Nos USA Warren Buffett e outros miliardários dos USA dizem que querem pagar mais impostos.
Na França Lilliane Bettencourt e outros miliardários franceses também pedem por impostos mais altos no momento que o Governo se prepara para anunciar pesados cortes para tentar controlar as finanças públicas. Na petição que assinaram dizem “Estamos cientes de que nos beneficiamos muito do modelo francês e do ambiente europeu, ao qual temos grande apego e que desejamos ajudar a preservar”.
Ora, na realidade não querem mudar nada, mas como confessam no manifesto que assinaram, querem preservar o modelo. Qual o modelo? O que concentra o poder econômico e político na mão de poucos, a globalização perversa que assolou o mundo nas últimas décadas.
Eles sabem que os impostos maiores que pagarão representarão cortes no luxo que usufruem, como iates, jatinhos, carros de luxo, caviar, etc., mas que tudo isso é pouco se preservarem o modelo que lhes permitiu um absurdo poder econômico e político que tem.
Em contrapartida, o aumento de impostos que atingirá os demais, as classes médias e as classes pobres, cortará a carne e tirará sangue e alguns poderão até morrer. E passada a crise, se o modelo continuar o mesmo, para os sobreviventes restará continuar vivendo de migalhas da riqueza transferida para uns poucos, até que nova crise se instale para novamente e volte a lhes ferir fundo.
O problema econômico não é conjuntural, é estrutural, e Keynes tentou mostrar isso em Breton Woods com suas propostas, que não foram levadas a sério, e a profecia do The Economist na época, que dizia que o mundo iria se arrepender amargamente de não ter ouvido o que Keynes pregava, se concretizou.
Se o modelo do mundo tivesse caminhado na direção das propostas de Keynes com certeza não viveríamos a globalização perversa que levou a concentração do poder econômico e político na mão de uma poucas pessoas e ao caos que vivemos hoje. Se Keynes fosse sádico, na sua tumba estaria rindo da situação atual, mas como não era, deve estar se revirando de raiva de ver a onde levou o egoísmo dos que fecharam os ouvidos para suas palavras pensando apenas nos seus próprios interesses, e a agora com hipocrisia dos ricos miliardários que se propõe a pagar mais impostos para preservar o modelo que os beneficiou .
A realidade é que os problemas econômicos do mundo são estruturais: ou a economia muda o modelo atual ou o modelo atual acaba com a economia.
A mudança do modelo da economia terá sérios opositores entre os próprios economistas, talvez motivados pela vaidade de não querer reconhecer os erros de suas teorias, e entre os miliardários arrependidos motivados por preservar o modelo que os beneficiou. Sei que mudar o modelo da economia não é fácil, com relação a procura de um novo modelo a única sugestão que posso dar é que o ponto de partida deveria ser uma profunda reflexão com relação as propostas que Keynes formulou em Breton Woods.
Mas afinal de contas qual a razão de um produtor de leite, que não é economista, estar tocando nesse assunto?
Em primeiro lugar por que o que acontece na economia nos afeta, como o caso guerra cambial que estará presente nos próximos anos em decorrência da crise profunda que atinge os países desenvolvidos ( grandes beneficiados do modelo atual da economia) da sua recuperação no futuro próximo, que tem levado a uma sobrevalorização do Real com relação ao dólar, enquanto outros países desvalorizam suas moedas, e para não ir longe, como a nossa vizinha Argentina. Se não forem tomadas as medidas adequadas em tempo oportuno o efeito sobre o setor leiteiro poderá ser devastador.
Mas também para alertar que semelhante hipocrisia pode atingir os grandes beneficiados no modelo atual da nossa cadeia produtiva do leite, que com o poder econômico e político que concentram, proponham mudanças, mas cujo fim real seja preservar o modelo atual que os beneficiou e onde os grandes prejudicados tem sido os produtores de leite e os consumidores.
Marcello de Moura Campos Filho
Na França Lilliane Bettencourt e outros miliardários franceses também pedem por impostos mais altos no momento que o Governo se prepara para anunciar pesados cortes para tentar controlar as finanças públicas. Na petição que assinaram dizem “Estamos cientes de que nos beneficiamos muito do modelo francês e do ambiente europeu, ao qual temos grande apego e que desejamos ajudar a preservar”.
Ora, na realidade não querem mudar nada, mas como confessam no manifesto que assinaram, querem preservar o modelo. Qual o modelo? O que concentra o poder econômico e político na mão de poucos, a globalização perversa que assolou o mundo nas últimas décadas.
Eles sabem que os impostos maiores que pagarão representarão cortes no luxo que usufruem, como iates, jatinhos, carros de luxo, caviar, etc., mas que tudo isso é pouco se preservarem o modelo que lhes permitiu um absurdo poder econômico e político que tem.
Em contrapartida, o aumento de impostos que atingirá os demais, as classes médias e as classes pobres, cortará a carne e tirará sangue e alguns poderão até morrer. E passada a crise, se o modelo continuar o mesmo, para os sobreviventes restará continuar vivendo de migalhas da riqueza transferida para uns poucos, até que nova crise se instale para novamente e volte a lhes ferir fundo.
O problema econômico não é conjuntural, é estrutural, e Keynes tentou mostrar isso em Breton Woods com suas propostas, que não foram levadas a sério, e a profecia do The Economist na época, que dizia que o mundo iria se arrepender amargamente de não ter ouvido o que Keynes pregava, se concretizou.
Se o modelo do mundo tivesse caminhado na direção das propostas de Keynes com certeza não viveríamos a globalização perversa que levou a concentração do poder econômico e político na mão de uma poucas pessoas e ao caos que vivemos hoje. Se Keynes fosse sádico, na sua tumba estaria rindo da situação atual, mas como não era, deve estar se revirando de raiva de ver a onde levou o egoísmo dos que fecharam os ouvidos para suas palavras pensando apenas nos seus próprios interesses, e a agora com hipocrisia dos ricos miliardários que se propõe a pagar mais impostos para preservar o modelo que os beneficiou .
A realidade é que os problemas econômicos do mundo são estruturais: ou a economia muda o modelo atual ou o modelo atual acaba com a economia.
A mudança do modelo da economia terá sérios opositores entre os próprios economistas, talvez motivados pela vaidade de não querer reconhecer os erros de suas teorias, e entre os miliardários arrependidos motivados por preservar o modelo que os beneficiou. Sei que mudar o modelo da economia não é fácil, com relação a procura de um novo modelo a única sugestão que posso dar é que o ponto de partida deveria ser uma profunda reflexão com relação as propostas que Keynes formulou em Breton Woods.
Mas afinal de contas qual a razão de um produtor de leite, que não é economista, estar tocando nesse assunto?
Em primeiro lugar por que o que acontece na economia nos afeta, como o caso guerra cambial que estará presente nos próximos anos em decorrência da crise profunda que atinge os países desenvolvidos ( grandes beneficiados do modelo atual da economia) da sua recuperação no futuro próximo, que tem levado a uma sobrevalorização do Real com relação ao dólar, enquanto outros países desvalorizam suas moedas, e para não ir longe, como a nossa vizinha Argentina. Se não forem tomadas as medidas adequadas em tempo oportuno o efeito sobre o setor leiteiro poderá ser devastador.
Mas também para alertar que semelhante hipocrisia pode atingir os grandes beneficiados no modelo atual da nossa cadeia produtiva do leite, que com o poder econômico e político que concentram, proponham mudanças, mas cujo fim real seja preservar o modelo atual que os beneficiou e onde os grandes prejudicados tem sido os produtores de leite e os consumidores.
Marcello de Moura Campos Filho