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Conservação de Forragens: A 'Febre' dos Aditivos

POR THIAGO FERNANDES BERNARDES

PRODUÇÃO

EM 30/12/2013

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Recentemente, reunidos com um grupo de técnicos, discutíamos sobre assuntos relacionados com a produção de silagens, particularmente sobre abastecimento e compactação da massa, quando um deles nos questionou sobre pesquisas já realizadas na naquela área e resultados conclusivos acerca do tema. Foi quando respondemos: ‘Não há nada sobre isso na literatura’. Então, disse o técnico: ‘se não há nada de científico, não existe nenhuma tecnologia que possa ser aplicada na prática’. Correto! Respondemos a ele.

Bem, este fato nos intrigou, pois quando consultamos a literatura científica, uma ‘avalanche’ de artigos científicos é encontrada sobre o uso de aditivos. Não somente na área de conservação de forragens, mas sobre muitos temas da produção animal. E raríssimos trabalhos são encontrados sobre MANEJO. Como disse o técnico citado anteriormente, se a ciência não produz tecnologia, o produtor sofre no campo.

Portanto, podemos concluir algo sobre este cenário: Estamos gerando muita informação sobre o uso de aditivos e quase nada sobre MANEJO. Façamos uma pergunta aos leitores: Vocês imaginam quantos trabalhos foram publicados até hoje sobre os fatores que afetam densidade em silos trincheira? (Lembrando que alta densidade é fundamental). Resposta: Não temos meia-dúzia. A tendência da indústria atualmente é criar aditivo para qualquer tipo de situação e ela não está errada, pois o comércio fala mais alto nesse ramo. Parece-nos que as mensagens no futuro serão mais ou menos assim: ‘Use aditivo e durma tranquilo’; ‘Use aditivo e os teus animais irão produzir’; ‘Use aditivo e esqueça-se de compactar a tua silagem’....

Um dos pesquisadores que mais realiza estudos sobre uso de aditivos em silagens em todo o mundo, o Prof. Limin Kung da Universidade de Delaware (Estados Unidos) escreveu a sábia frase em um dos seus artigos: ‘High quality silage can be made without the use of silage additives assuming that producers have control over the many management aspects that can affect the process’. Ou seja, silagem de alta qualidade pode ser produzida SEM o uso de aditivos, desde que o produtor tenha conhecimentos sobre MANEJO.

Mas o que é MANEJO? MANEJO é investir no dia-a-dia, é praticar o simples! É olhar diante do que existe na propriedade e pensar: O que eu posso melhorar? No caso da produção de silagens é acompanhar ponto de colheita da cultura, afiar as facas da colhedora, compactar bem a massa, vedar o silo e retirar silagem para que não ocorra entrada de ar....

Por fim, nos parece que técnicos e produtores estão sendo ‘contaminados com a doença dos aditivos’, a qual tem causado a ‘febre dos aditivos’, como intitulamos este artigo. Aditivos podem e devem ser utilizados na produção animal, mas com cautela. Aditivos não curam erros provocados por um MANEJO deficiente. Aditivos podem potencializar a qualidade de uma silagem ou de uma dieta, mas desde que o ‘entorno’ esteja indo bem.

Pesquisadores, técnicos e produtores, vamos pensar mais em MANEJO e menos em aditivos. Esse é o alerta para 2014!

Um bom final de ano a todos os leitores e sucesso na atividade no próximo ano!

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THIAGO FERNANDES BERNARDES

Professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (UFLA) - MG.
www.tfbernardes.com

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IVAN ALBERTO PALHETA SANTOS

BELÉM - PARÁ - ESTUDANTE

EM 11/04/2014

Olá professor Thiago, também gostaria de acrescentar que muitas vezes o uso de aditivos encarece demais o custo global da silagem e que muitas vezes outras medidas podem ser consideradas antes de ensilar.



Abraço
JOÃO CLÁUDIO PIMENTA PENTEADO MANENTE

BRAGANÇA PAULISTA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 12/03/2014

Prezado Professor, a FVH tem sido muito utilizada aqui na América do Sul e também na Europa, Ásia, Oriente médio e América do Norte. Há vários trabalhos na internet com produção de FVH usando substrato e sem substrato, há também vários exemplos de análises bromatológicas desse alimento mostrando ser um alimento de qualidade superior a silagem tradicional. Há um trabalho brasileiro muito bom comparando os dois alimentos:  http://www.ecocana.org/2784/. Segundo esse trabalho a qualidade da FVH é superior e o custo inferor a silagem de milho.Entendo que é assunto polêmico pois pouco se fala e se pesquisa sobre isso no Brasil, mas lá fora já é uma tecnologia utilizada há alguns anos. Vide Manual da FAO 2001. Colômbia, México, Argentina e outros países de terceiro mundo também produzem FVH, pode-se usar milho, aveia, cevada, soja, centeio, milheto, arroz, etc. Há FVH cujo teor proteico (PB) atinge 29%. A economia de água é muito grande.O risco de produção é mínimo. Vale a pena pesquisar mais um pouco. Muito obrigado.
THIAGO FERNANDES BERNARDES

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 12/03/2014

Caro João Cláudio, vou iniciar a minha resposta pelo parte final da tua afirmação. Forragem hidropônica não é um alimento mais barato que as nossas silagens, pelo contrário é uma opção de alto custo. Eu conheço países do norte da Europa que cultivam milho em hidroponia, mas pelo fato das condições climáticas não favorecerem a condução da cultura no campo. Tenha certeza que se os ingleses, por exemplo, tivessem clima favorável ao cultivo do milho eles o fariam.

