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As características que fazem da Nova Zelândia a maior exportadora de lácteos do mundo

POR GUILHERME RISTOW

LEITE NO MUNDO

EM 26/01/2018

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Dois anos atrás, ainda como estudante de medicina veterinária do CAV/UDESC em Lages-Santa Catarina, tive a oportunidade de vivenciar um estágio de um ano em uma fazenda leiteira na Alemanha, onde aprendi processos e manejos de como se produzir leite no sistema de confinamento free-stall. Passados dois anos, agora formado como médico veterinário, surge a oportunidade de desenvolver ainda mais a minha carreira na área, dessa vez um pouco mais isolado do resto do mundo, em um país aonde a indústria leiteira é uma das atividades mais importantes, se não a mais significativa da economia local.

No ano de 2017 o leite contribuiu com 35% das exportações de produtos primários da Nova Zelândia, gerando uma receita de 13,4 bilhões de dólares, empregando 50.000 mil pessoas (34.000 em fazendas e 16.000 na indústria), contribuindo fortemente com o PIB interno, gerando riqueza e emprego para a população local.

A Nova Zelândia é a maior exportadora de derivados lácteos do mundo, produzindo 3% do volume total de leite do planeta. Seu isolamento geográfico protege seu rebanho de doenças; sua condição climática perfeita, seu solo extremamente fértil, abundância de água e tecnologia aliados à ORGANIZAÇÃO fazem dela o local ideal para se produzir leite.

No ano de 2001 toda a cadeia leiteira do país foi reestruturada através de um ato público que trouxe diretrizes relacionadas a sustentabilidade, bem-estar animal, políticas de mercado interno, enfim, tudo o que engloba o know-how da indústria leiteira está nesse arquivo, o qual está disponível online para consulta (Dairy industry restructuring act 2001).

Se tem três tópicos que eu escolheria para definir a produção de leite na terra dos kiwis, são VOLUME, TECNOLOGIA e ESTRUTURA OPERACIONAL. A primeira é facilmente explicada pelo tamanho dos rebanhos que encontramos por aqui. Cinquenta por cento das fazendas possuem de 100 a 350 animais, 30% possuem 500 vacas ou mais, 12% apresentam 750 vacas e 5% mais de 1000 animais. Além disso, nos últimos anos o número de fazendas com rebanhos maiores que 400 vacas vêm aumentando, provando a aptidão kiwi por volume de produção.

O tópico tecnologia eu subdividiria ainda em mais dois sub tópicos, sistema de irrigação e melhoramento genético, os quais aliados aumentam significativamente a eficiência de todo o sistema leiteiro. Na Nova Zelândia, 800.000 mil hectares são irrigados, otimizando o crescimento de pasto para todos os tipos de cultura, leite, carne de gado e ovelha.

Os dois principais sistemas de irrigação aqui utilizados são o sistema pivot e o sistema K-line. O primeiro é 100% automatizado e requer altos investimentos que retornam apenas ao longo prazo, mas, no entanto, traz comodidade, durabilidade e garantia de eficiência de irrigação, convertendo investimento em aumento do volume de comida para os animais, que no final das contas reverterá em maior volume de produção de leite e melhora da remuneração do produtor.

Já o sistema K-line é muito mais barato, menos duradouro e exige algumas horas de manejo diário, precisando ser movimentado de acordo com o crescimento de pasto no piquete. Ou seja, na hora de optar pelo sistema de irrigação ideal para sua fazenda, capacidade de investimento do produtor e disponibilidade de mão de obra devem ser levados em consideração.

O melhoramento genético neozelandês é feito pela cooperativa LIC (Livestock Improvement Corporation), que é mantida por mais de 10.000 fazendeiros, prestando serviços de venda de sêmen fresco e congelado, inseminação, diagnóstico de prenhês, implementação de tecnologias e assistência técnica.

A cada quatro animais inseminados na Nova Zelândia, em três é usado sêmen de touros da LIC. Mais de 5 milhões de doses de sêmen foram comercializadas pela cooperativa somente em 2017 e mais de 800.000 mil animas tiveram análise de DNA feita para diagnóstico de doenças e teste de mérito genético.

Ela possui ainda um banco de dados de mais de 90% dos animais inseminados, fazendo com que o melhoramento genético seja uniforme em todo o país, gerando dados estatísticos e números reais do que tem sido feito até o momento.

