Produção animal no Brasil... qual será o papel das pastagens no futuro?

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Patricia Menezes Santos e Marco Antonio Alvares Balsalobre

A produção animal de bovinos no Brasil é baseada, principalmente, no uso de pastagens. O rebanho bovino brasileiro é da ordem de 160 milhões de cabeças (IBGE, 2001). Este rebanho, distribuído em suas categorias animais, representa cerca de 95 milhões de unidades animais (1 UA = 450 kg de peso vivo). Desta forma, a taxa média de lotação animal no Brasil é de, aproximadamente, 0,54 UA/ha.

Em 2001, o Brasil produziu 6,8 milhões de toneladas de carne bovina, sendo a grande maioria (6 milhões de toneladas) comercializada internamente. O consumo médio de carne bovina deve aumentar nos próximos anos, tanto devido ao crescimento vegetativo da população, quanto ao aumento do poder aquisitivo que tem sido observado (IBGE, 2002). A área de pastagens, por outro lado, não tem aumentado em decorrência, principalmente, da redução dos desmatamentos, da regeneração de áreas de reserva legal e do avanço da agricultura em áreas de pastagens.

A partir da elasticidade de demanda e de projeções do aumento do poder aquisitivo e do crescimento vegetativo da população, estima-se que a demanda interna de carne no Brasil, em 2012, será de 8 milhões de toneladas. Desta forma, mesmo considerando que não haja aumento nas exportações, o Brasil deverá ser capaz de produzir 8,8 milhões de toneladas de carne bovina por ano, ou seja, 29,4% a mais do que produz atualmente.

Este nível de produção de carne pode ser atingido tanto pelo aumento da taxa de desfrute quanto pelo aumento do rebanho (Tabela 1).

Tabela 1: Necessidade de aumento na taxa de desfrute e/ou no tamanho do rebanho e na taxa de lotação animal em pastagens artificiais para aumentar em 29% a produção nacional de carne bovina. Para esta simulação, foi considerado que não haverá aumento das áreas de pastagem e que apenas as pastagens artificiais serão intensificadas.


O aumento da produção de carne por meio da taxa de desfrute está associado ao melhoramento dos índices de fertilidade e de desmama e ao aumento do ganho de peso dos animais. Nos últimos anos tem-se observado uma significativa melhoria dos índices zootécnicos do rebanho nacional, sendo que a tecnologia disponível para se produzir animais terminados com menos de 18 meses de idade é comum entre os pecuaristas. No entanto, o valor de venda da arroba engordada é um fator limitante, sendo que, em patamares inferiores a US$ 20,00 se inviabiliza boa parte das tecnologias disponíveis para acelerar o processo de engorda de bovinos. Por outro lado, o aumento da produção de carne por meio da ampliação do rebanho e, consequentemente, de uma maior taxa de lotação animal, pode ser obtido com a adoção de práticas de fertilização das pastagens. Segundo os dados da Tabela 1, para 18% de desfrute seria necessário aumentar-se a taxa de lotação em 0,15 UA/ha, o que significa a necessidade de adubação de, no mínimo, 10% da área de pastagens artificiais existente (em torno de 10 milhões de ha).

Comentário dos autores: fazer previsões para o futuro é sempre uma tarefa difícil. Apesar da grande evolução observada no Brasil com relação à determinação de índices e estatísticas, muitos dos dados disponíveis ainda são distorcidos, dificultando a análise da real situação nacional. Este tipo de exercício, no entanto, pode ser extremamente valioso do ponto de vista estratégico. A análise da situação atual e sua projeção para o futuro pode auxiliar no planejamento das ações de diversos segmentos da cadeia de produção animal. Considerando a análise anterior, por exemplo, fica clara a necessidade de adequação da indústria nacional de fertilizantes a uma possível demanda do setor pecuário.

BALSALOBRE, M.A.A.; SANTOS, P.M.; MENDONÇA DE BARROS, A.L. Inovações tecnológicas, investimentos financeiros e gestão de sistemas de produção animal em pastagens. In: Peixoto, A.M.; de Moura, J.C.; Pedreira, C.G.S.; de Faria, V.P. Simpósio sobre Manejo da Pastagem, 19. Anais. Piracicaba, 2002. p.1-30.

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. www.ibge.com.br. 2002.
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Marco A. A. Balsalobre

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