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Manejo de pasto: a sustentabilidade que o produtor procura

Olá a todos vocês. Hoje vamos conversar um pouco sobre a importância de manejar pasto. Segundo um amigo meu, manejar pasto é fácil, pois é só não deixar a canela da vaca ficar descoberta. Quando ouvi isso pela primeira vez e ainda não pensava em ser zootecnista, fiquei imaginando como seria isso. Será que o fato de não deixar a canela da vaca descoberta é para não esfriar a canela do animal? Será que assim ela poderia pegar um resfriado? Será que ainda, deixando a vaca em pasto baixo, ela escorregaria? Será que com pasto baixo a vaca não tem proteção contra predadores? Brincadeiras à parte, acredito que é por falta de comida, não é? 

Eu sei que vocês podem estar rindo neste momento, mas hoje vamos falar de um assunto muito importante e delicado, para muitos pecuaristas. Sem mais delongas, este é um tema que, como diz um amigo meu, “põe o dedo na ferida”.

Se formos ao início de tudo, uma área de pastagem começa na implantação. Neste momento, temos que colocar a semente do capim no solo para ela se tornar uma planta. Então, para manejar um pasto, a forragem precisa existir. Escrevo isso porque nas minhas andanças, o que mais vejo é um pasto sem forragem. Isto mesmo, uma área de terra sem forrageira. Isto não pode acontecer.

Em segundo plano, ao termos a forrageira implantada, precisamos de alguém para manejá-la. Para tanto, o objetivo é que tenhamos sempre o capim a disposição dos animais, mas não somente sobrando e sim, na quantia ideal. Para isso, precisamos conhecer um pouco do assunto, mas antes, vamos a uma breve historinha.

Ao contarmos uma piada em uma sala de 30 alunos, com certeza, teremos muitos rindo (se a piada for boa) muitos sem rir (mesmo a piada sendo boa) e talvez alguns chorando achando a piada ruim. É previsível que isso ocorra e sabem o porquê? Mesmo todos sendo seres humanos e de tal forma sermos todos iguais, há diferenças em cada indivíduo. Então, minha analogia serve para mensurar que capim não é tudo igual, ok?

Quando comparamos pessoas, ou seja, capins, não podemos generalizar. Sim, todos apresentam diferenças, mas não individuais e sim por gênero. Capins do gênero Panicum (ex: Tanzânia e Mombaça) são totalmente diferentes para serem manejados quando comparados aos do gênero Cynodon (Tifton e Coastcross) e diferentes ainda das Urochloass (Braquiarinha e Braquiarão). Todos eles apresentam hábitos de crescimento diferentes, produtividade de massa diferente, resistência a pragas, entre outros. Muitos acreditam que eles são iguais e por isso os tratam igualmente. Será que podemos tratar igualmente um macaco e um elefante em uma prova que mede a velocidade de subir em uma árvore?

Voltando à história inicial, será que podemos pensar que apenas o capim tem que ser grande o suficiente para que a canela da vaca não fique descoberta? Se pensarmos em altura, um Tifton estará no seu ponto ótimo de pastejo, no verão, com aproximadamente 40 cm. Um Mombaça, com por volta de 80 cm, e as braquiárias, com 40 e talvez 50 cm para as braquiarinhas e braquiarão, respectivamente.

"Será que podemos tratar igualmente um macaco e um elefante em uma prova que mede a velocidade de subir em uma árvore?"

Se o produtor não entende isso, tudo se torna complicado e aí o pasto não lhe servirá. Na maioria das palestras que ministro sobre o assunto, eu reforço que tudo tem que ser feito de acordo com o que se precisa. Não podemos colocar gasolina em um caminhão a diesel, podemos? Se fizermos isso ele não anda e o pasto é a mesma coisa. Entender como tudo funciona é ganhar lá na frente, pois se o pasto é a base da produção, ele não pode entortar, se não, tudo entorta. 

"Não podemos colocar gasolina em um caminhão a diesel, podemos? Se fizermos isso ele não anda e o pasto é a mesma coisa"

Aquele produtor que entende de pasto produz uma forragem a baixo custo principalmente porque as máquinas que cortam são as próprias vacas e elas cobram muito barato. O manejo do pasto também está associado a um bom arraçoamento dos animais já que fazendo-o, eles terão um maior sincronismo de alimentos para expor seus potenciais.

O rebanho precisa também de água de qualidade, pois sem água as coisas não andam bem. Precisa também de pratos diariamente. Pratos? Sim. Na área de pastagem precisamos delimitar o que as vacas comem por dia e isso se chama piquete, que é delimitado por cerca. Se o prato for fundo, comemos muito. Se for raso, comemos pouco. Ele tem que ser ideal. Sim, o piquete tem que ser ideal com a quantidade certa de comida por dia para a quantidade de animais que o produtor tem. Para isso, necessita de uma boa cerca, porém o que segura o animal no pasto é o capim e não a cerca. Mas, a cerca é importante para delimitar o quanto você fornece ao animal. Se ela não for eficiente, seu pastejo não será também.

"Em uma produção leiteira em que os animais precisam comer a mesma dieta todo dia, se falharmos na hora do volumoso (pastagem), erraremos em todo o sistema".

Ser sustentável não é - ao meu ver - não precisar do externo. Nós, em sistemas de pastejo, queremos sempre altas produtividades e por isso precisaremos do externo para isso. Sustentabilidade ao meu ver é entender o sistema e trabalhar de forma correta. O gargalo da produção é o entendimento e saber buscar onde está a resposta. Muitas vezes ela está na sua própria propriedade, na sua própria pastagem.

Em resumo, se imaginarmos uma luta entre duas pessoas, uma vence e outra perde, mas os dois voltam a lutar. Vocês sabem o porquê? É simples. Porque eles voltam a se alimentar, descansam e treinam. A forrageira faz a mesma coisa. Ao ser ingerida, ela volta a retirar água e nutrientes do solo, faz fotossíntese e cresce frondosa novamente.

Mais um segredo para vocês: ela faz isso somente se nós permitirmos. Esta permissão não é da natureza, ou da vida, mas sim a permissão com um descanso sem a vaca consumindo ela, adubos na medida certa, luz, água e temperatura certa. Mas e no frio? Naturalmente ela descansa mais nesta época e neste momento os animais tem que se alimentarem com outra coisa. Sustentabilidade também é planejar e produzir alimentos para as várias estações e períodos ao longo do ano. Pensem nisso!

MARCO AURÉLIO FACTORI

Professor na UNOESTE - Presidente Prudente
Zootecnista, Dr. em Zootecnia pela FMVZ/UNESP - Botucatu SP. Manejo de Pastagens, Conservação de Forragens e Nutrição Animal com foco em nutrição de Ruminantes.

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LUIZ CARLOS FRANCHIN

CONCHAS - TOCANTINS

EM 15/10/2018

Parabéns pela reportagem, muito explicita . O pasto é igual uma lavoura, necessita de nutrientes para melhor produzir. Abraços.