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Qualidade do leite versus qualidade da água

POR JOÃO LUIS DOS SANTOS

GESTÃO DA ÁGUA

EM 01/07/2016

2 MIN DE LEITURA

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Com o intuito de buscar informações importantes para a cadeia láctea e ampliar o conteúdo de qualidade publicado, o MilkPoint estreou hoje o blog "Gestão da Água". O canal será abastecido por João Luis dos Santos, diretor e fundador da Especializo. A "Especializo Qualidade da Água" é especializada em gestão ambiental da produção animal. Na produção de leite, atua na gestão da qualidade e quantidade da água destinada as diversas etapas envolvendo a dessedentação e processos de higiene e limpeza, fontes alternativas de água e tratamento de águas residuárias. Assuntos como padrão de qualidade de água ideal para produção de leite, impactos da qualidade do leite na saúde da vaca e nos custos de produção, serão abordados, assim como outros temas. Nos acompanhe!

Confira o primeiro artigo do blog "Gestão da Água":

No último dia 3 de maio, o Ministério da Agricultura, se viu obrigado a prorrogar o prazo para os novos limites previstos na Instrução Normativa 62 (IN62), que deveriam entrar em vigor em 1º de julho de 2016 e reduziriam de 500 mil CCS por ml para 400 mil CCS/ml e, bem como, de 300 mil UFC/ml para 100 mil UFC/ml a contagem bacteriana (CPP). Com a decisão, os novos limites ficam prorrogados por mais dois anos.

Para um país de tradição agrícola, cujo agronegócio é essencial para o equilíbrio da balança comercial, entre os líderes na exportação de produtos como carnes, o Brasil poderia ser o maior produtor e exportador de leite do mundo. No primeiro evento sobre qualidade de leite que participei, na palestra do Dr. Humberto Monardes, quanto a esse tema, ao responder a pergunta sobre o que faltava para o Brasil ele respondeu: higiene.

Ninguém faz uma higiene adequada com água suja, contaminada. Creio que o leitor não tomaria banho com uma água que saísse de seu chuveiro turva ou barrenta. Parte fundamental dos procedimentos de higiene e limpeza, a água deve ser isenta de contaminação microbiológica. Ocorre que laticínios e produtores compram detergentes altamente eficientes para higienização, investem em equipamentos sofisticados e automatizados, aquecedores de água, salas de ordenha totalmente revestidas, alimentação e manejo adequado, mas não dedicam atenção à sua água.

A qualidade da água utilizada nos procedimentos de higiene e limpeza tem impactos diretos na CPP. Os coliformes, e outras bactérias, em temperatura acima de 13 graus e na presença de nutrientes (leite), dobra de população a cada 20 minutos. A presença destes micro-organismos na água tem ainda relação direta com a ocorrência de mastite ambiental.

No Rio Grande do Sul e Minas Gerais, produtores que têm implantado um simples processo de cloração da água, associados aos procedimentos adequados, já alcançaram os limites da IN62.

Quanto tempo mais precisaremos prorrogar a Instrução Normativa 62?

 

JOÃO LUIS DOS SANTOS

Mestre em engenharia agrícola pela Unicamp/Feagri na área de concentração de águas e solo. Atua a mais de 15 anos no desenvolvimento de soluções e tecnologias para tratamento da água na produção animal. Diretor e fundador da Especializo.

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JOÃO LUIS DOS SANTOS

CAMPINAS - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 20/09/2017

Caro Juarez

Obrigado por sua pergunta.
Pelo que entendi pretende fazer uso desta água de reuso para a dessedentação animal?
Corrija-me se estiver errado, por favor.
Quanto ao parâmetros os principais são fosforo, série de nitrogênio, DBO e DQO.
Como você esta em MG precisa ver no órgão ambiental se há alguma exigência específica.
Mas isso se aplica no caso de descarte.
para o caso de reuso tem que estar adequada para sua finalidade de reuso.
Não recomendaria para uso na dessedentação.
Como esta dentro de uma fazenda deve ser possível utilizar em irrigação.
Bom, precisaria de mais detalhes para poder orientar melhor.

