Terapia estendida é uma alternativa para o tratamento de Staphylococcus aureus
O controle eficaz da mastite envolve como princípio básico, a aplicação de medidas para combater e prevenir a ocorrência de infecções intramamárias.
O controle eficaz da mastite envolve como princípio básico, a aplicação de medidas para combater e prevenir a ocorrência de infecções intramamárias.
Nos últimos anos, de todas as cadeias produtivas do setor agropecuário, a que passou pelas maiores transformações foi a do leite. Frente a este cenário, tem-se exigido de todos os agentes que compõem o setor leiteiro um esforço para produção e obtenção de derivados lácteos com qualidade. É crescente a necessidade de obtenção de produtos que atendam tanto as exigências de mercado, cada vez mais competitivo, quanto às necessidades nutricionais, inocuidade, saúde e a satisfação dos consumidores.
O melhoramento genético das vacas leiteiras para aumento da produção tem apresentado duas consequências principais. A primeira é o grande aumento da produção de leite no início da lactação, por outro lado, a segunda é o maior desafio metabólico da vaca e consequente aumento da susceptibilidade as doenças. A ocorrência de mastite pode afetar a curva de lactação e reduzir a persistência de lactação, mas o impacto pode ser diferente em relação ao estágio de lactação em que a mastite ocorre.
Diversos estudos apontam os estafilococos coagulase-negativa (ECN) como os agentes mais comumente isolados de amostras de leite em diversos países, o que destaca a importância destes microorganismos na sanidade de vacas e novilhas para produção leiteira. Os ECN são tradicionalmente considerados como parte da microbiota natural da pele dos bovinos causando mastite subclínica como um agente oportunista, o que resulta em elevações moderadas na CCS.
A mastite, tanto em sua forma clínica quanto subclínica, é a doença que mais acomete vacas leiteiras, acarretando não apenas prejuízos relacionados ao descarte de animais, produção e qualidade do leite, mas também, por causar efeito negativo sobre o desempenho reprodutivo dos animais acometidos.
Os programas de capacitação e treinamento para controle de mastite têm sido muito usados para promover a prevenção da doença em rebanhos leiteiros. No entanto, quando nos deparamos com a realidade, os resultados destes programas de treinamento e capacitação estão abaixo das expectativas. Desta forma, para que estas medidas de controle surtam efeito é necessário, além de embasamento científico, que os produtores efetivamente as coloquem em prática.
A indústria leiteira mundial atravessa um período de intensas transformações em sua estrutura e podem-se identificar como grandes tendências a diminuição dos preços pagos ao produtor, a redução de subsídios, o aumento nas exigências de qualidade do leite e a maior preocupação dos consumidores com relação à segurança alimentar. Entre as características relacionadas com a qualidade do leite, destaca-se o padrão microbiológico e das condições gerais de manejo e higiene adotados na fazenda. Primeiramente, podemos apontar que os principais microrganismos envolvidos com a contaminação do leite são as bactérias.
A venda direta para o consumidor final de leite cru ou de algum derivado lácteo produzido com leite cru é terminantemente proibido no Brasil desde a década de 1970. No entanto, dois principais fatores contribuem para a necessidade de abordar esse tema: o primeiro é que uma parcela significativa do leite produzido é comercializada via mercado informal e o segundo é a tendência de um grupo de consumidores que são sensíveis ao apelo do consumo de alimentos naturais. Considerando a importância do assunto, disponibilizamos a tradução na íntegra de um documento recentemente publicado pelo Conselho Nacional de Mastite dos EUA, que aborda os riscos do consumo do leite cru.
Manter a extremidade dos tetos em boas condições é extremamente importante, pois nessa região, a musculatura do esfíncter desempenha um papel fundamental na contração do canal do teto mantendo-o fechado entre as ordenhas, o que impede a entrada de patógenos no interior da glândula mamária. Essa ação é auxiliada por células maduras de queratina, presentes no canal do teto e juntos representam a barreira primária na resistência às mastites.
A produção de matéria prima com boa qualidade é um dos principais entraves para o aumento da competitividade dos produtos lácteos no mercado internacional. Dentro desse contexto, a qualidade microbiológica do leite cru é de extrema importância e se traduz na maior limitação para o processamento, rendimento e aceitabilidade dos derivados lácteos.
Em tempos de margens de lucratividade cada vez mais estreitas, é de fundamental importância que a gestão da fazenda leiteira seja orientada em duas frentes: buscar melhoria no preço do leite e reduzir custos. Em ambos os casos a mastite desempenha um papel central no dia a dia de uma fazenda. O estudo em questão traz uma abrangente avaliação da eficácia de 17 medidas de controle de mastite.
Resultados de pesquisas apontam que o fator principal determinante da elevação da CCS é a ocorrência de infecção intramamária. Já que a ocorrência de uma infecção intramamária é a principal determinante da CCS em vacas leiteiras, da mesma forma, o tipo de bactéria causadora de mastite pode ter impactos bastante variados sobre a CCS. Classicamente, os agentes causadores de mastite podem ser classificados como patógenos principais e secundários.
A ocorrência de casos clínicos de mastite pode acarretar perdas significativas em termos de custos de tratamento, descarte do leite com resíduos, morte ou depreciação da vaca e outros cursos indiretos, como o aumento do risco de aborto e de disseminação da mastite para outros animais, além do descarte involuntário.
