacionais aumentando rapidamente.

Com o leite em pó integral ao preço citado, o preço do leite cru equivalente para um importador seria R$ 1,80-1,90/litro. Assim, creio que os preços locais vão aumentar nesse nível durante o primeiro trimestre do ano e possivelmente serão maiores no segundo trimestre – também impulsionados pelo GDT”.

eduardo weisberg - abis Eduardo Weisberg, presidente da Associação Brasileira das Indústrias e do Setor de Sorvetes (ABIS), comentou que o sorvete tem um potencial enorme de expansão no país em 2017. Ele destacou que a indústria deve aproveitar a biodiversidade brasileira e investir em ações educativas sobre as propriedades nutritivas do produto – já que -, é um dos itens preferidos dos brasileiros.

“Diretamente ligado à indústria láctea, o setor investe constantemente em ações para o aperfeiçoamento contínuo em termos de qualidade, variedade e inovação, visando se manter ainda mais ativo e atrativo no mercado. A ABIS está concluindo o levantamento sobre os dados referentes a 2016, um período em que o setor buscou equilibrar os efeitos da crise econômica brasileira e foi marcado por grande aprendizado e estruturação para que possamos começar bem o ano. Em 2017, estou certo de que estaremos muito mais preparados para logo avançar rumo à retomada do crescimento que já conhecemos”.

Acari Menestrina, da Gran Mestri, aposta em um crescimento de 40% na empresaacari menestrina - gran mestri este ano. “Focaremos nos diferenciais e na alta qualidade dos nossos produtos, segurança alimentar e alimentos saudáveis. Vamos trabalhar fortemente com processos padronizados e uma gestão forte de custos baixos, pois despesas e unhas temos que deixar sempre bem curtas, aparadas e em carne viva, além de ter uma excelente prestação de serviços”.

Acari comentou que deve priorizar pelas pessoas certas no lugar certo, produzir produtos diferenciados com valor agregado e gerar experimentação - pois o paladar é irreversível. “No mercado de queijos temos muito ainda para fazer. Comparado com Itália e França, onde o consumo é de 25 kg per capita, o nosso é de 5 kg. Sem dúvida do limão temos que fazer a limonada”.

RAQUEL MARIA CURY RODRIGUES

Zootecnista pela FMVZ/UNESP de Botucatu e Coordenadora de Conteúdo do MilkPoint.

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JOSÉ XAVIER SOARES

GUARANI - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 17/01/2017

Pelo visto , com apalavra dos entendidos e especialistas passando da hora do produtor de leite sair da atividade ; se a indústria , que apesar dos preços pagos ao produtor terem sofrido baixas vergonhosas , não baixou um centavo nas mercadorias expostas nas gandulas  dos supermercados e afins , está a chiar imaginem a situação catastrófica do produtor de leite que é quem sempre paga a conta em qualquer situação . hora de  sair do negócio leite , pessoal , que cada laticínio crie suas vacas .Vamos quebrar a cada dia mais pensando e acreditando para sustentar esta máquina falida . Chega .<br />
ROBERTO JANK JR.

DESCALVADO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 13/01/2017

Na verdade não ha coerência entre todos os entrevistados. O Craig diverge frontalmente do Cesar Helou. Bola de cristal é sempre ingrata; de minha parte fico mais com o posicionamento do Craig, ainda que as considerações do Cesar sejam absolutamente coerentes.
NEI ANTONIO KUKLA

UNIÃO DA VITÓRIA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 13/01/2017

Muito boa as ponderações das lideranças.

Infelizmente, vemos no campo que os produtores que ingressam na atividade quando esta encontra-se em um momento bom, muitas vezes não tem estrutura para aguentar a época das "vacas magras".

Isso vem ocorrendo e quando há queda de preços, sair no campo você se depara com produtores abandonando a atividade, o que é pior, pois param todos os investimentos que fizeram por conta da situação.

Desta forma, entendo que permanecerão mesmo só aqueles produtores que se profissionalizarem, baixarem custos, apresentarem suporte de caixa para aguentar crises, investirem em qualidade, serem criativos. Enfim, resumo as palavras do Menestrina.

O mercado é assim, em todas cadeias.

Precisamos entender ele e se preparar para suas flutuações.
ALTEMIR TALIAN

GETÚLIO VARGAS - RIO GRANDE DO SUL - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 12/01/2017

Boas análises, coerência entre os entrevistados...
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