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Mastite causa prejuízos, mas pode ser controlada

POR MARCOS VEIGA SANTOS

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 07/07/2000

3 MIN DE LEITURA

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Marcos Veiga dos Santos

A indústria leiteira vem passando, atualmente, por grandes mudanças em seus conceitos, principalmente em relação à profissionalização do setor produtivo. As palavras de ordem de hoje são qualidade do leite, granelização do transporte, redução de custos de produção e aumento de escala. Em resposta a esta combinação de mudanças das exigências do consumidor por produtos cada vez mais baratos, seguros e de qualidade, os produtores de leite deveriam dar especial atenção àquelas áreas nas quais podem ocorrer prejuízos na fazenda, o que lhes possibilitaria maior capacidade de competitividade e sobrevivência no setor.

A mastite, definida com inflamação da glândula mamária, é reconhecida mundialmente como a doença que mais causa prejuízos à atividade leiteira, tanto ao produtor como para a indústria. No entanto, a grande maioria dos produtores ainda não sabe com precisão quais as perdas que esta doença está causando no seu rebanho, uma vez que as maiores perdas não são aquelas que o produtor consegue visualizar. É de fundamental importância conhecer quanto a mastite está tirando do lucro do produtor para que seja viável economicamente implantar um programa de controle de mastite na propriedade. Sendo assim, a primeira razão para o controle da mastite é de ordem econômica.

Mastite subclínica é a que causa maiores perdas

A mastite pode ser dividida em duas formas de apresentação da doença. A mais evidente e comumente diagnosticada é a forma clínica, na qual ocorrem alterações na aparência do leite que podem ser facilmente vistas (grumos, pus, sangue) ou mesmo alteração no quarto afetado, que pode estar inchado, endurecido ou mesmo dolorido. Outra forma de mastite que normalmente não é diagnosticada é a mastite subclínica, onde nem o leite nem os quartos apresentam alterações visíveis. Para o diagnóstico correto da forma subclínica deve-se avaliar as células somáticas presentes no leite, o que pode ser feito utilizando-se testes bastante simples como o CMT (California Mastitis Test) e WMT (Wisconsin Mastitis Test) ou mais recentemente pela contagem eletrônica de células somáticas. Além do aumento nas células somáticas, a mastite subclínica causa aumento nos teores de sódio (Na), cloro (Cl) e proteínas séricas (de origem do sangue), diminuição dos teores de caseína, lactose e gordura do leite.

Em estudos realizados no Brasil em rebanhos produtores de leite A e B, foram encontrados, em média, 40% das vacas em lactação apresentando pelo menos um quarto afetado pela mastite subclínica, o que comprova a sua grande importância frente a mastite clínica, que nos mesmo estudos teve índices de 3-4%.

Em estimativas feitas pelo Conselho Nacional de Mastite dos EUA, o custo médio da mastite nos rebanhos americanos é de cerca US$180,00 por vaca por ano. Aproximadamente dois terços do total destas perdas são devidos à mastite subclínica, ocasionadas pela diminuição da produção de leite do quarto afetado. Esta redução na produção de leite se deve principalmente aos danos físicos causados nas células secretoras na glândula mamária, o que diminui a capacidade total de produção de leite. As demais perdas são causadas pela mastite clínica, o que inclui: descarte de leite com alteração ou resíduo de antibióticos, custo de reposição de animais descartados, redução do valor comercial dos animais infectados, gastos com medicamentos, serviços veterinários e custo de mão-de-obra adicional.

Para o produtor ter uma idéia do custo que a mastite pode representar hoje no seu rebanho, basta multiplicar US$180,00 pelo número de vacas em lactação. Este custo pode ser ainda mais alto em rebanhos que apresentam índices de mastite acima da média e que nunca implementaram um programa de controle de mastite. Os custos acima ainda não levam em conta outras prejuízos associados com as perdas que a mastite causa na indústria, devido à redução do rendimento industrial de derivados e diminuição da qualidade nutricional do leite com mastite.

Figura


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fonte: MilkPoint

MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

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