Além do padrão genético, outros fatores como a anatomia do úbere e dos tetos, influenciam a produção, ejeção do leite, a contagem de células somáticas (CCS) e resistência a mastites. Devido a essa alta correlação, os estudos das características anatômicas de úbere e tetos e sua relação com a CCS e prevalências das mastites têm ganhado maior atenção.
Diversos autores afirmam que a estabilidade térmica do leite pode estar relacionada com o período do ano. Um levantamento feito por pesquisadores brasileiros na região de Pelotas-RS, no período de abril de 2002 a setembro de 2003, apontou para maior ocorrência de leite instável sem acidez adquirida no mês de abril de 2002, com 77,88% das amostras positivas, e mínimo em setembro de 2003, com 31,01%, indicando que o leite produzido durante o outono tem menor estabilidade sobre o leite produzido nas demais épocas do ano para aquela região. Isso indica que a transição entre a estação de maior produção para a de menor produção de massa verde das pastagens exige suplementação para suprir a deficiência da dieta.
A composição e a estabilidade térmica do leite são fatores importantes para aumentar o tempo de prateleira de derivados lácteos, garantir adequadas condições de processamento e proporcionar maior qualidade ao consumidor final. O teste do álcool é realizado pelas indústrias de laticínios para avaliar a qualidade do leite, em especial, para estimar a estabilidade térmica da matéria prima, uma vez que ela sofrerá tratamentos térmicos intensos como pasteurização e UHT.
Um dos maiores desafios para o aumento da competitividade do setor leiteiro nacional é garantir mercados e a boa remuneração para a crescente produção. Para tanto é indispensável e urgente melhorar a qualidade do leite. Os resultados de avaliações de composição, CCS e CBT feitos pelos laboratórios credenciados da Rede Brasileira de Laboratórios de Qualidade do Leite indicam que o ritmo de melhoria da qualidade é ainda lento, altamente dependente de fatores regionais e de programas de pagamento por qualidade.
Os estafilococos coagulase negativa (ECN) são os microorganismos mais isolados de amostra de leite, tanto de vacas em lactação quanto, principalmente, de novilhas. Estes agentes formam um grupo de bactérias conhecido como patógenos secundários, por terem baixa patogenicidade (ou seja, causam poucos danos na glândula mamária); todavia, estão associados à forma subclínica da doença. Porém, quando estes microorganismos persistem na glândula mamária alguns sinais clínicos da doença podem ser observados.
A contagem de células somáticas (CCS) do leite consolidou-se como um dos mais importantes indicadores de saúde da glândula mamária e de qualidade nos principais países produtores de leite. Neste artigo serão apresentados os resultados de CCS de rebanhos de Minas Gerais, Paraná e das regiões Centro-Oeste e Norte. Também será mostrado um resumo dos resultados de CCS de rebanhos leiteiros americanos de 1995 a 2008.
A contagem de células somáticas (CCS) do leite consolidou-se como um dos mais importantes indicadores de saúde da glândula mamária e de qualidade nos principais países produtores de leite. Os limites legais para a CCS do leite de consumo variam entre os países, como por exemplo: 400.000 cél./ml para a Comunidade Europeia, Austrália e Nova Zelândia, 500.00 cél./ml para o Canadá e 750.000 cél./ml para os EUA. Em relação ao Brasil, a partir de julho/2008 passou a vigorar o limite de 750.000 cél./ml para as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, e de 1.000.000 cél./ml para o Norte e Nordeste.
Os prejuízos mais comumente associados com a ocorrência de mastite clínica são a perda de produção, o descarte do leite com resíduos de antibiótico e o custo do medicamento usado. Estes custos são evidentes, pois o produtor percebe imediatamente o prejuízo. Além disso, é necessário considerar ainda o aumento do descarte de vacas acometidas, a perda do quarto mamário e, eventualmente, a morte do animal, os quais são custos menos visíveis, mas não menos importantes. No entanto, os custos da mastite clínica vão além destes, pois incluem, entre outros, os efeitos negativos sobre o desempenho reprodutivo.
O período que compreende a transição entre a secagem da vaca em lactação e o início de uma nova lactação é um dos maiores desafios para o controle da mastite.
A ocorrência de mastite em novilhas e primíparas é cada vez mais comum, o que pode resultar em desenvolvimento incompleto da glândula mamária, aumento da contagem de célula somática no início da lactação e redução do potencial de produção. Na tentativa de diminuir os prejuízos causados pela da mastite, o tratamento intramamário com antibiótico de vacas secas ou com produtos de tratamento durante a lactação para novilhas no período pré-parto tem sido uma medida eficiente no controle da doença. No entanto, quando se usa essa estratégia, o leite proveniente dos animais tratados pode apresentar risco de resíduos de antibiótico.
Um estudo recente levantou informações importantes e bastante úteis sobre a ocorrência de mastite subclínica em rebanhos holandeses do estado de Minas Gerais. Os objetivos foram os de estabelecer as relações entre CCS e o número de lactações, assim como verificar qual o impacto da CCS sobre a produção e composição de leite em rebanhos do controle leiteiro da Associação de Criadores de Gado Holandês de Minas Gerais.