Teores críticos de fósforo para os capins Mombaça, Marandu e Andropogon em solos distintos

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A baixa disponibilidade de fósforo em solos tropicais é fato já bem conhecido. No caso de plantas forrageiras, diversos experimentos têm demonstrado efeito positivo da aplicação de fósforo, principalmente, no momento da implantação do pasto. O teor e o tipo de argila do solo, no entanto, interfere na dinâmica do fósforo e, consequentemente, nos seus níveis críticos (nível do nutriente para obtenção de 90% da produção máxima).

Mesquita et al. (2004) desenvolveram um experimento na Universidade Federal de Lavras para determinar, na condição de cultivo em vasos, a dose crítica e o teor crítico de fósforo para o estabelecimento dos capins Mombaça, Marandu e Andropogon em amostras de dois tipos de Latossolo (Latossolo Vermelho distroférrico de textura argilosa e Latossolo Vermelho-Amarelo distroférrico de textura média) e um Neossolo Quartzarênico de textura arenosa (areia quartzoza).

O experimento foi conduzido em casa-de-vegetação. As amostras de solo foram corrigidas para elevar a saturação por bases a 60%. Foram conduzidos três experimentos, um para cada tipo de solo, com delineamento em blocos ao acaso e arranjo fatorial (5 doses de P x 3 espécies forrageiras). As doses de fósforo utilizadas foram equivalentes a 0, 500, 1000, 1500, e 2545 kg P2O5/ha para os Latossolos e 0, 363, 727, 1090, e 1863 kg P2O5/ha para o Neossolo.

Os autores observaram que os teores de P disponível no solo aumentaram linearmente com as doses aplicadas, sendo os maiores valores observados no Neossolo (solo com menos teor de argila). Os menores teores críticos e as maiores doses críticas de P foram observados no Latossolo Vermelho (solo com teores mais elevados de silte e argila).Os autores atribuíram esse fato à grande capacidade de fixação de P desse solo, decorrente da presença de óxidos e hidróxidos de ferro e alumínio. As doses críticas de fósforo no Neossolo, por outro lado, foram bem inferiores ao observado para os outros solos, confirmando sua baixa capacidade de fixação.

Tabela 1. Doses e teores críticos de P para os capins Mombaça, Marandu e Andropogon cultivados em Latossolo Vermelho (LV), Latossolo Vermelho Amarelo (LVA) e Neossolo Quartzarênico (RQ).

Figura 1

Mesquita et al. (2004) concluíram que a aplicação de fósforo aumenta a produção de matéria seca da parte aérea e o perfilhamento e que, em condições de casa-de-vegetação, os teores críticos de P para o estabelecimento de forrageiras são menores e as doses críticas maiores no solo mais argiloso.

Comentário dos autores: O trabalho desenvolvido por Mesquita et al. (2004) aborda um aspecto da adubação fosfatada que normalmente é negligenciado durante o cálculo da adubação fosfatada. A capacidade de fixação de fósforo depende do teor e tipo de argila do solo, consequentemente, essa característica deve ser levada em consideração no cálculo da quantidade de adubo a ser aplicada. O problema é que ainda não há nenhum método prático que permita considerar esse fator durante os cálculos de adubação. O que alguns técnicos têm feito, é considerar níveis de eficiência da adubação fosfatada distintos a depender do tipo de solo. Essa medida, no entanto, é bastante subjetiva e não garante sucesso nos resultados. Outro aspecto que deve ser comentado no trabalho de Mesquita et al (2004) é com relação aos valores de nível crítico no solo encontrados pelos autores. Esses valores são superiores aos que normalmente são relatados em literatura. Os autores atribuem essa diferença a fatores como adubação com outros nutrientes, idade da planta, e época de cultivo. De qualquer forma, esses valores devem ser vistos com cautela e os resultados devem ser confirmados antes de serem adotados.

Bibliografia

Mesquita, E.E.; Pinto, J.C.; Furtini Neto, A.E.; Santos, I.P.A. dos; Tavares, V.B. Teores críticos de f'sforo em três solos para o estabelecimento de capim-mombaça, capim-marandu e capim-andropogon em vaso. Revista Brasileira de Zootecnia, v.33, n.2, p.290-301, 2004.
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Material escrito por:

Marco A. A. Balsalobre

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Patricia Menezes Santos

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