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Treinamento dos colaboradores sobre o uso da cultura microbiológica na fazenda

POR MARCOS VEIGA SANTOS

E GUSTAVO FREU

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 24/05/2022

2 MIN DE LEITURA

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Atualizado em 23/05/2022

No artigo anterior abordamos sobre o uso da cultura microbiológica na fazenda (CMF) como ferramenta para o uso racional de antibióticos no tratamento da mastite. Hoje vamos tentar responder a seguinte questão: qual a importância do treinamento dos colaboradores para correta interpretação dos resultados da CMF?

A CMF é a principal ferramenta para identificação de patógenos causadores de mastite na própria fazenda, cujos resultados podem ser obtidos em cerca de 24 h. O uso de CMF permite direcionar estratégias de controle da mastite baseado na identificação do patógeno além de auxiliar na redução do uso de antibióticos em fazendas sem afetar a saúde e o desempenho de vacas leiteiras.

A principal diferença entre sistemas de CMF comercialmente disponíveis está na capacidade de identificação de microrganismos.

Enquanto alguns sistemas de CMF permitem identificar apenas grupos de microrganismos (e.g., Gram-positivos e Gram-negativos), outros sistemas permitem identificar em nível de grupo/gênero e/ou até mesmo em nível de espécie. Apesar das diferenças nos detalhes de identificação, os sistemas CMF têm algo em comum: todos necessitam de interpretação correta dos resultados para permitir tomada de decisão e tratamento adequado da mastite.

Nesse sentido, a correta interpretação dos resultados da CMF passa a ser um ponto crítico a ser observado, principalmente para pessoas com pouca experiência e sem adequado treinamento quanto aos procedimentos das análises microbiológicas de amostras de leite (e.g., colaboradores de fazendas leiteiras).

Com base neste cenário, estudo desenvolvido nos EUA comparou os resultados de três sistemas de CMF interpretados por colaboradores treinados e não treinados com os resultados de um método de referência laboratorial (cultura e espectrometria de massa). Para isso, 340 amostras de leite (280 quartos mamários e 60 compostas) foram cultivadas simultaneamente usando o método de referência e três sistemas de CMF comercialmente disponíveis. Após 18 a 24 h de incubação, o crescimento microbiano das placas de CMF foi interpretado por um microbiologista treinado (> 10 anos de experiência) e por seis observadores sem treinamento.

Os observadores sem treinamento não receberam treinamento prévio sobre análise de amostras de leite e por isso, para realizar a interpretação dos resultados esses observadores foram guiados apenas pelas instruções dos fabricantes. A inclusão de observadores sem treinamento neste estudo teve por objetivo simular a interpretação dos resultados por funcionários não treinados, em condições de fazendas.

Os resultados do estudo mostraram que a experiência com análise de amostras de leite melhora a interpretação dos resultados de sistemas de CMF. Isso significa que além do manual de instruções do fabricante, treinamento operacional prévio é fundamental para a correta interpretação de resultados da CMF e para direcionar estratégias adequadas de controle e tratamento da mastite. Neste caso, quando a fazenda inicia o uso da CMF é essencial o treinamento adequada para reduzir o risco de resultados falso-negativos e falso-positivos.

Portanto, os resultados deste estudo indicam que para o uso adequado da CMF como ferramenta para o controle estratégico e tratamento seletivo da mastite, é fundamental que os colaboradores recebam treinamento prévio para realizar e interpretar os resultados de CMF de forma assertiva. Com isso é possível direcionar o tratamento dos casos de mastite e otimizar o uso de antimicrobianos em rebanhos leiteiros.
 

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Referências
SIPKA, A. et al. Journal of Dairy Science, 2021. doi.org/10.3168/jds.2020-19166.

MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

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