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Como prevenir e controlar a mastite causada por Staphylococcus coagulase negativa

POR MARCOS VEIGA SANTOS

E TIAGO TOMAZI

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 30/07/2013

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Tiago Tomazi*
Marcos Veiga dos Santos

No artigo anterior abordamos o tema da mastite em novilhas causada Staphylococcus coagulase negativa (SCN) . No presente artigo serão descritas as diferenças epidemiológicas existentes entre as espécies de SCN com potencial em causar infecções intramamárias (IIM), bem como, as formas de prevenção e controle para redução da prevalência desse grupo de patógenos em rebanhos leiteiros.

O efeito de SCN sobre a sanidade da glândula mamária era considerado inconclusivo. Alguns estudos classificaram SCN como causa importante da mastite bovina e com redução na produção de leite. Outros estudos classificaram tais microrganismos como patógenos secundários da mastite, com impacto limitado na produção e qualidade do leite. Além disso, alguns pesquisadores sugeriram efeito protetor destes microrganismos na glândula mamária frente a agentes primários causadores de mastite, com inclusive, aumentos na produção leiteira.

Com base nisso, um estudo recente foi desenvolvido por nosso grupo de pesquisa, o qual teve como objetivo avaliar o efeito da mastite causada por SCN sobre a produção, composição e contagem de células somáticas (CCS) do leite por meio da comparação de quartos mamários contralaterais (sadio vs infectado). A avaliação por meio da comparação de quartos mamários contralaterais pode minimizar a variação que ocorre entre as vacas e que são fatores de confundimento, tais como, diferenças entre os sistemas de manejo e desafio ambiental.

Os resultados do estudo indicaram que IIM subclínicas causadas por SCN não alteraram a produção e composição do leite. No entanto, a CCS dos quartos infectados (545,80 x 103 células/mL) foi aproximadamente 8 vezes mais alta que a observada nos quartos mamários sadios (70,16 x 103 células/mL). Outros estudos demonstraram que a mastite causada por SCN contribui significativamente com a CCS do leite de tanque. Desta forma, mesmo que a presença de IIM não tenha reduzido a produção de leite, fazendas com alta prevalência de mastite causada por SCN podem ser prejudicadas em programas de bonificação pela qualidade do leite.

Dezesseis espécies de SCN já foram isoladas de amostras de leite e estudos descreveram diferenças epidemiológicas e de virulência entre as espécies. A tomada de decisão em relação às práticas de manejo e controle da mastite é dependente da classificação do agente causador da doença (contagiosa ou ambiental). Assim, determinar a epidemiologia das espécies de SCN potencialmente mais patogênicas pode ser importante para as fazendas leiteiras. A distribuição das espécies de SCN isoladas do leite e do ambiente difere entre rebanhos, e da mesma forma, os reservatórios principais diferem de acordo com a espécie envolvida. Isto é indicativo de que fatores em nível de rebanho ou condições de ambiente determinam a prevalência de espécies de SCN em rebanhos leiteiros.

Estudos compararam a distribuição de espécies de SCN nos diferentes locais, e relataram que certas espécies apresentam variação de afinidade e potencial de multiplicação. Staphylococcus chromogenes e S. epidermidis foram predominantemente isolados do leite, e foram menos frequentes em amostras coletadas do ambiente. Staphylococcus haemolyticus e S. simulans foram regularmente isolados tanto de amostras de leite quanto do ambiente. Espécies com origem predominantemente ambiental foram S. equorum, S. sciuri, S. fleuretti, S. cohnii, S. devriesei, S. xylosus, S. arlettae e S. succinus. As espécies de SCN com características ambientais também foram distribuídas diferentemente nos locais avaliados. S. sciuri e S. simulans foram isolados principalmente do piso e da cama em uso, respectivamente. Staphylococcus xylosus e S. succinus foram isolados com maior frequência do estoque de areia para cama.

