Respostas hormonais após resincronização com progesterona e estradiol em vacas de leite lactantes inseminadas, e ainda sem diagnóstico de gestação

O objetivo desse trabalho foi obter respostas hormonais após resincronização com progesterona e estradiol em vacas de leite lactantes inseminadas. Saiba mais.

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O objetivo deste experimento foi determinar se o primeiro estro após a inseminação artificial pode ser resincronizado em vacas que ainda não tiveram realizado o diagnóstico de gestação (Estrus, ovarian, and hormonal responses after resynchronization with progesterone (P4) and estrogen in lactating dairy cows of unknown pregnancy status. J. Dairy Sci., vol. 85, suppl 1, no 390, p.98, 2002).

No 13o dia após a inseminação artificial em tempo fixo (Ovsynch), todas as vacas receberam implante de progesterona (CIDR reutilizado) por sete dias. As vacas foram aleatoriamente distribuídas em grupos, sendo que um grupo não recebeu mais nenhum tratamento hormonal, e os outros receberam benzoato de estradiol (BE, 1mg) ou cipionato de estradiol (ECP, 0,5 ou 1mg), nos dias 13 e 21.

Colheram-se amostras de sangue entre os dias 13 e 24 para análise das concentrações de progesterona e estradiol As estruturas ovarianas foram mapeadas em 63 vacas, do dia 13 ao 24, e de 121 vacas, do dia 20 ao 24. O diagnóstico de gestação foi realizado por ultra-sonografia nos dias 28 e 56.

Resultados

As doses utilizadas de ECP e a de Benzoato não influenciaram a ingestão de matéria seca e nem a produção de leite entre os dias 13 e 24 pós IA.

As aplicações de estradiol não apresentaram efeito negativo no estabelecimento de gestação no diagnóstico do dia 28, sendo de 41% (n=51), 41% (n=48), 37% (n=44) e 39% (n=47), para os grupos controle, EB, ECP 0,5mg e ECP 1,0mg, respectivamente.

A sobrevivência embrionária (avaliada comparando diagnóstico entre o 28º e 56º dia) foi menor (P<0,05) após EB (62%) que nos grupos controle (86%), ECP-0,5mg (69%) e ECP-1,0mg (89%).

Nas vacas vazias, as concentrações de progesterona entre os dias 13 a 24 foram menores (P<0,05) após EB (1,8 + - 0,4 ng/ml), ECP - 0,5 (2,4 + - 0,4 ng/ml) e ECP - 1 (1,6 + - 0,4 ng/ml), que nos animais controle (2,8 + - 0,4 ng/ml), ao passo que não houve decréscimo nas vacas gestantes.

A concentração de estradiol foi maior (P<0,05) nos dias 14 e 22 nas vacas que receberam estradiol em relação às vacas controle, sendo que o estradiol permaneceu mais elevado entre os dias 16 e 24 após o EB e ECP-1mg.

Um novo folículo dominante nos grupos que receberam aplicação de estradiol no dia 13 foi detectado mais rapidamente (P<0,05, 2,6 + - 0,5 dias) que no grupo controle (4,3 + - 0,7 dias).

Um maior número de vacas vazias (P<0,05) tratadas com estradiol ovularam após o dia 21 (70%; n=64) que no grupo controle (42%; n=24), ao passo que em vacas gestantes as porcentagens foram similares (5%; n=45 vs 5%; n=20), respectivamente.

De 122 vacas vazias, 61% foram detectadas em estro e inseminadas entre os dias 21 e 26, e a taxa de concepção foi semelhante (controle = 31%, n=16; EB = 30%, n=20; ECP-0,5 = 38%, n=24; ECP-1 = 31%, n=16).

O número de vezes em que as vacas aceitaram a monta (P=0,11), a duração de tempo em que aceitaram monta (P<0,05) e os intervalos para o estro (P = 0,10) após o dia 21 foram maiores para as vacas que receberam EB do que as que receberam ECP.

Os dados sugerem maior taxa de vacas ovulando após a resincronização (70% vs 42%), e que aplicação de estradiol mais implante com CIDR não teve efeito negativo no estabelecimento da gestação e na subseqüente concepção, ou seja, a resincronização pode ser mais uma ferramenta a ser utilizada visando aumentar a taxa de prenhez.
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Material escrito por:

José Luiz Moraes Vasconcelos

José Luiz Moraes Vasconcelos

Médico Veterinário e professor da FMVZ/UNESP, campus de Botucatu

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