ESQUECI MINHA SENHA CONTINUAR COM O FACEBOOK SOU UM NOVO USUÁRIO
Buscar

Relação entre características reprodutivas e longevidade funcional em vacas leiteira Canadenses

POR RICARDA MARIA DOS SANTOS

E JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

JOSÉ LUIZ M.VASCONCELOS E RICARDA MARIA DOS SANTOS

EM 21/10/2008

2 MIN DE LEITURA

2
0
Este texto é parte do artigo "Relationship Between Reproduction Traits and Functional Longevity in Canadian Dairy Cattle", publicado pelos pesquisadores: A. Sewalem, F. Miglior, G. J. Kistemaker, P. Sullivan, B. J. Van Doormaal, em 2006 na revista: Journal of Dairy Science, v.91, p.1660-1668.

A longevidade é uma característica muito desejável se considerado seus efeitos na rentabilidade das fazendas leiteiras. Com o aumento da longevidade, a produção média do rebanho aumenta por duas razões. Primeiro, grande proporção dos descartes é feita baseada em produção. Segundo, a proporção de vacas maduras do rebanho, que são mais produtivas do que as vacas jovens, aumenta (Allaire and Gibson, 1992; VanRaden and Wiggans, 1995).

A longevidade é determinada pelos descartes voluntários e involuntários. Na decisão dos descartes entram as características de produção, saúde, fertilidade e outras características funcionais como velocidade de ordenha, temperamento e facilidade de parto. Geralmente os descartes por baixa produção são chamados voluntários e os descartes por outras razões são chamados involuntários. A redução do descarte involuntário permite o aumento da reposição voluntária, o que pode aumentar a rentabilidade da fazenda.

O desempenho reprodutivo é outro fator que afeta a lucratividade de um rebanho leiteiro. O inadequado desempenho reprodutivo de um rebanho, observado pelo aumento do intervalo entre partos, aumento dos descartes involuntários ou ambos, podem resultar em menos leite e bezerras por vaca por ano. Outras conseqüências incluem o aumento dos custos de reposição e baixo retorno econômico.

Até 10 a 15 anos atrás os programas de melhoramento genético eram orientados por características de produção (Leitch, 1994). No entanto, características funcionais, como reprodução, longevidade e saúde estão despertando interesses dos produtores por estarem relacionadas com aumento da rentabilidade do rebanho. Miglior et al. (2005), em suas comparações de índices de seleção internacional, relataram que o foco das seleções mudou da produção para um balanceamento entre longevidade, saúde do úbere, conformação e reprodução.

O objetivo do estudo de Sewalem, et al. (2008) foi determinar a relação entre as características reprodutivas e a longevidade funcional em vacas leiterias canadenses. Foram utilizados os dados de 1.702.857 vacas Holandesas; 67.470 vacas Ayrshire e 33. 190 vacas Jersey.

A longevidade funcional foi definida como o número de dias do primeiro parto até o descarte ou morte da vaca, ajustado para produção de leite. Foram consideradas as seguintes características reprodutivas:
- Características do parto - facilidade de parto; tamanho do bezerro; sobrevivência do bezerro;
- Características de fertilidade - número de serviços/concepção; intervalo parto-primeiro serviço; intervalo primeiro serviço-concepção; período de serviço.

As análises foram feitas separadamente para cada característica reprodutiva. Foi detectada uma associação entre características reprodutivas e longevidade em todas as raças.

Um aumento do risco de descarte foi observado em vacas que precisaram de ajuda ao parto (bezerro puxado com muita força), pariram bezerro pequeno ou morto. Vacas com maior número de serviços/concepção, maior intervalo primeiro serviço-concepção, intervalo parto-primeiro serviço maior que 90 dias e maior período de serviço apresentam maior chance de serem descartadas. Concluindo que vacas com baixa fertilidade têm maior risco de serem descartadas do que suas companheiras do rebanho.

RICARDA MARIA DOS SANTOS

Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia.
Médica veterinária formada pela FMVZ-UNESP de Botucatu em 1995, com doutorado em Medicina Veterinária pela FCAV-UNESP de Jaboticabal em 2005.

JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

Médico Veterinário e professor da FMVZ/UNESP, campus de Botucatu

2

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

RICARDA MARIA DOS SANTOS

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 04/11/2008

Prezado Carlos Sampaio Faria Filho,
O texto foi apresentado com o objetivo de mostrar que a reprodução não é uma característica isolada, mas esta relacionada com toda a vida produtiva da vaca.

A avaliação da longevidade é realmente muito complexa, pois um grande número de características tem efeito sobre a mesma como: produção de leite (Dentine et al., 1987), fertilidade (Dentine et al., 1987; Roxström and Strandberg, 2002), saúde (Geishauser et al., 1998; Neerhof et al., 2000), e outras características físicas da vaca (Cue et al., 1996; Larroque and Ducrocq, 2001; Schneider et al., 2003).

Muitos estudos têm avaliado a relação genética entre características diferentes de produção e a longevidade da vaca de leite (Short and Lawlor, 1992; Vollema et al., 2000; Larroque and Ducrocq, 2001).).

Entre as características diferentes de produção, a mais fortemente relacionada com longevidade é a conformação do úbere (Short and Lawlor, 1992; Dekkers et al., 1994; Schneider et al., 2003; Vollema and Groen 1998; Buenger et al., 2001; Larroque and Ducrocq, 2001; Chirinos et al., 2003; Caraviello et al., 2003).

A relação entre, conformação de pés/pernas e longevidade é menos consistente. Alguns estudos (Rogers et al., 1989; Burke and Funk, 1993; Schneider et al., 2003) reportaram significante relação entre conformaçãpo de pés/pernas e longevidade, outros estudos reportaram pequena ou nenhuma relação (Cassell et al., 1990; Larroque and Ducrocq, 2001). Burke and Funk (1993) reportaram que a relação entre pés/pernas e longevidade depende do tipo de instalação que a vaca é mantida.

As avaliações genéticas dos touros canadenses (Sewalem et al., 2007) incluem a informação da sobrevivência das filhas (vida do rebanho direta) e as informações de conformação, fertilidade, úbere, e saúde relacionados com longevidade (vida do rebanho indireta).

A avaliação genética baseada na vida direta do rebanho é baseada na sobrevivência da vaca no primeiro parto até 120 dias em lactação (DEL), de 120 a 240 DEL, e de 240 DEL até o segundo parto, e a sobrevivência no terceiro e quarto parto.

Temos cada vez mais que nos preocupar com longevidade, pois esta é uma característica muito desejável se considerado seus efeitos na rentabilidade das fazendas leiteiras (aumento dos descartes voluntários e aumento da proporção de vacas maduras no rebanho).
CARLOS SAMPAIO FARIA FILHO

OUTRO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 03/11/2008

Boa noite.

Como já é de conhecimento de muitos o relatado neste artigo, da necessidade de se buscar a vaca ideal de alta produção e longevidade que, para tanto, essa deve apresentar diversas características, com avaliação positiva, não só em questão de parto e fertilidade, mas também um bom conjunto de pernas, um ótimo sistema mamário e capacidade corporal, portanto entendo que este artigo deveria trazer detalhes como: qual o perfil definido por eles para este animal? O que fazem os canadenses hoje, para conseguir este animal?

Abraços.
Sampaio
MilkPoint AgriPoint