Qualidade Total pode melhorar resultados e está ao seu alcance

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Marcelo Pereira de Carvalho

É quase consenso entre extensionistas que, hoje, o principal gargalo para evolução é mais gerencial e menos técnico. Muitas vezes a tecnologia é conhecida, mas o produtor esbarra na aplicação e no monitoramento dos resultados.

Dentro disto, a aplicação de princípios de Qualidade Total (QT) pode auxiliar bastante na obtenção de melhor desempenho econômico.

Os produtores normalmente relutam em adotar este tipo de programa por achar que irá tomar muito tempo e que estão desvinculados do resultado a curto prazo. Por exemplo, é muito mais palpável economicamente ficar a manhã inteira negociando milho ou farelo de soja do que escrever protocolos escritos sobre as rotinas da fazenda, ou se reunir com os funcionários com o objetivo de discutir um problema.

É evidente que o tempo é escasso e deve ser bem aproveitado. Por isto, uma área-chave para que se comece a implantar programas de Qualidade Total é a ordenha, onde a extração do leite é realizada e onde a qualidade do produto é definida. Levando em conta o atual momento pelo qual o setor lácteo passa, com novas normas vindo por aí, trata-se mesmo de uma área estratégica.

Adotar protocolos escritos é parte do programa e não é algo tão difícil assim de fazer. A adoção de protocolos tem como resultado o aumento da consistência nas tarefas do dia-a-dia, elevando a uniformidade do trabalho e do produto final.

Extensionistas da Cooperativa Land O' Lakes (EUA) afirmam que todos os que adotaram os protocolos sugeridos pela Cooperativa reduziram sensivelmente a contagem de células somáticas (CCS). Além do mais, uma vez criando-se o costume de monitorar estas informações, o produtor acaba por captar mais cedo os problemas, o que diminui os prejuízos. Também, muitas vezes o produtor tem noções distorcidas sobre a incidência de problemas. O extensionista Leo Timms, da Iowa State University, cita que, antes da implantação do programa de QT em 33 rebanhos, os produtores subestimavam a ocorrência de vacas tratadas por mastite a cada mês em 42%. Depois de 8 meses de implantado o programa, 3 rebanhos sabiam o número exato e as demais estimavam valores com um máximo de 5% de diferença do valor correto.

Produzindo com mais qualidade vai ao encontro das tendências do consumidor, que procurará cada vez mais consumir alimentos que satisfaçam seus padrões crescentes de qualidade. O Prof. Cullor, da Universidade da Califórnia, afirma que se perdermos a confiança das mães no leite como alimento superior, independentemente de quanto se vai gastar em marketing, o mercado não será jamais recuperado. A nível nacional, as novas normas de produção, ao implantadas, exigirão maior controle da qualidade.

Ao colocar no papel as rotinas diárias, torna-se mais fácil detectar falhas na operação, de forma que mesmo aqueles que têm desempenho satisfatório podem se beneficiar. Uma vez tendo implantado o programa em uma área da propriedade, fica mais fácil estendê-lo a outros setores, onde os benefícios serão então maximizados. Tratamento de vacas em pós-parto, plantio de milho, sistema de compras ou manejo de bezerros antes da desmama são áreas que podem ser documentadas através de protocolos.

O resultado final é o aumento da rentabilidade. A tabela abaixo exemplifica o que ocorreu com 5 fazendas americanas que aplicaram um Programa de Qualidade Total durante 8 meses. Nota-se que a quantidade de leite descartado caiu, o mesmo ocorrendo com a % do rebanho tratado com mastite. É desnecessário dizer que os produtores terminaram o período com mais dinheiro no bolso.

Tabela


A adoção da QT começa com a reunião entre as pessoas envolvidas com a atividade. No caso da área de ordenha, por exemplo, pode incluir os funcionários que realizam as tarefas, o técnico e o administrador, seja ele o proprietário ou não, além de um mediador, que pode ser alguém de fora da propriedade, que tenha boa comunicação e organização. Feito isto, é preciso que o grupo decida quais são os objetivos na atuação perante à ordenha: reduzir mastite ? reduzir CCS ? otimizar o tempo de ordenha ? Isto depende de cada situação e dos problemas diagnosticados.

É necessário sistematizar as operações para se chegar aos objetivos propostos. Neste ponto, há necessidade de embasamento científico, o que é obtido por intermédio do técnico. Por exemplo, é factível atingir os objetivos traçados dadas as condições de instalação, clima, animais, etc. ? O problema de mastite é ambiental ou contagioso ? Dependendo destas informações, o enfoque para agir é totalmente distinto.

Uma vez realizadas estas etapas e aplicado o programa, segundo Tom Fuhrmann, especialista em QT nos EUA, só existem duas explicações para o caso de não funcionar: ou os protocolos estão errados, ou eles estão certos e a aplicação pelos funcionários está errada.É muito simples !

É preciso treinar para que a rotina seja corretamente empregada, como faz um time de futebol ou de qualquer outro esporte, visando consistência em sua atuação. Deve-se ainda evitar procedimentos muito complicados. É preciso manter os protocolos simples, atendo-se ao que de fato importa. Supondo que os protocolos estão corretos, é necessário então motivar os funcionários para que estes "comprem a idéia", e monitorar os resultados obtidos, visando ajustes futuros se necessários.



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fonte: Dairy Herd Management, Junho/99
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Material escrito por:

Marcelo Pereira de Carvalho

Marcelo Pereira de Carvalho

Fundador e CEO da MilkPoint Ventures.

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