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Novos conceitos abordando o monitoramento da sobra de dietas (escore de cocho) - parte 2.

POR JOÃO PAULO V. ALVES DOS SANTOS

COWTECH

EM 25/03/2004

3 MIN DE LEITURA

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A perfeita compreensão deste artigo envolve o conteúdo da Parte 1 do mesmo. Caso não tenha lido este texto e deseje lê-lo, CLIQUE AQUI.

No artigo anterior, abordamos conceitos envolvendo o manejo nutricional através do uso do método de escore de cocho em escala de 0 a 5. No presente artigo, estaremos abordando um novo sistema de manejo e classificação da sobra em cochos.

De acordo com os conceitos abordados na Parte 1 deste artigo, a IMS de vacas submetidas a dietas totais deve ser acompanhada de uma sobra de 5% a 10% do total fornecido. Entretanto, muitos produtores e técnicos contestam a praticidade e o custo da adoção deste manejo. Mesmo que a sobra seja redirecionada para outras categorias do rebanho, o ideal seria trabalhar, sob o aspecto econômico, sem sobra.

Nos Estados Unidos, a idéia de evitar a sobra é crucial para a sustentabilidade financeira de grandes confinamentos de gado de corte. Há cerca de 10 anos, o conceito de cocho limpo ou "lambido" tem sido praticado com sucesso nestes sistemas de produção de carne. Trata-se de uma prática de manejo de cocho com ausência de sobras. O conceito embutido no manejo do cocho lambido, apesar de parecer ir ao encontro com os conceitos de escore de cocho de 0 a 5 da Parte 1 deste artigo, na realidade aborda uma evolução no controle da IMS. Por razões econômicas, a idéia deste manejo seria oferecer um maior número de tratos, sem sobra. Havendo um menor intervalo entre os mesmos e, conseqüentemente, menor quantidade de alimento/refeição, de acordo com pesquisadores da área, a IMS seria otimizada. Desta forma, todo o alimento oferecido é consumido. Quando o cocho está praticamente limpo, o novo trato já está a caminho.

Esta idéia certamente é muito atrativa sob o aspecto financeiro, principalmente quando há escassez de recursos forrageiros numa propriedade. Entretanto, a adoção do conceito de "sobra zero" deve ser analisada cautelosamente. Para que este manejo seja implantado com sucesso, o controlador do cocho deve ter domínio total sobre o manejo/fornecimento da dieta. Primeiramente, o nível de sobra deve ser regularizado entre 2% a 3% por trato e a dieta deve ser fracionada o maior número de vezes possível dentro da rotina da fazenda. Pesquisadores de da Ohio State University (EUA), com auxílio de produtores experientes em manejo de cocho lambido, elaboraram uma cartilha a ser respondida para se determinar se uma fazenda está apta a trabalhar com este novo conceito.


Para que um programa envolvendo o manejo do cocho limpo seja implantado com sucesso, é necessário responder "sim" em todas as perguntas. Caso haja resposta negativa em alguma delas, o produtor deve buscar meios para melhorar o seu controle. Se a maioria das respostas for negativa, as chances de insucesso na implantação deste sistema de controle da alimentação aumentam significativamente.

Caso os requisitos envolvendo as perguntas da tabela acima sejam atendidos e o manejo do cocho limpo venha a ser implantado, alguns cuidados devem ser tomados. Desta forma novos escores de cocho (para sistemas com cocho vazio) são apresentados na tabela abaixo:


*notar que no conceito tradicional (escore de 0 a 5), o aumento no trato, recomendado, quando há falta de comida é de 5% ou 1 kg de MS.

Um detalhe muito importante a ser analisado refere-se ao comportamento das vacas. Nunca podemos deixar de observá-las. Devemos analisar reações como:

    - aparência/sinais de fome? (mugidos)

    - vacas paradas, próximas ao cocho, aparentando esperar a próxima refeição

    - animais deitados, ruminando tranqüilamente entre as refeições
Mesmo que o trabalho de cocho esteja sendo feito cuidadosamente e sua leitura, de acordo com a tabela 2, não indicar modificações na quantidade oferecida de comida (escore 1), não podemos deixar de "ler as vacas" também. Elas são o maior indicativo de um bom manejo. Caso as a vacas apresentem comportamento alterado em função de menor oferta de alimento, devemos procurar solucionar o problema, "flexibilizando" as recomendações da tabela 2.

Desta forma, pudemos notar, de acordo com o conteúdo destes dois artigos (Parte 1 e 2) como um simples acompanhamento diário do trato envolve diversos conceitos importantes no sucesso de um programa nutricional. Assim, cabe aos atuantes nos sistemas de produção de leite em regime de confinamento assimilá-los e integrá-los à realidade de cada propriedade em busca do aprimoramento do manejo e melhoria de resultados produtivos/econômicos.

Fonte: Dairy Herd Management, fevereiro 2004.

JOÃO PAULO V. ALVES DOS SANTOS

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