O cruzamento mais utilizado nos últimos anos é do holandês (holstein-friesian) com animais da raça Jersey, originando o “kiwi-cross”. Essa cruza explora o rigor híbrido das duas raças, ou seja, a superioridade dos filhos em relação aos pais, gerando animais ótimos em conversão de pasto em leite, longevos, férteis, resistentes a doenças, produzindo mais proteína e gordura no leite que o holandês e, ao mesmo tempo, mais volume de leite que o Jersey.  

Outra ferramenta que eu considero inovadora e diferenciada é o chamado “herd testing” ou teste de rebanho, o qual permite que os fazendeiros obtenham informações individuais de cada animal do seu plantel, auxiliando na hora da tomada de decisão em relação a manutenção ou não da vaca na próxima lactação. Há duas companhias que realizam o herd testing por aqui, a CRV e a LIC, ficando a cargo do produtor de quando e com qual frequência realiza-lo.

Basicamente é coletado duas amostras de leite em dias separados e enviados para o laboratório das respectivas empresas. Os resultados saem em questão de dias, trazendo informações de volume de leite, teor de sólidos, contagem de células somáticas, contagem bacteriana, monitoramento de mastite clínica e subclínica, identificação de vacas improdutivas, bem como de vacas altamente produtivas que são de interesse para reprodução. Só no ano de 2017, 3,2 milhões de vacas passaram pelo herd testing, representando 65% do rebanho kiwi, provando que tecnologia, eficiência e volume podem, sim, andar juntos dentro da propriedade.



Outra característica que eu considero peculiar do sistema de produção leiteiro kiwi é o sistema operacional das fazendas. As propriedades são operadas por três sistemas diferentes: “owner-operator,” sharemilking” e ainda “contract milker”.

O primeiro são fazendeiros que são donos da própria terra, dos insumos, dos animais, das instalações e contratam um gerente e uma equipe para tocar as atividades, recebendo 100% da receita bruta. No entanto, arcam com 100% dos custos de produção. Essa categoria representa 72% de todas as fazendas da Nova Zelândia.

O segundo sistema, sharemilking, funciona da seguinte forma: o “sharemilker” opera a fazenda como se fosse o proprietário das terras; no entanto, não é. Ele acorda com real dono uma porcentagem dos lucros, utilizando toda a estrutura já pré-estabelecida (instalações, rebanho, maquinário, pastagens, sistema de irrigação), funcionando como se fosse um aluguel, sendo os lucros divididos entre o sharemilker e o real dono. O modelo de contrato mais comum é o 50/50%, onde o sharemilker arca com os custos de produção e salários dos funcionários e o lucro provém da venda da metade do volume do leite produzido mais a venda de animais excedentes (terneiros, novilhas e vacas), enquanto o dono arca com custos de manutenção da propriedade e seus lucros são oriundos dos 50% restantes do volume de produção mais o excedente de leite produzido no mês.

Esse sistema é altamente conveniente para um proprietário idoso que não quer mais se incomodar com o estresse de se produzir leite e não possui herdeiros para deixar a terra e ao mesmo tempo é muito vantajoso para um jovem motivado que quer dar o próximo passo na carreira, mas não possui condições de adquirir a terra, tornando-se um sistema de simbiose,  onde todos saem ganhando. Esse sistema faz parte do plano de carreira das fazendas criado na nova Zelândia, onde um simples assistente de fazenda um dia pode vir a se tornar um competente sharemilker, dependendo apenas de sua própria força de vontade, conhecimento e experiência adquirida.

O terceiro e último sistema é o contract milker, o qual funciona da seguinte forma: uma pessoa é contratada pelo dono da terra para produzir leite, recebendo uma remuneração de acordo com o montante de quilogramas de sólidos de leite produzidos, não arcando com custos de produção, nem com investimentos na propriedade.

De todas as fazendas, 73% delas são operadas no sistema owner-operator, 27% sharemilking e o restante ficando a cargo dos contract milkers.

A Nova Zelândia tornou a produção leiteira em uma indústria altamente atrativa, fazendo com que muitos jovens se interessem por ela. Há pessoas dos quatro cantos do mundo trabalhando nas fazendas, tods compartilhando o sonho de desenvolver uma carreira digna, com salários justos e perspectiva clara de crescimento, as quais é difícil se se obter em seus países de origem, pois a indústria leiteira em outros locais ainda vive no regime tradicional familiar, no qual você é fazendeiro ou peão, não permitindo que o peão vire um dia o fazendeiro.

