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Quem deve criar as novilhas de reposição?

POR JOSÉ ROBERTO PERES

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 30/06/2000

4 MIN DE LEITURA

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José Roberto Peres

A grande maioria dos produtores de leite nunca se fez esta pergunta. Eles simplesmente criam todas as bezerras nascidas, ou seja, essencialmente todos os animais necessários para reposição, mais alguns extras.

Com a globalização, o produtor de leite passou a sofrer pressão para que se torne mais competitivo e especializado. Uma possível saída é a expansão, para que se ganhe em economia de escala. Este é um processo que ocorreu na indústria e parece uma tendência na agricultura. Muitos, no entanto, não possuem área para expandir sua produção de alimentos ou até mesmo para alojar maior número de animais.

Uma grande dúvida que já vem sendo discutida por produtores de leite em alguns países é se o produtor de leite deve ou não continuar criando os animais de reposição do rebanho ou se deve concentrar esforços num maior número de vacas em lactação. A criação de animais de reposição na fazenda exige investimentos tais como produção de alimentos, mão-de-obra e manejo que de outra forma poderiam ser destinados ao rebanho em lactação ou vendidos.

Nos Estados Unidos, por exemplo, este parece ser um processo em franca expansão e muitas fazendas simplesmente não criam animais de reposição, eles são comprados de regiões onde a criação a baixos custos é facilitada.

Quais seriam as alternativas para isso?

1. Criar todas as novilhas de reposição.
2. Criar parte das novilhas de reposição e comprar o restante.
3. Comprar todas as novilhas de reposição e concentrar os esforços na produção de leite.
4. Criar os bezerros até a desmama e em seguida terceirizar a criação a fazendas especializadas na criação de novilhas (através de contratos nos quais as novilhas continuam de propriedade do produtor e retornam à fazenda 2 meses antes do parto).

Os argumentos para a criação de todas as novilhas são fortes: controle sobre a genética do rebanho e idade ao primeiro parto; controle da saúde do rebanho, especialmente no que se refere a doenças crônicas e de difícil detecção como tuberculose, paratuberculose, leucose, etc...; aproveitamento de instalações preexistentes na fazenda, que de outra forma não teriam uso; a mão-de-obra normalmente já está organizada para isto; criação eficiente, de menor custo, o que é discutível pois a maioria não considera uma série de custos envolvidos no processo; medo de possíveis problemas com contratos (no caso de criação terceirizada); e principalmente por que esta é a maneira tradicional de se conduzir uma fazenda leiteira.

Em contrapartida, os argumentos contra a criação de (todas) novilhas de reposição também merecem consideração: o manejo normalmente exige grande distribuição de tempo e as novilhas acabam recebendo pouca atenção; o custo de oportunidade da criação de novilhas é muito alto: em algumas regiões o custo de criação de uma novilha é semelhante ou até superior ao de compra de animal de igual valor genético, além disso, alguns alimentos e até mesmo a mão-de-obra serão melhor remunerados se empregados na produção de leite (especialmente onde a produção de volumosos é limitada); a criação terceirizada pode permitir redução da idade ao primeiro parto, diminuindo o número de animais improdutivos no rebanho; a especialização do produtor pode permitir maior eficiência na produção de leite; a especialização por parte do criador pode permitir a redução nos custos de criação.

Sob o ponto de vista do produtor de leite, o custo (real) de criação e seus riscos devem ser comparados ao custo da compra ou terceirização da criação, somados aos possíveis ganhos (em escala e eficiência) com a ordenha de maior número de vacas.

Já sob o ponto de vista do criador especializado, o contrato de criação deve cobrir seus custos com remuneração para o alimento, instalações e seu trabalho; o trabalho deve ser desenvolvido de tal forma a criar confiança do produtor para que se torne um processo contínuo e duradouro, podendo criar uma nova forma de envolvimento com a pecuária leiteira para aqueles que não querem ordenhar vacas.

A criação terceirizada de novilhas já é uma realidade nos Estados Unidos, sendo que foi criada há alguns anos a "Associação dos Criadores Profissionais de Novilhas Leiteiras" que tem por finalidade congregar os profissionais ligados a esta atividade para discutir problemas e encontrar alternativas para o sucesso desta nova modalidade de criação.

A contratação da criação de novilhas deve ser ao mesmo tempo simples, com definição clara das responsabilidades de cada parte e das metas a serem alcançadas na criação; e justa para que ambas as partes fiquem protegidas contra possíveis prejuízos.

Comentário do autor: No gado de corte é comum a especialização numa determinada fase do processo (cria, recria e engorda). A especialização na criação de novilhas leiteiras também precisa começar a ser discutida em nosso meio e seria interessante alguns estudos de sua viabilidade por parte das universidades. Parece já existir alguns projetos deste tipo em algumas regiões do Paraná e Goiás. É preciso maior troca de informações no sentido de se desmistificar o assunto.

 

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fonte: STANTON, B.F e KARSZES, J., 1991. Who Should Raise Dairy Replacements? Current Practices and Costs. Heifer Management Symposium. Cornell University.

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