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O empurrão tecnológico da pandemia: como as empresas vêm trabalhando para alavancar as vendas?

RAQUEL MARIA CURY RODRIGUES

EM 02/07/2020

6 MIN DE LEITURA

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A pandemia provocada pela covid-19 influenciou a mudança na maneira como as empresas passaram a se comunicar com os seus consumidores e - com os laticínios -, não seria diferente. É época de se reinventar e o pensar fora da caixa nunca fez tanto sentido.

A Piracanjuba recentemente divulgou que o seu e-commerce registrou crescimento de 200% nos últimos meses. A marca expos que apostou na capilaridade dos canais de vendas, ofertando mais de 60 opções de produtos para compras pela internet. A empresa fechou convênio com grandes plataformas de e-commerce, como Amazon, Americanas, Magalu, Mercado Livre, Shopper e outras.

Nas plataformas parceiras da Piracanjuba, mais de 60 opções de produtos, como leite, creme de leite, leite condensado e bebida láctea, estão disponíveis para serem entregues na casa do comprador, seja em unidades ou caixas fechadas.

De acordo com um levantamento feito pela Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (Abcomm), entre 23 de março e 31 de maio, o Brasil abriu mais de uma loja virtual por minuto desde o início do isolamento social, em março. Em pouco mais de dois meses, foram 107 mil novos estabelecimentos criados na internet para a venda dos mais diferentes produtos, como alimentos, bebidas, roupas, calçados e produtos de limpeza. Essa foi umas das possíveis estratégias das companhias para compensar a queda de faturamento causada pela pandemia.

“Ao escolher o formato de vendas on-line, nos preocupamos com duas questões: primeiro, em oferecer a variedade do nosso portfólio, para que o consumidor tenha acesso a muitas opções e, depois, em estarmos em um canal que dê segurança no ato da compra e nas entregas”, comentou o Gerente Comercial da Piracanjuba, Wesley Pádua em um comunicado divulgado pela empresa. Segundo ele, a medida fez com que conseguissem acompanhar a satisfação dos consumidores, fato que impulsionou eles a melhorarem cada vez mais. “As plataformas de compras permitem que o consumidor avalie o produto, a experiência de compra e a entrega. Além disso, também temos um Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) que monitora e atende as demandas, assegurando nossa responsabilidade em qualquer modelo de venda”, destacou.

Segundo Alexandre Guerra, Diretor da Cooperativa Santa Clara, a empresa tem postado vídeos de receitas em suas redes sociais, apresentando preparos práticos e bastante pertinentes para o dia a dia. “É um meio que temos de incentivar as pessoas a aprenderem mais detalhes sobre a gastronomia, provarem e conhecerem nossos produtos em tempos de pandemia”, disse ele, que acrescentou que há uma campanha na televisão e no rádio, no sentido de mostrar o momento que estamos vivendo e a preocupação da organização com as pessoas, para que se possa valorizar o que se produz também de forma local e regional.

“Aliás, nesta linha, a campanha realizada pela Assembleia Legislativa do RS, ‘Escolha de Valor’, traz bem esta proposta em que engaja os consumidores para que valorizem o que é produzido em sua região e país. E até porque - para termos as condições estruturais e voltarmos com os empregos - precisamos fazer a nossa economia girar para gerar mais renda e, assim, proporcionar a ampliação de faturamento para ser revertido em saúde, segurança, infraestrutura e educação a toda população”.

Leandro Sampaio, Gerente de Suprimento de Leite da CCPR, frisou que a Itambé fez vários vídeos inclusive na TV aberta com o intuito de valorizar o time de funcionários das fábricas e o produtor de leite e, para levar informação ao campo, a empresa vem trabalhado com vídeos e webinares para que os produtores se sintam acolhidos e amparados.

Já a Betânia Lácteos comemorou a festa de São João com patrocínio na live do cantor Xand Avião e ação nas redes sociais, onde a empresa convidou os internautas para interagirem por meio da hashtag #SãoJoãoComAFamíliaBetânia, instigando o paladar dos seguidores com dicas de receitas típicas criadas por uma chef de cozinha. Além de ter preparado e ensinado quitutes referentes à época do ano, a embaixadora da empresa lançou desafios, e um deles inclusive, era relacionado à preparação do 'melhor bolo de milho'. Ainda pensando na interação com os consumidores, as famílias tiveram acesso a uma seção especial de ‘faça você mesmo’, na qual pais e filhos foram convidados para criarem juntos uma decoração personalizada de festa junina.

