Como escolher o desinfetante para tetos ? - Parte 1/2
A prática do pré-dipping é recomendada atualmente não apenas para rebanhos com problemas de mastite ambiental. Siaba mais, acesse!
Publicado em: - 5 minutos de leitura
Atualmente, está disponível no mercado um grande número de formulações, com os mais diferentes ingredientes ativos e com ampla variação de preço. Como a prática de desinfecção dos tetos é tida como simples, eficiente e muito econômica, é preciso ter em mente que, para que esta prática tenha sucesso, o produto a ser usado deve realmente atingir o objetivo de reduzir a contaminação na pele do teto. Desta forma, existem hoje diversos protocolos cientificamente comprovados para avaliar a eficácia dos produtos para desinfecção de tetos, o que contribuiu significativamente para a melhoria das formulações, e, atualmente, diversos produtos podem reduzir a incidência de mastite de 50 a 95%. Isto não pode ser estendido a qualquer produto comercializado sem que haja testes adequados, que comprovam que determinado fabricante, em uma determinada formulação, é realmente eficiente.
Diversos componentes químicos podem ser usados em formulações de desinfetantes para tetos, como por exemplo: iodo, hipoclorito de sódio, clorexidine, compostos de amônia quaternária, acido duodecil benzenosulfônico, nisina, peróxido de hidrogênio, glicerol monolaureato e ácidos graxos. O mecanismo básico de ação destes compostos sobre os microrganismos é através de ação química ou biológica, como por exemplo pela oxidação/redução, desnaturação e/ou precipitação de proteínas citoplasmáticas, inibição de atividade enzimática e ruptura de membranas das células.
Entendendo a desinfecção dos tetos antes da ordenha (pré-dipping)
A função básica do pré-dipping no momento de preparar a vaca para a ordenha é obter a descontaminação da pele do teto. Esta redução da contaminação apresenta duas vantagens: diminui o número de bactérias no leite (relacionado com a qualidade microbiológica do leite) e reduz a disseminação de microrganismos e, consequentemente, a ocorrência de novas infecções, em especial para os agentes ambientais. Além do foco principal, que é a descontaminação da pele do teto, a prática do pré-dipping melhora a estimulação da descida do leite, que é um reflexo neuro-hormonal que aumenta a velocidade de ordenha e a extração do leite.
Uma das razões para o desenvolvimento da desinfecção dos tetos antes da ordenha foi o aumento de casos de mastite de origem ambiental em alguns rebanhos do Estado da Califórnia, EUA. Com o uso de medidas eficazes de controle para a mastite contagiosa, uma das medidas estudadas foi a desinfecção dos tetos antes da ordenha, que provou ser altamente eficaz, com redução de novas infecções intramamarias causadas por agentes ambientais de até 50%, quando comparadas com a prática de lavagem do úbere com água e posterior secagem.
Para que o pré-dipping atinja o objetivo de descontaminação da pele do teto é extremamente importante considerar as condições do teto no momento de aplicação do produto. Quanto maior a carga de substâncias orgânicas (como esterco, lama, barro, cama) aderidas ao teto, menor será a eficácia do pré-dipping. Desta forma, não adianta aplicar a solução desinfetante em um teto coberto com esterco, pois o produto não irá agir de forma satisfatória.
De forma objetiva, o procedimento de pré-dipping deve ser realizado na seguinte seqüência:
1) lavagem dos tetos (somente quando estritamente necessário),
2) retirada dos primeiros jatos (teste da caneca),
3) aplicação do desinfetante (preferencialmente por imersão) em tetos limpos,
4) aguardar período mínimo para ação do produto (15-30 seg),
5) secagem completa do teto com papel toalha,
6) colocação do conjunto de ordenha na vaca.
Quando possível, recomenda-se sempre evitar o uso de água para lavagem dos tetos antes da ordenha, pois o excesso de água reduz a atividade do desinfetante e aumenta a contaminação, além de facilitar a queda de teteiras durante a ordenha.
A prática do pré-dipping é recomendada atualmente não apenas para rebanhos com problemas de mastite ambiental, uma vez que este procedimento apresenta uma série de vantagens para a melhoria da ordenha e da qualidade do leite. No entanto, deve-se enfatizar que o uso do pré-dipping não substitui uma boa rotina de ordenha.
Entendendo a desinfecção dos tetos após a ordenha (pós-dipping)
Mesmo que a ordenha seja feita da forma mais higiênica possível, sempre ocorre transferência de microrganismos entre os animais ordenhados durante a ordenha. Desta forma, após o término da ordenha, a pele dos tetos fica altamente contaminada, e estes microrganismos podem adentrar a glândula mamaria e causar novas infecções. O pós-dipping tem o objetivo de eliminar os microrganismos presentes na pele do tetos após o término da ordenha, sendo comprovadamente eficaz como medida de prevenção de novos casos de mastite causados por microrganismos contagiosos, como Staphylococcus aureus e Streptococcus agalactiae.
É interessante notar que o conceito de desinfecção dos tetos após a ordenha é bastante antigo, com relatos de que, em 1916, esta prática foi usada sem sucesso, pois o produto (óleo de pinho) não era eficaz. No entanto, nas últimas décadas, surgiu um grande volume de informações sobre diferentes produtos e formulações que se comprovaram eficazes para uso como pós-dipping. Um dos principais institutos de pesquisa em gado leiteiro da Inglaterra (NIRD - National Institute for Research in Dairying) foi um dos pioneiros da avaliação científica do uso do pós-dipping como ferramenta para o controle de mastite. Os resultados obtidos na década de 60 foram tão animadores que, posteriormente, esta prática foi disseminada para outros países, e, hoje, é considerada como prática obrigatória para o controle de mastite.
Diversas vezes têm surgido perguntas sobre o uso do pós-dipping em explorações leiteiras com bezerro ao pé da vaca. Esta é uma situação bastante particular, pois a técnica do pós-dipping foi desenvolvida para vacas especializadas, que não tem a presença do bezerro durante a ordenha. Vale dizer que não há o mesmo resultado de redução da transmissão de mastite contagiosa, se, após a imersão dos tetos com a solução desinfetante, o bezerro vai mamar na vaca.
Material escrito por:
Marcos Veiga Santos
Professor Associado da FMVZ-USP Qualileite/FMVZ-USP Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225 Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP Pirassununga-SP 13635-900 19 3565 4260
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Utilizava no pré uma solução a base de hipoclorito de sódio e no pós iodo na concentração de 0,1%, porém com vários casos de mastite clínica e ccs elevada. Com intuito de melhoria na prevenção, passei a utilizar no pré a base de iodo e no pós clorexidina, porém os tetos apresentaram rachaduras, feridas e uma casca. Dai passei a utilizar no pré uma espuma a base de ácido lático e voltei para o iodo a 0,1%. Sendo observado que os tetos voltaram a melhorar saindo até uma camada formada pela clorexidina. Diante disso dei início a utilização no pós iodo a 0,5%, mas com quatro dias de uso os tetos voltaram a dar pequenas rachaduras e até com sangramento. Dai os questionamentos: O uso da iodo em conjunto com a clorexidina pode haver incompatibilidade? Com relação a mudança brusca de iodo a 0,1% para 0,5% pode causar essas rachaduras? Seria necessário a adaptação e gradativo aumento do percentual de iodo até a concentração final desejada?
PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO
EM 08/04/2016
Atenciosamente, Marcos Veiga

