Essa conclusão, no entanto, pode ser um pouco precipitada. Levantamento feito pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA) e pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) mostra que as pastagens ocupam 10 milhões de hectares enquanto a cana-de-açúcar para indústria ocupa apenas 3,6 milhões de hectares de terra (IEA, 2006). Em terceiro lugar encontra-se o reflorestamento com 1,1 milhão de hectares (0,9 ha de eucalipto e 0,2 ha de pinus), seguido pela soja, pelo milho e pela laranja com cerca de 0,7 milhão de hectares cada (IEA, 2006).
É claro que a inauguração de novas usinas, o aumento da demanda por açúcar e o incentivo ao uso de álcool combustível deverão promover o aumento da área de cana-de-açúcar, mas certamente a atividade pecuária ainda ocupará, por algum tempo, posição de destaque no Estado de São Paulo. A expansão da área de cana-de-açúcar do Brasil, prevista para atender às demandas de açúcar e álcool até o ano de 2010, é de 2,5 milhões de hectares (BiodieselBR, 2006). Mesmo considerando que a expansão da área de cana-de-açúcar ocorra apenas no Estado de São Paulo, a área de pastagens ainda seria de 7,5 milhões de hectares. Este cenário é pouco provável uma vez que há um avanço no plantio de cana-de-açúcar no Cerrado brasileiro.
O oeste do Estado de São Paulo é a região onde há maior concentração de pastagens. As pastagens ocupam acima de 50% da área da maior parte dos municípios da região (Figura 1; Gleriani et al., 2001) e os Escritórios de Desenvolvimento Rural (EDR) de Presidente Venceslau, Presidente Prudente, Andradina, General Salgado, São José do Rio Preto, Dracena, Araçatuba, Bauru, Lins e Marília concentram mais de 50% de toda a área de pastagens do Estado (IEA, 2005).

Figura 1. Classes de percentual de pastagens por município.
Fonte: Gleriani et al. (2001).
Estudo feito pelo IEA/CATI (IEA, 2006;IEA, 2006) mostra que, de 2000 a 2005, houve redução na área de pastagens do Estado de São Paulo (-2,3%) (Figura 2). Apesar da redução da área de pastagens, o rebanho bovino do Estado aumentou de 12,9 milhões para 14,1 milhões de cabeças, havendo aumento na produção de carne (de 4,5 milhões de cabeças e 67 milhões de arrobas de carne em 2000 passou para 5,1 milhões de cabeças abatidas e 79,8 milhões de arrobas de carne em 2005) e de leite (de 1,96 bilhões para 2,20 bilhões de litros entre 2000 e 2005) (IEA, 2006). Em 2005, portanto, o Estado de São Paulo foi responsável por 12,7% da produção de carne e 9% da produção de leite do país.

Figura 2. Área de pastagens (ha), Estado de São Paulo, 2000 a 2005.
Fonte. IEA (2006).
É provável que o mapa agrícola do Estado de São Paulo se altere e que um dia não se pratique mais a pecuária. Essa mudança, no entanto, não levará alguns anos...levará algumas gerações. É preciso que os produtores se conscientizem de que o arrendamento para cana-de-açúcar não será a solução de todos os problemas...ele não chegará a todas as propriedades como parece.
O aumento da produção de carne e de leite, apesar da redução da área de pastagens sugere que o setor pecuário no Estado de São Paulo esteja tornando-se mais eficiente. É preciso incentivar a modernização e a inovação do setor, envolvendo todos os elos da cadeia produtiva, para torná-lo mais competitivo.