Fico a disposição, abraço
JUAREZ MALTA TEIXEIRA

ALPINÓPOLIS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 19/09/2017

João, belo trabalho e informações, estou tentando elaborar um projeto de reuso de agua de uma indústria de laticínios, a indústria fica dentro de uma fazenda, após os efluentes serem tratados são descartado na natureza e necessitamos efetuar o reuso, que seria para dessedentação de animais (vacas leiteiras) , pois a agua é preciosa. A questão é qual o tipo de tratamento correto para atender a legislação, quais parametros de analises seria o correto para verificar a eficiência do tratamento. Em primeiro momento já cloramos a agua descartada da estação de tratamento de efluentes e analisamos em nosso laboratório interno e os resultados em primeiro momento foram excelentes. A questão é que consultando um veterinário do MAPA ele orientou que tenho que focar é na cloração da agua, pois as vacas ao sentir o odor e/ou gosto do cloro ou detergentes se for o caso não irá tomar a agua, é ai que preciso de ajuda e caso for um assunto novo tentaremos lançar um debate para buscar um resultado de exelência pois talvez estejamos despresando uma fonte em potência de economizar agua. Adm@sanmariana.com.br
JOÃO LUIS DOS SANTOS

CAMPINAS - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 01/08/2016

Caro André, obrigado por sua participação.
Temos desenvolvido um intenso trabalho no RS onde a Santa Clara é atualmente uma grande parceira. Estive por duas semanas participando de ciclos de palestras para os produtores da cooperativa. Vou encaminhar em seu e-mail alguns trabalhos e informações sobre o tema.
Caso precise de apoio local também vou enviar o contato do Michel da Sanitech de Lageado.

precisando é só contatar.
Abraço.
ANDRÉ WANDERLEY MORENO SANTOS

GRAVATAÍ - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 01/08/2016

Olá João Luis. Meus parabéns pelo conteúdo, que é de suma importância pra nós.
Trabalho como analista de fomento na atividade leiteira e sempre busco bater nessa tecla de qualidade da água e consequentemente qualidade do leite. Gostaria que me enviasse também os trabalhos que tens sobre cloração da água, pois temos trabalhado muito em cima disso e quanto mais embasamento melhor.
Meu e-mail é andre.santos@coopsantaclara.com.br!

Obrigado
JOÃO LUIS DOS SANTOS

CAMPINAS - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 20/07/2016

Prof Benedetti é uma grande satisfação ter sua participação nesse fórum.
Tenho me empenhado em buscar parcerias locais para esse trabalho, entendemos que os fornecedores de produtos, equipamentos e assistência técnica devem ser locais para facilitar o atendimento aos produtores e cooperativas. Temos avançado nisso mais ainda muito lentamente. É difícil convencer profissionais da área comercial como nutrição e veterinária ou mesmo equipamentos de de ordenha da importância de trabalhar com a questão da água. Mas, temos avançado, não na velocidade que gostaríamos, mas no ritmo bem brasileiro que bem conhecemos. Fico a disposição para contribuir no Programa Leite a Pasto - Educação Continuada, Forte abraço.
EDMUNDO BENEDETTI

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 20/07/2016

Muito boa a informação, a qual perseguimos há algum tempo. Todavia encontramos séria dificuldade de corrigir esta ausência de cuidado com a falta de qualidade da água usada nas propriedades rurais, principalmente na limpeza e higienização dos equipamentos e utensílios. João Luis precisamos que os representantes de aparelhos como filtros e cloradores estejam presentes nas cooperativas de leite oferecendo os aparelhos e ensinando os seus usos. Sabemos que existem, informamos as condutas e procedimentos, mas esbarramos na falta de oferta. Devemos agir...Nós do Programa Leite a Pasto - Educação Continuada teremos imenso prazer em divulgar e convidar representantes para de fato melhorarmos a qualidade da água usada na atividade leiteira. Parabens pelo seu trabalho e conte conosco sempre.
LEONARDO BARROS CORSO

APUCARANA - PARANÁ - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 08/07/2016

Muito obrigado pela informação. Gostaria muito de ler mais sobre o tema. Meu e-mail lcorso@deheus.Com
Um abraço. Leonardo Corso
JOÃO LUIS DOS SANTOS

CAMPINAS - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 06/07/2016

Olá Prof. Thaler,

Obrigado pelo apoio agora e outras ocasiões que me acolheram e tive oportunidade de desenvolver trabalhos em conjunto com a UDESC - CAV.
Certamento o conhecimento que tenho hoje, bem como tudo que ainda preciso saber, não seria possível sem pessoas dispostas a ensinar.

Abraços.
ANDRÉ THALER NETO

LAGES - SANTA CATARINA - PESQUISA/ENSINO

EM 06/07/2016

João Luis

Meus parabéns pelo blog. Pelo teu profundo conhecimento sobre o tema, certamente a cadeia produtiva do leite terá muito a ganhar.
JOÃO LUIS DOS SANTOS

CAMPINAS - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 05/07/2016

Olá Célio,
Muito obrigado pelo apoio.

Abraços
JOÃO LUIS DOS SANTOS

CAMPINAS - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 05/07/2016

Olá Leonardo Corso, obrigado por sua participação.

