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Conheça os 15 fatores que podem afetar o sucesso de um inoculante

POR THIAGO FERNANDES BERNARDES

E RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PRODUÇÃO

EM 22/06/2010

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Os aditivos são produtos adicionados intencionalmente nas silagens com a finalidade de alterar as suas características, sem, contudo prejudicar o seu valor nutritivo.

Os principais aditivos utilizados na confecção de silagens no nosso país são: os absorventes (polpa cítrica e farelos de cereais), os químicos (ureia, cal virgem, ácidos tamponados) e os inoculantes bacterianos. Este último grupo abrange a classe de aditivos com mais rápido desenvolvimento e adoção em todo o mundo, devido principalmente à facilidade de manipulação, ausência de toxicidade aos mamíferos, e grande disponibilidade no mercado.

O princípio básico de atuação dos inoculantes é o de incrementar a população de bactérias na forragem e que estas sejam capazes de competir com a microbiota existente, de maneira que se possa elevar a eficiência na conservação do alimento. Contudo, é bastante comum, produtores e técnicos argumentarem que o inoculante utilizado nas silagens não tem levado ao sucesso esperado, criando uma situação de frustração no uso do aditivo.

Portanto, saibam quais são os 15 fatores que podem afetar a eficiência de um inoculante bacteriano e porque estes podem falhar quando adicionados à forragem a ser ensilada.

1. Armazenamento da embalagem (sachet) em local inapropriado: observa-se com muita frequência na propriedade agrícola o sachet sendo estocado onde há excesso de umidade e calor, o que compromete a viabilidade das bactérias;

2. Condições adversas no momento da ensilagem: temperaturas elevadas e chuva em abundância no momento da ensilagem, altera a sobrevivência das bactérias que estão sendo inoculadas;

3. Atraso no abastecimento do silo: enquanto o silo está sendo abastecido, a forragem está em contato com o ar. Esse fato pode levar a proliferação de fungos, os quais utilizarão os substratos (açúcares), reduzindo a fonte de energia às bactérias que estão sendo adicionadas;

4. Determinadas cepas de bactérias possuem maior agressividade do que outras: estudos mostram que algumas cepas não são competitivas com os microrganismos existentes na forragem. Portanto, fique atento ao adquirir o produto;

5. Inoculantes a base de Propionibacteria, em geral, não são efetivos: as bactérias ácido propiônicas (Propionibacteria) não toleram ambientes hostis, ou seja, muito ácidos e com presença residual de oxigênio, o que causa lentidão no seu crescimento;

6. Concentração de bactérias no momento da inoculação: a quantidade de bactérias que são adicionadas a forragem é um fator extremamente importante, pois estas deverão dominar o processo fermentativo;

7. Presença do elemento cloro na água: a água utilizada para diluir o inoculante não deve ser clorada, pois este é nocivo a população de bactérias;

8. Temperatura da água: a temperatura da água utilizada na aplicação não deve exceder os 35 ºC. Isso pode ser evitado, posicionando os reservatórios, sempre que possível, na sombra e distantes de motores e escapamentos dos maquinários;

9. Uso do inoculante em até 48h: após a abertura da embalagem, o produto deve ser aplicado à forragem o mais rápido possível. Quando necessitar estocá-lo (diluído ou não) de um dia para o outro, procure locais com temperatura amena;

10. Ausência de substrato às bactérias: esse fato é muito comum em capins tropicais (Tanzânia, Mombaça, Elefante, Brachiaria), pois estas gramíneas são pobres em açúcares como fonte de energia para o desenvolvimento das bactérias;

11. Vírus que podem infectar bactérias (bacteriófagos): alguns estudos mostram que alguns vírus podem infectar as bactérias que estão sendo inoculadas, levando a morte;

12. Interação microrganismo-microrganismo: alguns microrganismos são inibidos com a presença de indivíduos de outro grupo, devido à excreção de alguns compostos. Desse modo, quando bactérias são inoculadas, estas podem encontrar na massa ensilada grupos de microrganismos que inibem o crescimento delas;

13. Mínimo de atividade de água: em silagens pré-secadas, inoculantes aplicados em solução aquosa devem ser preferidos quando comparados aos aplicados a seco (em pó) pela falta de água metabólica na atividade das bactérias;

14. Aplicação e distribuição na massa: os inoculantes podem ser aplicados à forragem via colhedora (algumas dispõem de kits para tal fim) ou usando bomba costal pressurizada. Esta última opção pode ser adotada enquanto os vagões forrageiros descarregam a forragem no silo. Em ambos os métodos (kit da colhedora ou bomba costal) o importante é distribuir com muita homogeneidade as bactérias na massa;

15. Interação com os fatores de manejo (compactação, enchimento e vedação): o inoculante só será eficaz se os fatores inerentes ao manejo forem obedecidos. Os aditivos não "curam" erros cometidos durante a gestão do processo de ensilagem.