Para se ter uma perspectiva do quão grande e importante é o segmento leiteiro para os kiwis apresento alguns números de produção referentes ao ano de 2016 e 2017, que deixam claro para o leitor que leite por aqui é coisa séria e um mercado em plena expansão. Nas duas últimas temporadas, o tamanho do rebanho total era de 4,9 milhões de vacas, para uma população 4,8 milhões de pessoas, ou seja, cada habitante poderia possuir uma vaca em casa para consumo de leite fresco diário.

A ilha norte possui 73% dos animais, ficando o restante localizado na ilha sul. São 1,7 milhões de hectares destinados exclusivamente à produção de leite, com uma densidade média de 2,8 vacas por hectare de terra e cada propriedade com um tamanho médio de 147 hectares, cada vaca produzindo uma média de 15 litros/dia, totalizando em média 2900 litros/ano, para um período de lactação de 255 dias.

Esses 15 litros por dia podem até parecer baixos se compararmos com outras realidades mundo a fora, até mesmo a brasileira, mas é válido ressaltar que a base da alimentação aqui é pasto, as vacas caminham longas distâncias para serem ordenhadas, o uso do concentrado é mínimo ou nulo e os animais sofrem com a variação climática ao longo do dia, ou seja, baixo custo, efetividade e produção de pasto são as premissas do sistema.

As leiterias espalhadas pelas duas ilhas processaram 21 bilhões de litros de leite e 1.8 bilhões Kg de sólidos em 2016/2017, transformando matéria prima em leite em pó (37%), leite UHT (21%), queijo (12%) e manteiga (9%), exportando 95% dos seus derivados para mais de 100 mercados espalhados pelo mundo, sendo os principais clientes China, Estados unidos, Emirados Árabes, Austrália e Japão.  

O leite é a principal fonte de proteína consumida no mundo e cada vez mais o mercado consumidor vem aumentando a pressão para se produzir de forma sustentável e eficiente. A Nova Zelândia está aí para nos mostrar que eficiência produtiva, gestão de recursos naturais e gestão de pessoas devem estar alinhados, buscando maximizar os ganhos para quem produz, para quem trabalha, para quem processa e para quem consome esse nobre alimento tão importante em nossas vidas. Viva o leite!

GUILHERME RISTOW

veterinario formado no CAV-UDESC LAGES,atualmente trabalha em uma fazenda de gado leiteiro no estado de Canterbury-Nova Zelândia.

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MIRAFRAN TORRES DE ANDRADE

JOÃO PESSOA - PARAIBA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/02/2018

Ótimo texto e ótimo comentário do Sérgio Blos. Sérgio você fala na produção a pasto, ótimo, gostaria de saber se é feita a suplementação com ração protéica, energética e a mineralização, e em que proporção litro de leite produzido/ kg de ração fornecida.
SERGIO BLOS LOPES

INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 06/02/2018

Ola Mirafran,

Obrigado por seu comentario.

Não fazem suplementação no formato que conhecemos o Brasil, com ração pronta da industria.

A suplementação aqui é feita com silagem de milho, PKE é um farelo originado (resíduo) a partir do processamento do fruto da palma oriundo da Indonésia extrato, silagem de cevada(planta inteira) e grãos de cevada e trigo. Estes são os principais, existem outros e dependem de região, sazonalidade. Apenas citei os mais usados.

O critério utilizado para suplementar vacas primeiro é atender os níveis de proteína, energia, fibra que o pasto não consegue entregar.
Os níveis de suplementação são feitos de acordo com a qualidade do pasto, sendo maior qualidade menor volume de suplementação e quando o pasto tiver menor qualidade e concentração de nutrientes, maior será a suplementação.

De forma geral a suplementação é feita por o rebanho e não individual, visto que a concentração de partos por estação permite simplificar este processo de suplementação e foca em indices de produção por área e por menor custo de por litro de leite (resultado financeiro).