Outro detalhe da tua colocação: O valor nutritivo da forragem hidropônica não é superior aquela cultivada no campo. Conforme o exemplo que citei anteriormente, o milho naqueles países, na maioria das situações, é colhido sem os grãos porque fisiologicamente a planta não é capaz de completar o seu ciclo. Milho sem grãos é considerado nutricionalmente uma forragem comum.

Portanto, por estes e outros motivos nós estudamos, aperfeiçoamos e insistimos em produzir silagem como alimento suplementar. Aqui no Brasil nós precisamos praticar o simples. Somos um país de terceiro mundo, com a maioria dos produtores descapitalizados e sem condição de investir em tecnologia devido a falta de apoio do governo. Somado a isso a nossa extensão é falha, devido a vários motivos. O país tem tradição em produzir silagem e é nisso que nós precisamos investir.



Att,



Prof. Thiago Bernardes
JOÃO CLÁUDIO PIMENTA PENTEADO MANENTE

BRAGANÇA PAULISTA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 10/03/2014

Prezado Thiago,



Por que se fala tão pouco em Forragem Verde Hidropõnica no Brasil enquanto que em outros países é um alimento muito utilizado, sendo considerado melhor e mais barato que as silagens tradicionalmente utilizadas?
PAULO RICARDO F. MENDONÇA

BARRA DO GARÇAS - MATO GROSSO - ESTUDANTE

EM 26/02/2014

boa tarde!!!

parabéns pelo comentário e para fica mais aleta sobre aditivo, e sabemos que ser implanta  técnica de manejo podemos diminuir custo da produção da silagem fazendo que a sua atividades seja mais rentável.  
GUILHERME FERNANDO MATTOS LEÃO

CASTRO - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 17/02/2014

Concordo plenamente. Aditivo deve ser detalhe para corrigir pontos específicos, já o manejo é a parte básica e principal.
FABIANO SANTOS JUNQUEIRA

PARÁ DE MINAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 07/01/2014

Uma pergunta a se feita é se inoculantes desenvolvidos em regiões temperadas terão o mesmo valor em áreas tropicais. A maioria dos estudos mostra que não. Qual seria então a vantagem de se usar tal ferramenta??
EDISON ANTONIO PIN

DOIS VIZINHOS - PARANÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 06/01/2014

Compartilho das deduções dos presentes pesquisadores. O tempo passa e a ciência demora para chegar no campo, e em muitos casos, a ciência empírica vai do campo para a pesquisa científica. Esta é a humildade que falta nos pesquisadores, o protutor é sábio, e suas conclusões se reportam a prática, que não deve ser menosprezada.
JOSE AQUILES DE OLIVEIRA TOSTA JR

MONTE ALEGRE DE MINAS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 05/01/2014

bom dia..gostaria de saber sobre o correto metodo de vedação da silagem(fala-se em deixar a ponta da silagem cerca de 12 horas aberta apos sua cobertura com lona para saida completa de ar e posterior vedação)e a o tempo de compactação correto,como deve ser mensurado..

att
MILENA ZIGART MARZOCCHI

PIRACICABA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 03/01/2014

Concordo !!!

Pois é basicamente isso! O inoculante/aditivo não faz milagre no processo de fabricação da silagem, SE não estiver acoplado junto a TODOS os outros aspectos, como compactação, tamanho da partícula, regulagem da ensiladeira, quantidade e sazonalidade da retirada do alimento, tipo de lona, entre outros.
THIAGO NARCISO

RIO DE JANEIRO - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 03/01/2014

Muito bom!!!! Concordo plenamente. Porém Thiago e Rafael acredito que falta é formação técnica. Os próprios técnicos não se especializam e as literaturas são conflitantes. No caso da silagem de capim, inoculantes são vendidos como a salvação. Onde as experiências a campo nos mostra que sem uma boa fonte de carboidratos, sem um controle ideal da umidade e sem o corte da forragem na época correta, a qualidade da silagem fica comprometida e o resultado final geralmente não é satisfatório.  
VÂNIO DE BETTIO FILHO

XAXIM - SANTA CATARINA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 02/01/2014

Muito boa colocação do artigo.
FRANK

CAMPINA GRANDE - PARAIBA

EM 01/01/2014

boa noite ! gostaria de saber se é possível manter um cabras no confinamento sem área de pasto, comprado o volumoso e a ração?