Você tocou no assunto que mais gosto de falar, mesmo porque projeto de mestrado foi sobre: Potencial de aproveitamento da água de chuva na produção de leite.
Um dos temas que abordaremos aqui será justamente água de chuva

Mas adiantando suas perguntas, os principais fatores a serem considerados são:

1. Qualidade microbiológica: toda água de chuva contem contaminação, inclusive por coliformes fecais de aves que pousam nos telhados. Para solucionar o problemas temos que clorar essa água.

2. Qualidade físico-química:
Orgânica, considere que em áreas rurais você poderá ter pulverização de produtos em lavouras que podem se acumular no telhado. Soluciona-se esse problema descartando a primeira chuva.

Inorgânica: Praticamente isenta de minerais a água de chuva tem um único parâmetro que poderá ser preocupante, o pH que normalmente é ácido. Mas, a maioria da s águas subterrâneas ou são ácidas ou alcalinas, logo isso pode não ser um fato de preocupação.
Sendo assim, sua maior preocupação deve ser a microbiologia que se resolve com filtração uma cloração.

No meu projeto coletei 10 amostras num período de 5 meses e acompanhei a qualidade da água analisando em laboratório certificado pelo Inmetro e comparando com a mais rigorosa norma de potabilidade de água, a Portaria 2914.
Defendo que se coletada e armazenada de forma segura, com uma simples filtração de cloração, esta é a melhor água que se pode obter na produção de leite.
Caso queira ler a dissertação me passe um e-mail que mando ela e outros materiais sobre cloração de água.

Abraços e sucesso.
JOÃO LUIS DOS SANTOS

CAMPINAS - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 05/07/2016

Olá Marcelo Bastos, excelente colocação.

Infelizmente o quadro que descreveu é uma realidade em todo Brasil, seria preconceituoso de minha parte restringir problemas como esse a este ou aquele estado. Por outro lado os exemplos positivos também estão por todo Brasil.
Pagar por qualidade certamente contribui para incentivar o produtor a promover melhoras, mas penso que nem todos laticínios estão preocupados com em fornecer produtos de qualidade e com a segurança alimentar.
Entretanto esse é um caminho sem volta, podem até prorrogar, mas a lei terá que entrar em vigor para todos. Infelizmente o momento que nosso pais atravessa não deixa muito espaço para falar em ética, mas penso que não podemos exigir aquilo que não podemos (ou não queremos) dar.
Sendo assim, concluo dizendo que aquele produtor que hoje já produz seu leite com responsabilidade e segurança não deve olhar para traz e sim se espelhar naqueles que são melhores que ele e continuar seu trabalho com excelência que certamente um dia será recompensado.
Obrigado por sua participação, conheço seu trabalho e admiro muito, parabéns.
FRANCISCO CELIO DOMINGOS DE SOUSA

SÃO PAULO - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 05/07/2016

Parabéns João muito bom artigo !
LEONARDO BARROS CORSO

APUCARANA - PARANÁ - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 05/07/2016

Bom dia, concordo com a grande importância da qualidade da água na fazenda e na indistria para a produção de leite e derivados de qualidade. Na região que atuo como técnico em nutrição estão aumentando os sistemas intensivos de produção de leite. Muitos compost barns e freestalls coletando água da chuva por obterem grande área de cobertura. Minha dúvida: A água da chuva teria algum fator importante a ser avaliado para uso no consumo direto das vacas? Para eu aproveitar essa água para consumo pelos animais, existe alguma pratica necessária como cloração por exemplo? Como fazer de maneira pratica? Quais as principais diferenças entre a água da chuva coletada nos telhados e armazenada em tanques e a água potável de minas e poços artesianos, para o consumo dos animais? Obrigado, Um abraço.
MARCELO BASTOS

RIBEIRÃO PRETO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/07/2016

Caro João, boa tarde. Grato pelo importante conteúdo discutido. Temos problemas de qualidade do leite lá no interior da Bahia e os produtores que melhoram a qualidade do leite com procedimentos simples não são valorizados pois o leite bom deles é colocado no mesmo caminhão dos produtores com leite muito contaminado. O laticínio ainda não paga pela qualidade. Nesse caso estão fazendo um desserviço ao achatarem tudo a pior qualidade. Tenho certeza que ao pagarem melhor pela qualidade, automaticamente muitos produtores criariam a necessidade da melhora, mesmo que não fosse pelo conceito em si da higiene mas sim pelo lucro e com o tempo a consciência viria. O que acha desse cenário em outros locais do Brasil ?
MilkPoint AgriPoint