Dentre os modelos de produção utilizados na NZ, existem os que produzem somente a pasto e focam unicamente no menor custo por litro de leite produzido, até os que intensificam ao máximo e que obviamente aumentam o custo por litro. Uma das diferenças entre os sistemas de baixo custo por litro de leite e de maior intensificação é o risco financeiro e econômico. O sistema de baixo custo oferece menor vulnerabilidade no resultado da atividade em relação ao mais intensificados. O mais intensificado está sujeito a uma combinação de mais fatores que elevam o risco da atividade. Como existe uma participação maior de insumos no custo do litro de leite produzido as oscilações de preços de insumos e preço do leite nem sempre são favoráveis para se atingir o resultado desejado pelo produtor e que a atividade requer.

Gostaria de agregar um comentário a minha resposta. Ao longo dos anos, os produtores que vem crescendo na atividade, superando crises, inclusive ganhando mais que outros produtores em períodos de maior dificuldade, seja em menor preço do leite ou outros fatores, são os que tem o menor custo por litro de leite produzido, tem sistemas mais simples, focam muito na qualidade do pasto, no gerenciamento do pasto com indicadores de perfomance muito claros que balizam de fato o que é uma gestão eficiente, baixo custo por kg de matéria seca produzida. Quando falo custo baixo, seja no pasto, no litro de leite, e na atividade, significa principalmente que deve-se concentrar investimentos em insumos que aumentem a produção e diluem os custos da atividade. É importante ter presente que é muito mais rentável concentrar investimento em fertilizante pro pasto do que em maquinas. Estar MUITO atento que focar unicamente no alto desempenho do volume de leite produzido por vaca pode ser muito arriscado pro produtor. O resultado positivo desta atividade ou de qualquer outra está em alcançar o maior resultado financeiro e econômico.

Os produtores da NZ passam por dificuldades de seca, de preços baixos, valor da mão-de-obra mais alta em comparação a do Brasil, dependem muito da exportação e estão sujeitos a volatilidade de preços, não tem taxas de financiamento diferenciadas em relação a outros setores da economia, tem limitantes na produção do pasto como exemplo: menos horas luz, neve e intensas geadas e conseguem ser eficientes em seus negócios por que focam muito no entendimento do seu negocio, na gestão o que facilita e direcionam com mais acertividade a tomada de decisão.

Fui além do que me perguntou, mas como sou um apaixonado pela atividade e pela produção, quiz dividir mais comentários e conteúdo contigo e leitores.
EM RESPOSTA A SERGIO BLOS LOPES
GUILHERME RISTOW

JOINVILLE - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 13/02/2018

Obrigado por esse monte de informação interessante Sergio.
FERNANDO ENRIQUE MADALENA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 01/02/2018

Parabéns Dr. Gulherme. A produção de leite na Nova Zelândia tem mesmo muitos aspectos exemplares. Me impressiona especialmente o fato que os proprietários "metem a mão na massa", trabalhando diretamente nas fazendas, e também o alto nível de educação de todos os envolvidos, proprietários e funcionários.
GUILHERME RISTOW

JOINVILLE - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 13/02/2018

Sim, esss organização vem desde de dentro da fazenda até os serviços prestados por terceiros, a cadeia toda vai bem.
CAIO VINICIOS

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 30/01/2018

Ótimo texto!
Guilherme, sou formado em laticinios, atualmente trabalho na Itambé, tenho bastante interesse em estudar sobre leite na nova Zelândia, seja como estagio ou uma espécie de intercâmbio, você acredita ser possível e quais ações eu devo ter para conseguir isto.
Desde já agradeço abraços!!
GUILHERME RISTOW

JOINVILLE - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 13/02/2018

Caio, me envie um e- mail. guilhermeristow@outlook.com.br
DANILO CHAGAS

NITERÓI - RIO DE JANEIRO - PESQUISA/ENSINO

EM 30/01/2018

Parabéns Guilherme pelo artigo,
Mostra-nos uma realidade interessante e bastante interessante dos produtores neozelandeses e para aqueles que trabalham no cadeia produtiva do leite. Considerando que no Brasil temos sistemas de criação semelhante mas interferência das políticas públicas governamentais muitas vezes inviabilizam o lucro pelo excesso de impostos.
GUILHERME RISTOW

JOINVILLE - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 13/02/2018

Correto Danilo, acredito que todos os setores no Brasil enfrentam dificuldades pelo excesso de impostos.
ANDRÉ THALER NETO

LAGES - SANTA CATARINA - PESQUISA/ENSINO

EM 29/01/2018

Belo artigo Guilherme, ficamos orgulhosos do teu trabalho.
Seria muito interessante continuar esta série de artigos.
GUILHERME RISTOW

