Quando devo diferir meu pasto?

O diferimento de pastagens é uma alternativa para reduzir o efeito da estacionalidade sobre o sistema de produção. Saiba mais aqui!

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A estacionalidade de produção forrageira é um fato bem conhecido por técnicos e produtores. Ela é decorrente de variações nas condições climáticas e representa um dos principais entraves ao aumento da taxa de lotação animal no pasto.

O diferimento de pastagens é uma alternativa para reduzir o efeito da estacionalidade sobre o sistema de produção. Essa técnica consiste em vedar uma determinada área de pastagem no final da estação de crescimento, possibilitando, dessa maneira, que a forragem acumulada seja utilizada durante a entressafra.

Uma das maiores dúvidas com relação a essa técnica é a época em que o pasto deve ser vedado. Se a área for reservada muito cedo, o valor nutritivo da forragem no momento da utilização será baixo e os riscos de perdas antes e durante o pastejo serão mais elevados. Por outro lado, um período de vedação muito curto poderá determinar pouco acúmulo de forragem.

A baixa temperatura e déficit hídrico são os principais fatores determinantes do menor crescimento das plantas forrageiras durante a entressafra. Dessa forma, essas variáveis devem ser consideradas para definir a época de vedação de pastagens em determinada região.

A amplitude térmica anual é relativamente uniforme ao longo dos anos. A Figura 1 mostra, por exemplo, a variação na temperatura mínima média de Piracicaba-SP em 2004 e a média histórica desde 1917.
 

Figura 1


Figura 1. Temperatura mínima média em 2004 e média histórica a partir de 1917 em Piracicaba-SP.
Fonte: ESALQ (2005)

Considerando que, para gramíneas tropicais, temperaturas abaixo de 15oC reduzem consideravelmente o crescimento das plantas, pode-se concluir que a temperatura mínima média passaria a restringir o desenvolvimento das forrageiras a partir de abril em Piracicaba-SP. Portanto, analisando apenas a temperatura mínima média, a vedação do pasto para garantir um acúmulo adequado de forragem deveria ser praticada até fevereiro/março.

A definição da época de vedação, no entanto, também deve levar em consideração a disponibilidade de água no solo que depende de características do solo, da planta e do clima. Dentre as variáveis climáticas, em áreas de sequeiro, a precipitação pluvial é a que mais interfere na disponibilidade de água para o crescimento vegetal. Esse fator, portanto, poderia ser utilizado como parâmetro para determinar quando o pasto deve ser diferido.

A Figura 2 mostra a precipitação pluvial mensal no ano de 2004 e a média histórica a partir de 1917 na cidade de Piracicaba-SP. Esses dados ilustram dois aspectos importantes: ocorrem variações relativamente grandes de ano para ano e, dentro de um mesmo ano, a queda na precipitação não é uniforme no final do período chuvoso. Esses fatos, aliados à pouco informação a respeito do efeito das interações entre solo, clima e planta sobre a disponibilidade hídrica do solo dificultam a definição do período ideal para vedação do pasto.

 

Figura 2


Figura 2. Precipitação pluvial mensal no de 2004 e média histórica a partir de 1917 em Piracicaba-SP.
Fonte: ESALQ (2005)

Informações práticas têm mostrado que, para garantir o acúmulo adequado de forragem, a precipitação deve ser de no mínimo 100 mm durante o período de diferimento de 90 dias. Desta maneira, a partir da média histórica, conclui-se que a vedação de pastagens em Piracicaba deveria ser feita entre 20 de fevereiro e 10 de março.

Conclusão

Além das condições climáticas, a planta forrageira que será diferida influencia a época da vedação. A fertilidade do solo e a dosagem de nitrogênio aplicado à área diferida também devem ser levadas em consideração. Enfim, são grandes as variáveis que definem a correta data do diferimento. Desse modo, o escalonamento em duas ou três etapas de diferimento e de uso da área vedada parecem ser a melhor estratégia para esse tipo de manejo.

Para o Brasil Central, de forma geral, deve se escalonar a vedação das pastagens entre 10 de fevereiro e 20 de março. O uso das áreas diferidas devem ser escalonados entre os meses de junho e outubro. As áreas vedadas inicialmente devem ser as primeiras à serem usadas e poderão ter menos tempo de vedação, pois passaram por períodos de melhores condições para o crescimento vegetativo.

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Material escrito por:

Marco A. A. Balsalobre

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Patricia Menezes Santos

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