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O velho e o novo cooperativismo

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

EM 02/03/2001

2 MIN DE LEITURA

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Marcelo Pereira de Carvalho

Às vezes começar do zero é mais fácil do que alterar o que já existe. É o que parece ocorrer quando se fala de mudanças no cooperativismo brasileiro, adequando-o aos novos tempos de mercado globalizado e ultra-competitivo.

Enquanto grandes e tradicionais cooperativas são vendidas ou se encontram em meio a dificuldades administrativas e financeiras, observamos com otimismo o surgimento e o fortalecimento da CentroLeite (Central de Cooperativas e Laticínios de Goiás), em Goiás, que se prepara para entrar no grupos dos grandes processadores de leite do país (veja notícia).

Segundo a matéria do jornal Valor, a CentroLeite prepara a filiação de mais doze cooperativas do Triângulo Mineiro para se tornar a quarta maior receptora de leite do país. Com o acordo, que deve ser fechado nos próximos quinze dias, a empresa deverá captar cerca de 1,25 milhão de litros de leite por dia contra 600 mil litros produzidos atualmente.

Através de um sistema de cooperativas virtuais, cujo elo com a Central não se dá por meio de tijolos e estruturas inchadas e geralmente desnecessárias, mas sim por intermédio de suas lideranças regionais, a CentroLeite pretende oferecer condições mais estáveis ao produtor de leite.

Enquanto em outros países o cooperativismo leiteiro já vem se adaptando aos novos tempos, como temos noticiado recentemente em artigos sobre a Nova Zelândia, EUA e Canadá, por aqui, a iniciativa da CentroLeite é uma das pioneiras em direção ao chamado cooperativismo moderno.

A importância do sucesso desta iniciativa para os produtores não pode ser minimizada, ainda mais se nos lembrarmos dos pesos pesados do passado que não se sustentaram sem o aporte de capital externo, ocorrido mediante aquisição parcial ou total: Elegê, Batavo, Paulista .... para não falar da Itambé, cujo processo de transformação em S.A. parece continuar incerto.

Com tudo isto, há a esperança de que o projeto da CentroLeite não só dê certo, mas também sirva de exemplo aos produtores cooperados e não cooperados de outras regiões. Seguindo este caminho, talvez tenhamos uma distribuição mais igualitária de forças no mercado de leite, um dos maiores consensos entre lideranças e demais envolvidos com o setor lácteo no Brasil.

Por fim, voltando à constatação de que às vezes começar do zero é mais fácil do que mudar o que já existe, não é por acaso que o surgimento desta iniciativa se deu em Goiás, estado sem os velhos vícios da pecuária de leite de antigamente e que está alicerçando a atividade em princípios mais alinhados com a nova realidade do que estados de maior tradição, como São Paulo e Minas Gerais.

Ainda é cedo para dizer se o projeto da CentroLeite dará certo como se planeja. Independentemente disto, trata-se de um novo alento ao setor e que estaremos observando de perto. E torcendo.

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP), Mestre em Ciência Animal (ESALQ/USP), MBA Executivo Internacional (FIA/USP), diretor executivo da AgriPoint e coordenador do MilkPoint.

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