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A silagem deve conter somente ácido lático?

POR RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

E THIAGO FERNANDES BERNARDES

PRODUÇÃO

EM 11/10/2006

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Teoricamente, a rota fermentativa mais desejável durante a conservação da forragem na forma de silagem é a do tipo homolática (conversão de uma molécula de glicose em duas de ácido lático), pois não propicia perdas de MS ou de energia, o que pode resultar em maior consumo de silagem (McDONALD et al., 1991).

Entretanto, o perfil de fermentação desejável nem sempre evita as perdas após a abertura dos silos, ou em alguns casos pode aumentá-las (KUNG et al., 2003). A alta concentração e a predominância de ácido lático em silagens, necessariamente não representa feito positivo na estabilidade aeróbia.

Silagens adequadamente fermentadas, com altas concentrações de ácido lático e açúcares remanescentes (silagens de milho e de sorgo, em geral), são mais afetadas pela deterioração aeróbia (WEINBERG & MUCK, 1996). Os fungos, as leveduras e algumas espécies de bactérias promovem a assimilação aeróbia de lactato da silagem, reduzindo o seu potencial de conservação (PAHLOW et al., 2003).

Portanto, a estratégia de restringir a formação de ácido acético, em silagens com alto conteúdo de nutrientes, aumenta os riscos de serem instáveis durante a aerobiose. O conceito de que a concentração de acetato menor que 2% MS classifica a silagem como excelente, como proposto no passado, não existe na atualidade, os conceitos evoluíram.

Na figura 1 esta representada a temperatura das silagens em relação ao número de leveduras (nota: elevação de temperatura e presença de leveduras é um importante indicativo de perdas) quando silagens de milho e de sorgo foram expostas ao ar. Observa-se que as amostras contidas no circulo em vermelho apresentam temperatura e número de leveduras inferiores. Estas silagens continham 2,9 % de ácido acético e 4,3% de ácido lático, enquanto as demais (fora do círculo) apresentaram concentração de 1,1 e 6%, respectivamente, mostrando os benefícios do acetato no controle de microrganismos deterioradores.


Figura 1 - Relação entre a temperatura das silagens e o número de leveduras presentes após cinco dias de exposição ao ambiente
Fonte: BERNARDES (2006)

A habilidade em se estimar os riscos de deterioração aeróbia, de acordo com o perfil de fermentação, ainda é incerta. Porém, além de todos os cuidados relacionados com o manejo, a maior chance em obter sucesso na ensilagem está na premissa que as silagens devem conter ácido acético em associação ao ácido lático.

RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

Zootecnista pela Unesp/Jaboticabal.
Mestre e Doutor em Ciência Animal e Pastagens pela ESALQ/USP.
Gerente de Nutrição na DeLaval.
www.facebook.com.br/doctorsilage

THIAGO FERNANDES BERNARDES

Professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (UFLA) - MG.
www.tfbernardes.com

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