Quantos animais devo colocar nesse piquete? - parte I

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"Quantos animais devo colocar nesse piquete?" Essa é uma das maiores dúvidas daqueles que manejam pastagens. O primeiro passo para responder a essa pergunta é definir o nível de desempenho (ganho de peso ou produção de leite) esperado para aquele lote.

O desempenho dos animais em pastejo está diretamente relacionado ao seu consumo e esse, por sua vez, depende da disponibilidade e qualidade da forragem. A estimativa da massa de forragem disponível, antes e após o pastejo, pode, portanto, ajudar a responder essa questão.

Gontijo Neto et al. (2006) avaliaram os efeitos de diferentes níveis de oferta de forragem, associados a alterações na estrutura do dossel do pasto, sobre o tempo de pastejo e consumo de novilhos Nelore em pastagens de capim-tanzânia.

O experimento foi conduzido na Embrapa Gado de Corte, entre dezembro/2000 e maio/2001. Foram avaliados quatro níveis de oferta de forragem: 6,1±0,59; 11,1±0,77; 18,0±1,24; 23,9±1,15% (kg de matéria seca de lâminas foliares/100 kg de PV/dia).

Como o número de animais e a aérea utilizada em cada tratamento foi fixa, para ajustar os níveis de oferta de forragem previstos nos tratamentos foram levados animais extras à área uma semana antes do período de coleta. O consumo de forragem foi determinado utilizando-se o óxido de cromo como marcador e o tempo de pastejo com aparelhos do tipo "vibracoder" (Gontijo Neto et al., 2006).

Os autores observaram alta correlação entre o consumo e o tempo de pastejo e as características agronômicas e estruturais do pasto (Tabela 1).

Tabela 1. Coeficiente de correlação linear entre consumo, tempo de pastejo e características agronômicas e estruturais da pastagem

Figura 1

Fonte: Gontijo Neto et al. (2006).

O coeficiente de correlação indica a dependência entre as variáveis consideradas. A tabela 1 mostra, portanto, que o consumo e o tempo de pastejo dos animais dependeu de todas a características do pasto avaliadas, principalmente, da massa seca de lâminas foliares e da massa seca de material verde.

A figura 1 mostra a relação entre consumo de matéria seca (CPVMS, kg/100 kg de PV) e a oferta de forragem (kg de lâminas foliares/100 kg PV animal) e o valor correspondente de altura do pasto, massa seca total, massa seca de material verde e massa seca de folhas.

De acordo com esse resultado, o maior consumo de forragem (2,42 kg/100kg PV) foi obtido com uma oferta próxima a 22,5 kg de folhas/100 kg PV, que correspondeu a massa seca média de 4.323 kg MS/ha com 2.887 kg MS de material verde/ha e altura média de 64 cm (Gontijo Neto et al., 2006).

Comentário:

Determinar o número de animais que deve ser colocado em um pasto é sempre uma das maiores dúvidas daqueles que manejam pastagens. Os valores determinados por Gontijo Neto et al. (2006) servem de referência para esse cálculo.

De acordo com os resultados apresentados, em um pasto de capim-tanzânia, o consumo de forragem é mais elevado quando a oferta de forragem é por volta de 22,5 kg de lâminas foliares/100 kg de peso vivo animal, o que correspondeu naquele período a massa de forragem média de 4.323 kg MS/ha com 2.887 kg MS de material verde/ha e altura média de 64 cm.

Para obter elevado desempenho animal em pastagens de capim-tanzânia, portanto, o pecuarista deve ajustar a oferta de forragem para valores por volta de 22,5 kg folhas/100 kg PV animal. Esse ajuste pode ser feito a partir de estimativas visuais da disponibilidade de folhas ou por avaliações diretas, feitas a partir do corte, secagem e pesagem de amostras de forragem.

Outro valor importante apresentado por Gontijo Neto et al. (2006) é o consumo máximo obtido no experimento: 2,42 kg de MS/100 kg PV. Esse valor também pode auxiliar na determinação do número de animais, fazendo-se o cálculo a partir da estimativa de massa de forragem antes do pastejo e considerando-se valores de resíduo pós-pastejo esperado, perdas de forragem e consumo.


Figura 2

Figura 1. Relação entre consumo de matéria seca (CPVMS, kg/100 kg de PV) e a oferta de forragem (kg de lâminas foliares/100 kg PV animal) e o valor correspondente de altura do pasto, massa seca total, massa seca de material verde e massa seca de folhas (média dos valores antes e após o pastejo).
Fonte: Gontijo Neto et al. (2006).


GONTIJO NETO, M.M. et al. Consumo e tempo diário de pastejo por novilhos Nelore em pastagens de capim-tanzânia sob diferentes ofertas de forragem. Revista Brasileira de Zootecnia, v.35, n.1, p.60-66, 2006.
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Material escrito por:

Marco A. A. Balsalobre

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Patricia Menezes Santos

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valmir fogaça dos santos
VALMIR FOGAÇA DOS SANTOS

TAPURARI - MATO GROSSO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/10/2007

Há uma grande dificuldade de interpretação a leigos que não entendem a questão matemática (cálculo). Minha sugestão é que seja mais prático possível, sem delongas, ou seja, tenho x de pastagens, pretendo colocar x de cabeças para engorda, é possivel? (o que tenho que fazer, de forma simples e objetiva).

<b>Resposta da autora:</b>

Prezado Valmir,

Sem dúvida, os cálculos utilizados para estimar o número de animais que pode ser colocado em um piquete muitas vezes parecem confusos. O problema, neste caso, é que o número de animais a ser colocado do pasto depende, principalmente, da quantidade de capim disponível e não apenas da área (pense bem, o consumo de uma pessoa não depende do tamanho da
mesa, mas sim da quantidade de comida que tem sobre ela).

Existem outras formas de ajustar a taxa de lotação que talvez lhe pareçam mais simples. Uma delas é colocar um determinado lote na área e ir ajustando de
acordo o tempo que os animais levam para pastejar o piquete e da quantidade de capim que sobra. Por exemplo, se, de acordo com seu planejamento, você espera que os animais levem três dias para baixar o
capim ao nível esperado, mas ele ficam seis, significa que você deve aumentar o número de animais. O mais importante é evitar o super-pastejo, pois este afeta o desempenho dos animais e a rebrota do capim.

Atenciosamente,
Patricia Santos
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