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Análise de água em produção leiteira. Parâmetros físico-químicos - Parte 1

POR JOÃO LUIS DOS SANTOS

GESTÃO DA ÁGUA

EM 28/07/2017

2 MIN DE LEITURA

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Recomendo ao leitor que ainda não leu o post anterior Análise de água em produção leiteira - parâmetros microbiológicos” que inicie a leitura pelo mesmo para a melhor compreensão deste. Vamos dividir este material em duas partes, sendo que na primeira, focaremos na cloração e a segunda, nos demais parâmetros físico-químicos fundamentais para o controle da segurança da produção leiteira.

A análise do cloro deve ser realizada no momento da coleta para a análise microbiológica, razão pela qual vamos tratar esse parâmetro separado dos demais. Frascos de coleta para analise bacteriológica devem conter um produto que neutraliza a ação bactericida do cloro como tiossulfato de sódio ou bissulfito de sódio. Assim, durante o período de transporte até o laboratório, não há o risco de o cloro continuar eliminando bactérias, gerando um falso resultado.

Caso haja ciência de que a água não é clorada - isso confirmado pelo solicitante da coleta - não há necessidade de realizar a análise de cloro desde que o coletor tenha segurança da informação e anote na planilha de coleta. Cabe alertar que alguns laboratórios cobram a análise de cloro independentemente da mesma ser realizada ou não. Isso ocorre porque na solicitação de exame microbiológico da água dentro dos padrões de potabilidade faz parte, por norma da vigilância sanitária, a análise do parâmetro cloro. Logo, não anotar o resultado no laudo final da análise da água caracteriza um erro que pode ser passível de punição caso o laboratório seja credenciado pelos órgãos reguladores para tal procedimento.

Segundo padrão de potabilidade expresso na legislação vigente, Portaria 2914 seguem as instruções:

Art. 34. É obrigatória a manutenção de, no mínimo, 0,2 mg/L de cloro residual livre em toda a extensão do sistema de distribuição (reservatório e rede).

§ 2º Recomenda-se que o teor máximo de cloro residual livre em qualquer ponto do sistema de abastecimento seja de 2 mg/L.

Expressão do resultado da análise de cloro:



A função do cloro na água é unicamente eliminar a contaminação microbiológica. Portanto, se um residual mínimo de 0,2 mg/L pode ser detectado por análise no reservatório e em qualquer ponto da rede de distribuição, isso indica a eliminação de 99,99% da contaminação bacteriológica. Apenas reforçando, essa é a razão para a qual cloradores devem ser instalados antes do reservatório.

Recomendamos manter a cloração entre 0,5 mg/L e 1,0 mg/L no reservatório e todos os pontos de consumo, isso porque para a realização da analise do cloro em kits de baixo custo disponíveis para o produtor, a detecção de de 0,2 mg/L será muito difícil. Excessão feita para a sala de ordenha que instruimos manter no mínmimo 5 mg/L. Nesse caso o efeito desejado é a potencialização dos procedimentos de limpeza dos equipamentos que depois de lavados, ficam molhados, com a água contendo um reforço de cloro que contribuirá para a redução da contaminação ambiente.

No mais, o cloro a ser utilizado deve ter registro para consumo humano. Deve ser prático e simples de aplicar. Preferencialmente em cloradores que não necessitam de energia elétrica para operar. Recomendamos sempre cloro em pastilhas e cloradores adequados para a  realidade de consumo e facilidade de instalação e operação.

Veja no vídeo que vamos disponibilizar aqui sobre os diferentes tipos de cloradores que podem ser utilizados. Aproveite para acessar nosso canal no YouTube e assistir outros vídeos sobre cloradores e técnicas de tratamento da água.

Outros cuidados e boas práticas que se deve ter com os recursos hídricos nas propriedades, podem ser vistos em detalhes em dois cursos on-line disponíveis para os assinantes do EducaPoint, sob minha apresentação, confira:

* Gestão da qualidade e quantidade da água
*
Pegada hídrica na produção leiteira

JOÃO LUIS DOS SANTOS

Mestre em engenharia agrícola pela Unicamp/Feagri na área de concentração de águas e solo. Atua a mais de 15 anos no desenvolvimento de soluções e tecnologias para tratamento da água na produção animal. Diretor e fundador da Especializo.

