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Excedente de alimento em período chuvoso: o que fazer?

MARCO AURÉLIO FACTORI

EM 02/02/2021

4 MIN DE LEITURA

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Olá pessoal tudo certo? Hoje quero convidar a vocês para viajarmos um pouco sobre nutrição animal, em especial, sobre o que fazer com o excedente de produção de alimento que sobra agora no verão. Pois bem, vamos lá.

Todos nós sabemos que o alimento é produzido, dentre outros, por 4 principais fatores, sendo eles os nutrientes, água, luz e temperatura. Diga-se de imediato, os nutrientes basta adubarmos o solo seguindo algumas recomendações.

Porém, os outros três restantes, no caso a água, para aqueles que possuem irrigação é muito fácil molhar o solo e então, produzir. Para tanto, aqueles que não têm a água faltará também este fator que juntamente com a luz e temperatura, formarão os três principais fatores responsáveis pela estacionalidade de produção, a qual denominamos fatores climáticos.

Sim, o clima é responsável pela falta de produção de alimentos e por estes motivos temos que guardar o excedente de uma época em que sobre alimento que podemos chamar de verão, para outro momento em que falta denominado inverno. Devo lembrar que em algumas regiões os nomes podem se inverter.

Pois bem, peço licença para tocar em um assunto. Jamais em minhas preces irei pedir para que não tenhamos inverno. Sim, jamais pedirei, pois é um fator natural. O que devo fazer é guardar o alimento para o momento em que não terei.

Em minhas assistências é fato verídico que agora no mês de janeiro, a maioria dos produtores estão reclamando da chuva, do sol, do calor. Da chuva mais ainda, pois para a produção de leite tudo fica mais difícil.

As vacas diminuem a produção de leite, principalmente as em pastagem, pois acabam ingerindo mais água ao invés de alimento (pasto molhado) ou pastejam menos em função da chuva.

Pessoal, o que muitos esquecem é que agora é o momento de guardar o excedente, mas não de forma descuidada, ou, de qualquer jeito. Não. O excedente de alimento produzido agora deve ser esperado e planejado de forma intensa para que saibamos aproveitar o natural. Sim. O natural.

Quando eu era criança, via alguns produtores simplesmente rezando ou pedindo que a seca não viesse. Quando chegava o mês de janeiro, plantava o milho, o capim e tudo mais para os animais. Claramente talvez, não sabiam o quanto os animais comiam e quando eles deviam comer exatamente. Não sabiam das exigências dos animais. Não sabia do ponto ótimo da pastagem.

Sobre a pastagem, pastejar no momento certo, chamado de ponto ótimo de pastejo é muito importante, pois os animais irão ingerir um capim no ponto de equilíbrio entre produtividade e valor nutritivo. Aí que o erro começa.

O produtor, vendo todo aquele material produzido se esquece de que se o animal não comer, o capim passa do ponto e a qualidade diminui. Sendo assim, mesmo no verão o animal pode produzir menos leite? SIM PODE.

O excedente de material produzido também é ruim se for desperdiçado. Mas isso acontece? Se o animal não comer ele passa do ponto como eu mencionei. Mas o que fazer? Muitas vezes os animais podem consumir uma área menor, ou ainda eu posso utilizar novilhas ou bezerras para comer o excedente ou simplesmente ensilar. O que não pode é deixar passar do ponto de consumo.

Sobre ensilagem, não ainda a de milho mas a de capim, está se tornando um eixo muito importante quando falamos do capim Capiaçu. Vocês devem estar se perguntando se eu recomendo não é mesmo? Pessoal, minha resposta é simples.... Sim e não. Mas como assim?

Um dos maiores gostos que eu tenho como Zootecnista é conhecer o alimento. Uma pergunta: Você ao ver uma pessoa pela primeira vez não quer conhecê-la melhor? Eu faço isto com os alimentos. De forma bem breve, o Capim Capiaçu apresenta, quando cresce muito, muita fibra (normal para um capim que cresce bastante).

Esta deve ser muito bem mencionada quando estamos falando de leite. Sim, de leite. O que deixo como dica, é que tomem muito cuidado para vacas de produções diária de mais que 25 litros de leite. A fibra pode atrapalhar a produção. Mas, então, o que eu faço com o capim Capiaçu se não conseguir cortar a tempo para que ele não passe do ponto? ENSILE. Sim, faça silagem, mas corte no ponto certo.

No ápice das águas tudo cresce rápido e tudo que praticamente se planta, se colherá. Então vamos aproveitar. Vamos plantar o milho para ensilagem. Vamos plantar a cana. Vamos plantar o sorgo. Vamos plantar. Mas somente plantar e não saber manejar não seria uma boa escolha. TUDO tem seu tempo e seu manejo.

Mas com certeza o excedente que sobra deve ser direcionado também para se transformar em comida para animais. As opções como feno e silagem, parecem ser as melhores saídas encontradas para guardar o excedente, sendo assim as formas mais seguras. Mas como conto sempre histórias, leiam esta.

Ao me deparar com um rotacionado muito bem feito, uma silagem muito bem feita e uma capineira muito bem manejada, me deparei com uma cena em que o produtor continuava a fornecer silagem para seus animais e pastejar e cortar o Capiaçu.

Senhores uma dica: Não abra o silo. Se já estiver aberto, utilize-o até acabar, mas não abra outro silo. Deixe o silo muito bem conservado para a época que faltará alimento. Pasteje o máximo que puder. Utilize o capim que tem um ponto ótimo para seu utilizado. Pastejar é barato, perto do processo de ensilagem. Se precisar de mais alimento corte o Capiaçu. O resto ensile. Será que fomos compreendidos na linha de pensamento?

Não somente em qualidade, mas em custo beneficio tudo deve ser levado em consideração na produção leiteira. Pensem nisso.

MARCO AURÉLIO FACTORI

Consultor, Factori Treinamentos e Assessoria Zootécnica.

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WALSDYR DE OLIVEIRA SANTOS JUNIOR.

QUISSAMÃ - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/02/2021

Bom dia , parabéns , somos produtores de leite no município de Quissamã RJ. E uma região muito seca , alimentamos com cana no inverno e agora temos o capiacu.
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