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Vale a pena aproveitar para corte os machos em rebanhos de leite?

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 06/05/2022

5 MIN DE LEITURA

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Atualizado em 05/05/2022

Os bezerros machos de origem de rebanho de leite são considerados como um problema na grande maioria das propriedades brasileiras. Normalmente são descartados ou sacrificados após o nascimento. Essa situação se contrasta com a realidade mundial que busca nesses animais uma saída para ampliar a oferta de carne, agregar renda à atividade leiteira e atender exigências legais sobre bem estar animal.

O número de vacas da raça Holandesa e seus cruzamentos é expressivo no Brasil. Segundo o IBGE (2020) foram ordenhadas 16,1 milhões de vacas em 2020. Considerando-se que 50% de suas crias são machos, com taxa de sobrevivência de 90%, estima-se que aproximadamente 7,2 milhões de bezerros de origem leiteira estariam disponíveis para a produção de carne durante o ano. Assumindo que esses seriam abatidos com 450 kg (15 arrobas), estima-se uma produção anual de 108 milhões de arrobas que seriam agregadas à produção, a partir de um programa de aproveitamento de machos de origem leiteira. Considerando o preço da arroba de R$ 320,00 a R$345,00 (CEPEA – Abril, 2022), dependendo da região, hipoteticamente, o volume anual de capital gerado seria de R$ 34,5 a R$ 37,2 bilhões.

Com o aproveitamento dos bezerros de origem leiteira, a abertura de novas áreas para produção de carne bovina poderia ser diminuída. Como a produtividade média da pecuária de corte no Brasil de 2013 a 2017 foi de 5,57 arrobas por hectare/ano (CNA, 2018), se forem aproveitados todos os machos de origem leiteira teríamos a produção de carne equivalente ao que se produz, aproximadamente, em 30 milhões de hectares.

Além do mais, com o aproveitamento dos machos de origem leiteira, haveria ainda efeito mitigador na emissão de metano, decorrente da menor demanda de vacas de corte para produção de bezerros. Estima-se que para a geração de 7,2 milhões de bezerros, seriam necessárias em torno de 10,8 milhões de vacas de corte.

Assumindo-se que uma vaca produza anualmente de 70 a 100 kg de metano, dependendo da idade, quantidade e qualidade do alimento, raça, manejo, clima, etc, estima-se redução na emissão do gás de efeito estufa (GEE) de 864 mil toneladas por ano.

Os sistemas intensivos de produção de carne, onde se utilizam dietas com alta porcentagem de grãos ou mesmo dietas exclusivas de grãos, a emissão de metano entérico é reduzida, tanto pelo efeito da alimentação, quanto pela redução na idade de abate dos animais. Esses, quando abatidos precocemente, passariam menos tempo emitindo metano para o meio ambiente.

Por exemplo, se trabalhar com a produção do vitelo na idade de 10 meses e abate com 10 arrobas ou mais de carcaça, dependendo do plano nutricional adotado, enquanto que em criação extensiva a pasto, normalmente, levaria pelo menos 20 meses para atingir esse peso. São considerados modelos de produção mais sustentáveis tanto do ponto de vista ambiental, quanto na eficiência alimentar energética e proteica.

Nos Estados Unidos e Canadá, assim como na maioria dos países europeus, praticamente 100% dos machos provenientes de rebanhos leiteiros são criados adotando a tecnologia de produção de vitelos para carne. Parte das fêmeas da raça Holandesa são acasaladas com reprodutores da raça Angus ou outros (“Beef on dairy”) e são alimentados com dietas praticamente a base de grãos (90%).

Normalmente utilizam sucedâneos de leite até aos 60 dias, depois um modelo de alimentação denominado V/C:10/90, volumoso (10%), utilizando palhadas ou fenos, dependendo da fase de crescimento e grãos (90%) , para ganhos próximos ou superiores a 1,5 kg/dia, até atingirem 20 a 22 arrobas.  

Como a pecuária leiteira demanda oferta de bezerros ao longo do ano, esse problema seria resolvido, com significativa redução da estacionalidade de produção. Ter oferta frequente de animais precoces com carne de qualidade é o grande gargalo nacional para consolidar mercados externos exigentes.

No entanto, o maior custo de produção de carne via aproveitamento de machos de origem leiteira com base em dietas à base de grãos, apresenta-se como fator limitante para sua expansão e consolidação como tecnologia de aplicação prática e imediata no Brasil. Desta forma, há que se avaliar, além do aspecto ambiental, o aspecto econômico para a produção de carne a partir de machos de rebanhos de leite.

Outro ponto relevante e decisivo para reter os machos leiteiros na propriedade, além da viabilidade econômica, é a aceitação do mercado consumidor nacional. Por isso é imperativo que essas questões sejam esclarecidas para que a técnica possa ser melhor difundida entre os nossos produtores rurais e conscientizar os frigoríficos que o rendimento de carcaça é tão eficiente quanto os machos especializados de corte, com garantia de qualidade da carcaça.