Staphylococcus coagulase negativa são causa importante de mastite em rebanhos leiteiros, no entanto, a decisão sobre o melhor protocolo de tratamento da mastite causada por estes patógenos não é consensual entre os veterinários. A maioria dos estudos concordam que a mastite causada por SCN resulta em altas taxas de cura espontânea e que estes micro-organismos têm boa resposta ao tratamento antimicrobiano. Com base nos estudos disponíveis em relação ao tratamento da mastite causada por SCN, as taxas de cura variaram de 80% a 90% com o uso de antimicrobianos. Vacas com maior número de lactações apresentam menores chances de cura que vacas mais jovem.

Um único isolamento de SCN de um quarto mamário não justifica economicamente a terapia antimicrobiana, em particular, quando somente um pequeno número de colônias for detectado em uma amostra de leite. Staphylococcus coagulase negativa são bactérias comuns da pele do teto e podem, em algumas situações, contaminar a amostra de leite. Além disso, a taxa de eliminação espontânea das IIM causadas por SCN sem a utilização de qualquer tratamento é alta. O tratamento é recomendado se forem evidenciados sinais clínicos de grau moderado a grave. O tratamento de IIM com antimicrobianos também pode ser recomendado em casos de mastite persistente causada por SCN. Para os casos de mastite persistente, a terapia de vaca seca permanece sendo a melhor ferramenta devido às taxas de cura mais altas proporcionadas por essa prática de manejo.

A diversidade de espécies que compõem o grupo de SCN, bem como as diferenças epidemiológicas entre estas espécies, faz com que práticas de manejo sejam direcionadas para prevenir ambas as vias de transmissão, a contagiosa e a ambiental. Espécies como S. chromogenes e S. epidermidis parecem ser bem adaptadas à glândula mamária e é possível que estas espécies estejam relacionadas com a transmissão contagiosa. Medidas de controle relacionadas ao manejo correto de ordenha e que são utilizadas na prevenção de patógenos contagiosos, como a desinfecção dos tetos após a ordenha, reduziram as IIM causadas por SCN nos rebanhos leiteiros.

Dentre outras medidas preventivas contra mastite durante o período seco, o uso de selantes internos tem sido utilizado como uma alternativa ou complemento à terapia de vaca seca. O uso de selantes internos foi testado em novilhas e reduziu o risco de mastite após o parto, inclusive as causadas por SCN.

O pico de prevalência de SCN ocorre durante o período pré-parto com redução gradual durante a lactação. O manejo e higiene dos piquetes de maternidade devem ser vistos como prioridade em um programa de controle de mastite. Práticas de manejo com objetivo de reduzir a exposição do úbere aos patógenos da mastite nas áreas de vaca seca e maternidade são similares àquelas utilizadas nas instalações de vacas em lactação. Tais áreas devem ser limpas e drenadas para evitar o acúmulo de matéria orgânica. O controle da mastite causada por espécies de SCN é difícil devido à impossibilidade de erradicação destes patógenos no ambiente. Entretanto, as práticas de manejo preventivo devem objetivar a redução da umidade e manutenção da higiene dos piquetes e instalações de vacas e novilhas durante o período pré-parto.

O grupo SCN é formado por grande variedade de espécies com potencial de adaptação tanto ao ambiente quanto na glândula mamária. Entretanto, o conhecimento epidemiológico sobre as espécies de SCN envolvidas na mastite pode auxiliar na decisão de estratégias direcionadas de manejo a fim de prevenir as IIM causadas por esses patógenos em rebanhos leiteiros.

Fonte: TOMAZI, T. Produção e composição do leite de vacas com mastite subclínica causada por Staphylococcus coagulase negativa. 2013. 113 f. Dissertação (Mestrado em Nutrição e Produção Animal) – Departamento de Nutrição e Produção Animal - FMVZ, Universidade de São Paulo, São Paulo. 2013.

*Tiago Tomazi é Médico Veterinário e doutorando do Programa de Pós-Graduação em Nutrição e Produção Animal da FMVZ-USP.
 

MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

TIAGO TOMAZI

Médico Veterinário e Doutor em Nutrição e Produção Animal
Pesquisador do Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP

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