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Como aumentar a eficiência do inoculante bacteriano na ensilagem?

POR THIAGO FERNANDES BERNARDES

E RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PRODUÇÃO

EM 21/07/2008

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Os inoculantes bacterianos abrangem a classe de aditivos com mais rápido desenvolvimento e adoção em todo o mundo, devido principalmente à facilidade de manipulação, ausência de toxicidade para os mamíferos e grande disponibilidade no mercado.

O princípio básico de atuação destes produtos é de incrementar a população de bactérias homofermentativas e/ou heterofermentativas e que elas sejam capazes de competir com a microbiota epifítica existente na forragem, de maneira que se possa elevar a concentração dos ácidos orgânicos.

Diversos fatores podem influenciar no sucesso dos inoculantes, contudo, a dose de aplicação é um dos principais. Segundo Pahlow (1991) a concentração de bactérias deve ser de 105-106 unidade formadora de colônia (UFC) por grama de forragem de modo que as bactérias exógenas possam dominar o processo fermentativo conforme ilustrado na Tabela 1.

Ressalta-se, que alguns fabricantes de inoculantes, que comercializam seus produtos no Brasil, recomendam a dose de determinados inóculos abaixo do valor mínimo preconizado (105 ufc/g de forragem), motivo que leva a um baixo desempenho do produto. Notem, por exemplo, que a efetividade do inoculante é de apenas 40% quando a concentração de bactérias é de 104 ufc/g (Tabela 1).

Tabela 1. Efetividade do inoculante em função do número de unidade formadora de colônia (UFC) adicionada por grama de forragem.


Dessa forma, a primeira pergunta a ser feita é: Qual o cálculo a realizar para obtenção da concentração de bactérias inoculadas durante a ensilagem (unidades formadoras de colônia/grama de forragem)?

Exemplo 1:
Suponha que o inoculante tenha os seguintes dados no rótulo:
- Concentração da bactéria por grama do produto: 2,5 x 1010 UFC/g
- Quantidade do produto no sache: 200 g
- Dose de aplicação recomendada pelo fabricante: diluir o sache em 50 litros de água e aplicar em 50 toneladas de forragem (1 litro de água para 1 tonelada de forragem).

Objetivo: Calcular a concentração de bactérias por grama de forragem

Desse modo, a concentração da bactéria (CB) pode ser calculada pela seguinte forma:


Onde:
CB: concentração da bactéria por grama de forragem (UFC/g);
CBP: concentração da bactéria por grama do produto (UFC/g);
QP: quantidade de produto no sache (g);
QF: quantidade de forragem a ser tratada (g).


Assim, com base nesta fórmula também é possível fixar uma concentração de bactérias por grama de forragem (aumentar ou diminuir a concentração por grama de forragem) (Exemplo 2), bem como, calcular a quantidade de forragem quando tem-se uma quantidade inferior do inoculante (Exemplo 3).

Exemplo 2:
Suponha que o inoculante tenha os seguintes dados no rótulo:
- Concentração da bactéria por grama do produto: 2,5 x 1010 UFC/g
- Quantidade do produto no sache: 85 g
- Dose de aplicação recomendada pelo fabricante: diluir o sache em 50 litros de água e aplicar em 50 toneladas de forragem (1 litro de água para 1 tonelada de forragem).

Objetivo: Calcular a quantidade de forragem, respeitando a concentração recomendada pelo fabricante, entretanto, a quantidade do produto já não é mais a mesma ao da embalagem original.

Desse modo, a concentração da bactéria (CB) deverá apresentar 1 x 105 UFC/ grama de forragem (recomendação do fabricante - exemplo 1), e manter-se-á o valor de concentração da bactéria por grama do produto, porém a quantidade do produto é de 85 gramas:


Assim, para os 85 gramas que restaram do inoculante, a quantidade de forragem que poderá ser tratada com este é de 21,25 toneladas, a qual irá respeitar a concentração de 1 x 105 UFC/g forragem recomendada pelo fabricante.

Para finalizarmos, gostaríamos de ressaltar que este artigo vem alertá-los sobre a importância da concentração de bactérias no momento da ensilagem, de modo que o inóculo seja otimizado durante o processo fermentativo e/ou estabilidade aeróbia da silagem.

As tentativas frustradas de implantação de determinadas técnicas, como o uso de inoculantes, têm criado insatisfações em determinados casos, sendo que o motivo pode ser devido à indicação de uso em baixas doses (menor que 105 ufc/g de forragem), o que podemos chamar de "queimar uma tecnologia". Portanto, fique atento à recomendação dos fabricantes e faça o cálculo da concentração de bactérias antes de fazer uso do produto.

THIAGO FERNANDES BERNARDES

RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

Zootecnista pela Unesp/Jaboticabal.
Mestre e Doutor em Ciência Animal e Pastagens pela ESALQ/USP.
Gerente de Nutrição na DeLaval.
www.facebook.com.br/doctorsilage

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JOSÉ RICARDO SÁ DO NASCIMENTO

NANUQUE - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 11/07/2016

Qual o melhor inoculante para se ensilar cana?
RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 20/02/2009

Prezado Vitor Schöne,

Na ensilagem do milho não é necessário nenhum tipo de aditivo para sua ensilagem, apenas técnicas de manejo correta.
A inclusão de NaCl poderá acarretar em redução do consumo dos animais, pelo aumento da concentração de sódio.
Não recomendaria esta técnica.
Atenciosamente
Rafael e Thiago
VITOR SCHÖNE

MARECHAL CÂNDIDO RONDON - PARANÁ - ESTUDANTE

EM 17/02/2009

Sou estudande de Zootecnia pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná, temos uma parceria de recria de novilhas (condomínio) com a cooperativa.
Para a conservação da silagem de milho estamos utilizando NaCl para evitar o apodrecimento superficial da silagem. Gostaria de saber quais as recomendações do uso do sal para este fim, e se pode provocar algum problema nos animais em questão de consumo dos alimentos.

Obrigado