Sávio Santiago, da Verde Campo, destacou que a comunicação da empresa focou por um bom período nas mensagens menos comerciais e mais educativas, focadas no cuidado e prevenção do contágio do vírus. “Atualmente seguimos nessa linha e voltamos gradativamente ao nosso hábito de compartilhar informações dos benefícios de consumo e formulações de receitas em casa, utilizando os produtos que temos disponíveis aos consumidores”, completou. A Verde Campo é uma das marcas do Sistema Coca-Cola com mais negócios em canais de e-commerce de parceiros pós pandemia.

Além das indústrias lácteas, várias empresas de food service lançaram combos e promoções promovendo a hashtag #FiqueEmCasa a fim de incentivar esse momento tão único que estamos passando e contribuir para situações diferenciadas em família. Como exemplo, podemos citar a Pizza Hut, que anunciou recentemente um combo família com o objetivo de oferecer para as famílias uma boa relação qualidade-preço, com uma opção completa de refeição, disponível todos os dias da semana. Já a Dominos´s incentivou o isolamento social fazendo alguns sorteios de pizzas grátis pedindo em troca apenas algumas informações dos usuários em questão. É a pandemia dando um empurrão na transformação digital, um caminho que não tem volta em todos os setores, inclusive, no de alimentos.

Outro exemplo que podemos citar é a Vem de Bolo, primeira startup gerada dentro da Nestlé e o primeiro marketplace de bolos do Brasil. Na plataforma, o cliente encontra mais de 400 itens, entre bolos simples ou recheados, tortas e doces veganos, e guloseimas como cookies e pão de mel. Em um ano e meio de operação, a Vem de Bolo registra aproximadamente 6.200 clientes atendidos na capital paulista — e segundo eles, a demanda vem decolando durante a pandemia da covid-19.

Recentemente Mariano Gomide, co-CEO da Vtex, empresa brasileira de comércio eletrônico, disse em uma entrevista para o portal Exame que em épocas de covid, as empresas tiveram de se digitalizar em tempo recorde para continuar a vender seus produtos. Para Gomide, elas tiveram de se adequar em alguns dias a um processo de digitalização que poderia levar cinco anos para acontecer. Lojas que antes vendiam majoritariamente pela presença física, precisaram alterar seus planos – literalmente – do dia para noite. Isso mostra a resiliência do nosso povo brasileiro, a reinvenção dos negócios e a necessidade de uma releitura dos empreendimentos.

"As empresas precisaram se adequar em alguns dias a um processo de digitalização que poderia levar cinco anos para acontecer"

O Rabobank também publicou no último mês de junho no seu relatório Dairy Quarterly Q2 2020 que a mudança dos padrões de consumo é um dos principais fatores de observação do setor no segundo semestre deste ano. Para o banco, embora se espere que as recessões econômicas em todo o mundo tenham um impacto geral negativo na demanda por laticínios, a categoria também está observando alguns padrões positivos de consumo em meio à crise, com muitos consumidores optando por retornar a consumir produtos nutritivos e confiáveis como os laticínios. 

“A indústria deve dobrar a comunicação da densidade de nutrientes dos produtos lácteos e, em algumas regiões, essa mensagem está recebendo apoio do governo. Na China, por exemplo, o governo está enfatizando novamente sua recomendação de consumir 300 gramas de laticínios por dia - mais do que o triplo da média atual, com o apoio de médicos que falam publicamente em canais semelhantes ao YouTube. Em todo o mundo, também vemos consumidores adotando uma abordagem ‘de volta ao básico’ em relação aos laticínios em resposta à pandemia. Muitos estão optando por lácteos simples, familiares e básicos em meio à crise e, como resultado, alguns dos produtos diferenciados e premium que ganharam força nos últimos anos podem enfrentar lutas em uma economia mais lenta", ponderou o Rabobank em um trecho da publicação.

Com certeza muitas pesquisas serão realizadas sobre os novos hábitos de consumo oriundos do isolamento social, pois com certeza é um caminho sem volta. Até a telemedicina, que antes era proibida, passou a ganhar créditos novamente. Novos tempos, nova era! Aguardemos as cenas dos próximos capítulos.

RAQUEL MARIA CURY RODRIGUES

Zootecnista pela FMVZ/UNESP de Botucatu e Coordenadora de Conteúdo do MilkPoint.

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