THIAGO FERNANDES BERNARDES

Professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (UFLA) - MG.
www.tfbernardes.com

RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

Zootecnista pela Unesp/Jaboticabal.
Mestre e Doutor em Ciência Animal e Pastagens pela ESALQ/USP.
Gerente de Nutrição na DeLaval.
www.facebook.com.br/doctorsilage

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ROSANO FRANCISCO DE LIMA

ILICÍNEA - TOCANTINS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 24/08/2014

Boa noite, por quanto tempo a silagem reensilada tem que ficar fechada até poder usar, e em quanto tempo ela deve ser usada.

desde já agradeço
THIAGO FERNANDES BERNARDES

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 24/08/2010

Cara Tatiana,

Conforme foi exposto no artigo, os inoculantes foram e estão sendo implementados na ensilagem com um único objetivo: Modificar o curso da fermentação.
Microrganismos exógenos são inoculados para melhorar a eficiência na produção de ácido lático, caminho que leva à redução de perdas nutricionais.
Nos últimos anos inoculantes foram lançados no mercado com um foco diferenciado, ou seja, aumentar a produção de ácido acético na massa com o objetivo de controlar microrganismos indesejáveis, principalmente leveduras e fungos.
Vale a pena ressaltar que os inoculantes devem ser usados como ferramenta de manejo. Elas não curam os erros cometidos ao longo do processo.
Atenciosamente,
Thiago & Rafael.
TATIANA KRENZINGER

PORTO ALEGRE - RIO GRANDE DO SUL - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 23/08/2010

Boa tarde,
Qual seria a origem da necessidade dos aditivos biológicos na silagem? Como criou-se essa necessidade de serem biológicos?
Desculpa pela pergunta, pode ser incoveniente, mas como irei trabalhar com aditivos bológicos, estou procurando maiores informações.
Agradeço desde já,
Tatiana
THIAGO FERNANDES BERNARDES

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 24/07/2010

Caro Edward,

Os seus questionamentos se referem aos itens 1, 2 e 8 deste artigo, ou seja, quando a embalagem é armazenada em local incorreto e as condições ambientais e da água são adversas, como alta temperatura devido a incidência de raios solares, as bactérias podem ser afetadas e reduzirem a sua atividade durante a fermentação.
É importante ressaltar que os microrganismos são muito sensíveis as condições do meio no qual eles estão presentes. Portanto, ao utilizar inoculante bacteriano na ensilagem os critérios apontados acima devem ser obedecidos para que o mesmo possa funcionar.
Atenciosamente,
Thiago & Rafael
EDWARD ZACKM

LONDRINA - PARANÁ - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 21/07/2010

Boa tarde. Otimo artigo, muito oportuno abordar os problemas pois as empresas de inoculantes abordam somente os beneficios...Poderia comentar sobre as consequencias da incidencia de raios solares sobre as bacterias?
Obg e abraço.
THIAGO FERNANDES BERNARDES

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 27/06/2010

Caro Gustavo,

Se torna mais difícil opinar a distância, mas tentarei te ajudar.
Quanto a reensilar a silagem de milho não existe tempo máximo, na realidade há um tempo mínimo, ou seja, o mais rápido possível.
Quando você me diz "palha" se torna preocupante, pois além desse material passar por um tratamento químico, podendo deixar resíduos (como relatado na sua pergunta), o contexto de palha me leva a pensar em um volumoso de baixo valor nutritivo. Desse modo, você teria que mudar bruscamente a dieta das suas vacas, pois elas são produtivas (25 kg/dia). Haveria a necessidade de mais ingredientes concentrados, o que encareceria a dieta, podendo a tornar economicamente enviável.
Apesar de estar distante, eu ainda continuo achando que reensilar a silagem é a melhor opção para você.
Já me deparei com material reensilado de excelente qualidade. Como te disse na resposta anterior, se todos os fatores de manejo forem obedecidos você não terá problema quanto a perdas em valor nutritivo.
Caso ainda fique alguma dúvida, por favor nos escreva.
Atenciosamente,
Thiago & Rafael
GUSTAVO PÁDUA LOPES

ORIZONA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 24/06/2010

Caro Thiago,
Sei que o quanto antes eu reensilar melhor, mas qual tempo máximo você acha que eu devo fazelo? Perde muito a qualidade? aqui tenho a opção tambem de comprar uma silagem de palha, resíduo de uma fabrica (Oderich), mas nao tem milho, as fibras são bem grandes, ela passa por um cozimento e acredito que sao adicionados substancias como soda caustica, que a longo prazo pode prejudicar minhas vacas, concorda? A diferença de preço nao é muito grande, as vacas estão com uma média de produção de 25kg leite/dia. O problema dessa silagem já ensilada é o transporte, já que pretendo comprar umas 150 t e ela fica a uns 30 km de minha propriedade, os caminhoes que consigo aqui levam aproximadamente umas 15t. O que você me aconselha?
Muito obrigado pela atenção
Gustavo
THIAGO FERNANDES BERNARDES

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 24/06/2010

Caro Gustavo,

Ao reensilar a massa você deve obedecer todos os principios do processo de ensilagem, pricipalmente os relcionados a compactação e vedação.
Exite o risco de desenvolvimento de fungos, mas se os fatores serem obedecidos, este será diminuído.
Lembre-se que micotoxinas não é exclusividade de material reensilado, pois este evento também pode ocorrer com a matéria-prima original.
Em relção ao uso de inoculante, eu não te aconselho o uso, pois não ocorrerá fermentação na massa reensilada, portanto, não haveria crescimento das bactérias.
Atenciosamente,
Thiago & Rafael
GUSTAVO PÁDUA LOPES

ORIZONA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/06/2010

Meu silo nao dará ate o final da seca, com isso terei que comprar e só consegui silo já ensilado. Ao desensilalo e ensilalo novamente seria interessante o uso de algum inoculante? terei problemas com micotoxinas?
Obrigado
Gustavo