Como opções no aproveitamento dos machos de origem leiteira, com importância na geração de renda, agregação de valor à produção de carne de qualidade e estímulo à mitigação de gases de efeito estufa na pecuária nacional, pode-se considerar os seguintes sistemas:

  1. Confinamento, após um período de alimentação líquida suplementar e abate aos 10 meses com 10 arrobas, como vitelo, carne branca, para atender nichos de mercado próximos aos grandes centros consumidores;
  2. Confinamento, utilizando tecnologia de produção de vitelos para carne por meio de reprodutores de raças europeias (Angus e outros) em vacas da raça Holandesa em parte do rebanho (“Beef on dairy”), obtidos após um período próximo a um ano de alimentação a base de grãos (V/C:10/90);
  3. Confinamento, alimentando todos os machos de origem leiteira a base de grãos (V/V:0/100) após os 60 dias de idade, abatendo-os com 10 a 11 meses de idade com 15 arrobas (“Baby Beef”) ou com 20 a 22 arrobas (“Dairy – Beef”) – sistema americano;
  4. Sistema de cruzamento de machos de corte em parte do rebanho, que não sejam fêmeas de reposição, abatendo os machos e as fêmeas, os quais podem ser terminados em pasto ou em confinamento para abate;

Nesse contexto, é importante que se aprofunde estudos em condições brasileiras sobre estratégias de produção e o aproveitamento de machos para corte provenientes de rebanhos leiteiros.

É com esse objetivo que a Embrapa Gado de Leite e a ABRALEITE, propõem realizar nos dias 25 e 26 de maio de 2022 um círculo de palestras gratuitas via web, com especialistas, apresentando as experiências dos Estados Unidos, Canadá e Brasil, que comprovem a viabilidade técnica e econômica de produzir e aproveitar machos para corte em rebanhos de leite.

Além de palestrantes de renome nacional e internacional, o evento contará com a participação especial do ex-ministro Allisson Paulinelli – pecuarista e agricultor, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Diretor da Verde AgriTeck, assim como, serão convidados para trazer suas experiências e falar sobre o tema, o produtor Marco Aurélio Pereira, Fazenda Elias, MG; a visão da indústria, na palavra de Paulo Mustefaga – Presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos – ABRAFRIGO e Antônio Jorge Camardelli – Presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes - ABIEC.

As inscrições, gratuitas, já podem ser feitas, para ambos os dias, pelo link. Os participantes receberão certificados de participação eletronicamente.

Autores

Duarte Vilela e Rui da Silva Verneque -  Pesquisadores da Embrapa

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DUARTE VILELA

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

HÁ 16 HORAS E 41 MINUTOS

Oportunidade ímpar para debater e selecionar as ações futuras de P&D que mais se adequem aos sistemas brasileiros de aproveitar os machos para corte oriundos de rebanhos de leite
DIETHELM HAMMER

CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 10/05/2022

Concordo com o Filelfo! Raças de dupla aptidão já sempre resolveram essa questao. Existem p.e. inumeras vacas Simental(Fleckvieh) com 10.000kg/lact., criando bezerros machos com 20 arrobas em 15 meses nas fazendas leiteiras na Alemanha e cada bezerro macho é um produto remunerado igual ou melhor do que o de raças de corte especializadas. Outra alternativa para valorizar a bezerrada é o uso de sémen sexado de femea para a remonta do rebanho e a inseminaçao das outras com semen de raças de corte. Usando ainda as melhores vacas com os melhores reprodutores, o criador vai aumentar o nível produtivo do rebanho leiteiro mais rápido e consegue transformar ao mesmo tempo os seus bezerros machos de sobprodutos da atividade leiteira em produtos com alto valor comercial. Com as biotecnologias modernas como FIV um rebanho leiteiro poderia servir até para a criação paralela de uma raça de corte... Matar um produto criado depois de quasi 10 meses de gestão tem justificativa nenhuma! Diethelm Hammer, MEGASIL, Itararé-SP
RUI DA SILVA VERNEQUE

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 10/05/2022

São muitas as alternativas existentes. Algumas estão tendo evolução rápida. Para o produtor profissional as alternativas de utilização de sêmen sexado em parte das vacas para geração de animais de reposição e no restante utilização de alternativas de produção de machos para corte (inseminação/cobertura com touros angus, simental, senepol, etc) podem ser adotadas com sucesso. Tem empresas realizando o confinamento do macho da raça Holandesa, também com sucesso, quando o mercado comprador tem aceitação dos produtos. Na realidade, este é o objetivo do Workshop: entender as alternativas possíveis e as em uso e definir estratégias de pesquisa e de difusão para auxiliar aos produtores de leite.
FILELFO DE CARVALHO MAGLIOCCA

SOROCABA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 09/05/2022

Cruze com Simental de dupla aptdão ( Fleckvieh)
DUARTE VILELA

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 07/05/2022

Prezado Filelfo o propósito do workshop é debater alternativas e discutir caminhos para a pesquisa extensão. De qualquer forma obrigado pela opinião pessoal.
MilkPoint AgriPoint