JOINVILLE - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 13/02/2018

Obrigado professor André.
VIVIANN Y. EINSFELD

SÃO JORGE D'OESTE - PARANÁ

EM 29/01/2018

Parabéns pelo artigo, rico em informações!
DIVANIR RUBENICH

CARLOS BARBOSA - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/01/2018

Muito interessante este texto Guilherme. Agradeço pelas informações contidas.
Nos mostra que é possível fazer mais (eficiência = lucro) com menos (15 litros/vaca na média a pasto = baixo custo).
É como por exemplo rodar 30.000 km em 12 meses num carro de luxo ( investimento maior, consumo maior, manutenção mais cara, imposto maior ) ou num caro popular ( investimento menor, baixo consumo, manutenção acessível, imposto menor ).
O sistema mais simples de produção (leite a pasto) é mais lucrativo e também menos trabalhoso e dispendioso.
SERGIO BLOS LOPES

INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 29/01/2018

Exatamente Divanir, o leite produzido num sistema com base pasto sempre sera mais rentável ao produtor.

O produtor que olhar para produção de sólidos por hectare com certeza estará perpetuando seu negocio.

Pasto é o alimento perfeito para a vaca, e no Brasil temos a vantagem de ter resíduos da industria processadora de grãos como fonte de suplemento para dieta e uma das melhores condições para se produzir pasto. Atualmente estou na Nova Zelândia, conheço o oeste de SC e posso afirmar que conheço produtores que alcançam volumes de produção de MS/ha muito maiores que os da Nova Zelândia. Produzir pasto aqui não é tao fácil como no Brasil, a diferença MAIOR esta na gestão deste recurso, no sentido de como colher melhor e maximizar a produção de leite por hectare ao longo do ano.

O autor cita a LIC como principal e maior fornecedora de semen e genética no pais. Vale ressaltar que a LIC é uma cooperativa dos produtores e tem como objetivo selecionar, desenvolver e aperfeiçoar a genética para o resultado financeiro e econômico do produtor. A LIC trabalha para que o produtor tenha resultado no bolso, sem nenhuma demagogia, é assim mesmo. O teste de aptidão leiteira (herd Testing) serve como monitor para respaldar a base de dados e então avaliar pontos de melhoria e seleção. Esta genética da LIC pode dar aos produtores no RS uma perspectiva de muitos ganhos.

Quanto ao clima perfeito, conforme cita o autor, acredito que está embalada também pela alegria e a emoção de estar aqui, contudo não existe falha em sua avaliação. O clima é bom, entretanto deve-se mencionar que esta "perfeição" também impõe desafios aos produtores como em qualquer parte do globo. Recentemente a Nova Zelândia passou por um período de estiagem muito severo
(meados de novembro ate meados de janeiro), que inclusive o ministério declarou situação de crise do setor leiteiro. Muitos produtores passaram a ordenhar uma vez por dia em virtude da falta de pasto, outros não reduziram ordenhas e usaram suplementos do outono neste período de estiagem, reduzindo suas margens e obvio que projetando pro futuro a realização de perdas contábeis. No inverno de 2017 o excesso de chuvas foi um problema também. "La Niña" e "El Niño" também afetam a produção neste país.

A região de Canterburry é uma região muito seca do país e chove ao redor de 700mm/ano em virtude das chuva que vem da Tasmania(oeste) esbarrarem na cordilheira da ilha sul e não cruzarem para o lado leste. É uma região boa sobre alguns aspectos e não tao boa por outros. Esta região depende muito de irrigação e isto implica em custos no leite e redução de margem quando falta agua também. Mesmo com irrigação, não quer se dizer que o produtor possa irrigar o ano todo. Existe um limite e este limite esta ligado as reservas de agua que cada fazenda tem.

Parabéns Guilherme Ristow por sua iniciativa de escrever sobre a Nova Zelândia, sobretudo pelo forma que posiciona a questão da eficiência e o foco no lucro. PRODUZIR MENOS POR VACA, MAIS VACAS POR HECTARE E CUSTO BAIXO POR LITRO DE LEITE PRODUZIDO É O CAMINHO PARA O CRESCIMENTO DO PRODUTOR!!!
EM RESPOSTA A SERGIO BLOS LOPES
GUILHERME RISTOW

JOINVILLE - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 13/02/2018

Obrigado pela correção sobre o clima da Nz. Você trabalha em qual estado Sergio?