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LUIS F MAGALHAES

INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 07/08/2018

Joao parabens pelos artigos. Gostaria de ter seu contato, pois minha empresa possui uma tecnologia disruptiva que trata agua e efluentes de forma natural sem uso de bacterias exoticas ou quimicos no meio a ser tratado.

Reduzimos parametros como DBO, DQO, Solidos Suspensos, Oleos e Graxas a niveis superiores a 95% de forma rapida, eficiente e segura.
Aguardo seu contato.

Parabens novamente e um forte abraco.
Luis Fernando Magalhaes
www.o2eco.com.br
HÉLIO ARÊAS CRESPO NETO

CAMPOS DOS GOYTACAZES - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/08/2017

João parabéns pelo artigo. Minha propriedade é cortada por um canal artificial que "nasce" no rio paraiba do sul e desemboca no oceano. Os solos da região são salinos e a adução de água do rio paraiba está extremamente baixa. O resultado é a salinização da água do canal. Na análise que realizei no campo os sólidos totais dissolvidos (STD 442) estava em 3350mg/L que é quase 7 vezes o máximo. Sabendo que os animais bebem exclusivamente esta água quais impactos produtivos e de fertilidade/gestacional posso ter?
LUIS F MAGALHAES

INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 07/08/2018

Ola Helio

Lendo seu comentario me veio a cabeca ( e peco licenca ao Joao Luis) que podemos ajuda-lo a reduzir seus niveis de SST de forma substancial, seu uso quimico ou bacterias exoticas ao sistema.
Fico a disposicao a ajuda-lo.

Forte abraco.

Luis Fernando Magalhaes
www.o2eco.com.br
JOÃO LUIS DOS SANTOS

CAMPINAS - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 02/08/2017

Cássio,
O residual de cloro tem que ser encontrado em no reservatório e em toda rede de distribuição.
Manter um residual dentro dos bebedouros seria muito bom, aumentaria o intervalo de limpeza dos dos bebedouros e evitaria doenças transmissíveis pela água.
Em qualquer situação que envolva o consumo da água o ideal é manter o residual entre 0,5 e 1,0 mg/L.

Obrigado pela pergunta e fico a disposição.
CÁSSIO DE OLIVEIRA LEME

PARANAPANEMA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 31/07/2017

Obrigado por esclarecer minha dúvida João. Outra dúvida em relação ao cloro: o residual terá que ser na saída da boia dos bebedouros ou na saída da caixa d'água? Qual seria o tempo de contato cloro-água par assegurar descontaminação biológica?
Obrigado
Abraço
JOÃO LUIS DOS SANTOS

CAMPINAS - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 31/07/2017

Caro Cássio,
Obrigado pelo seu comentário e pergunta que me possibilita abordar e esclarecer o tema.

A Portaria 2914 indica como desinfetante para água o cloro, ozônio, ultravioleta e dióxido de cloro.
Mas em todos os caso o cloro é o que ainda oferece o melhor custo benefício e se utilizar ozônio ou ultravioleta ainda terá que utilizar o cloro:

Portaria 2914 - Art. 35. No caso do uso de ozônio ou radiação ultravioleta como desinfetante, deverá ser adicionado cloro ou dióxido de cloro, de forma a manter residual mínimo no sistema de distribuição (reservatório e rede), de acordo com as disposições do art. 34 desta Portaria.

Lembre-se, a manutenção de um residual é a garantia da segurança do processo de desinfecção em toda extensão do sistema de abastecimento. Ozônio e ultrvioleta não garantem essa eficiência.

Abraço
CÁSSIO DE OLIVEIRA LEME

PARANAPANEMA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 31/07/2017

Gostei da matéria, mas fiquei pensando se um ozonizador não teria melhor eficiência com custo/benefício adequado.
Abraço
JOÃO LUIS DOS SANTOS

CAMPINAS - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 31/07/2017

Caro José Francisco.
Obrigado por seu comentário e apoio.

Abraço.
JOSÉ FRANCISCO CEZAR LACERDA

APUCARANA - PARANÁ - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 31/07/2017

Matéria muito boa e esclarecedora para produtores. Sempre recomendo aos que assisto que acesse e veja os conteúdos do MilkPint.
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