POMPÉU - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 06/04/2016
A Amônia Quaternária pode ser usada para aplicação no pré-dipping? No rótulo do produto comercial tem indicação para esse fim, mas meu maior questionamento é quanto ao tempo de ação desse princípio ativo.
Desde já agradeço.
Adiana Rachid Sousa.
PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO
EM 13/01/2016
Atenciosamente, Marcos Veiga

JI-PARANÁ - RONDÔNIA - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 11/01/2016
José Carneiro Filho
laborteccaneiro@gmail.com
PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO
EM 20/10/2015
Para o uso do cloro, recomenda-se que os ordenhadores usem luvas e observar se ocorre rachaduras de tetos.
Atenciosamente, Marcos Veiga

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 17/10/2015
SETE LAGOAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO
EM 07/12/2008
Desde já agradeço.
<b>Resposta do autor:</b>
Prezado André Neiva Liboreiro,
Não existe uma resposta definitiva sobre os níveis de princípios ativos para os desinfetantes de tetos, principalmente os comerciais, nos quais existem grandes variações de formulação. De uma forma geral, os produtos para pré-dipping são mais diluídos, em geral 50% da concentração do pós-dipping.
Para produtos a base de iodo, que são os mais usados, existem diferentes forma de inclusão do iodo, mas considerando os mais comuns, as concentrações variam entre 0,5% e 1,0% de iodo disponível (total), mas o que realmente importa é a concentração de iodo livre.
Pode-se verificar que existe variação desde produtos com 0,1% de iodo até 1%.
Com relação a clorexidina, as concentrações mais usadas são de 0,35 a 0,55%. Para o hipoclorito de sódio, a minha recomendação tem sido de 1 a 2% de solução de hipoclorito de sódio.
Desta forma, temos poucas informações técnicas sobre produtos nacionais (exceção aos produtos importados, com testes feitos em outros países), que testaram as formulações com base em protocolos reconhecidos, o que dificulta responder a questão sobre qual a minha recomendação sobre as concentração. A minha sugestão é que sejam usados produtos comerciais de empresas idôneas, mas que seja cobrado se já foi feito algum tipo de avaliação, pois somente com esses testes teríamos garantia de eficácia.
Outro ponto importante, é que até onde eu saiba não existe requerimento de teste de eficácia para registro destes produtos, nem aqui nem nos EUA, mas mesmo assim existem muitas empresas que testam os produtos com base em protocolos padronizados.
Atenciosamente, Marcos Veiga