Porque o BVDV causa uma doença tão complexa?

O vírus da Diarréia Viral Bovina está amplamente difundido nos rebanhos de todo o mundo. Mas, não é apenas você que acha a infecção causada pelo BVDV.

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O vírus da Diarréia Viral Bovina está amplamente difundido nos rebanhos de todo o mundo. Mas, não é apenas você que acha a infecção causada pelo BVDV (vírus da Diarréia Viral Bovina) uma doença confusa e difícil de ser clinicamente identificada no rebanho. Um recente artigo de uma revista de grande penetração entre os produtores e técnicos associados à bovinocultura nos EUA e América Latina, também destacou a BVDV como uma doença preocupante devido aos prejuízos que causa e devido à dificuldade em entendê-la claramente, citando ainda a seguinte frase "o BVDV confunde os produtores, dribla os pesquisadores e frustra os laboratórios".

A polêmica começa pelo próprio nome da enfermidade, que destaca o termo diarréia. Apesar de constituir um dos sinais clínicos da doença, a diarréia não é o sintoma mais prevalente. A infecção ocasionada pelo BVDV causa com maior freqüência distúrbios no trato reprodutivo, imunodepressão e distúrbios respiratórios. Na realidade, o BVDV está associado a uma grande variedade de manifestações clínicas que incluem desde infecções subclínicas até enfermidades fatais, como a Doença das Mucosas. Outro ponto curioso relativo ao nome da doença refere-se ao termo "bovina", pois a doença não está limitada apenas aos bovinos, afetando suínos e outros animais domésticos.

Uma característica marcante do BVDV, e que também contribui para dificultar sua identificação, é a grande diversidade antigênica encontrada entre isolados de campo do patógeno. No Brasil, estudos também detectaram uma ampla diversidade antigênica, fato que tem dificultado a obtenção de um espectro satisfatório de proteção através da vacinação e estratégias de imunização.

Outra importante característica da doença que compromete ainda mais seu controle é a existência dos animais PI (persistentemente infectados e imunotolerantes ao vírus). O nascimento de animais PI é resultante da infecção transplacentária com amostras não-citopatogênicas, entre os dias 40 e 120 de gestação. Após o nascimento, estes animais têm a capacidade de replicar e excretar o vírus durante toda a vida, constituindo-se no principal reservatório do vírus e fonte de infecção para animais sadios. A introdução de um animal PI em um rebanho livre da BVDV representa um sério problema de biosegurança.

Alguns animais PI podem apresentar defeitos congênitos, colaborando para a suspeita da doença; enquanto outros animais são perfeitamente normais. Quando um animal PI é infectado com BVDV citopatogênico, poderá apresentar a Diarréia das Mucosas, uma forma fatal do BVDV.

As conseqüências da contaminação durante a gestação irão depender de algumas variáveis, tais como a idade do feto no momento da contaminação e o biótipo do vírus infectante.
Tabela 1- Período da gestação no qual ocorre a contaminação com o BVDV e suas conseqüências
 

 


Em meio a tantas características que contribuem para dificultar o diagnóstico, o que pode ser feito na rotina diária de um rebanho leiteiro para tornar esta doença menos complexa? Uma premissa básica é estar consciente que para controlar uma doença não existem milagres. A conduta mais indicada abrange a realização de exames laboratoriais, identificação de animais PI e a avaliação de um programa de vacinação. Todavia, um manejo desorganizado e a falta da coleta de dados e índices do rebanho irão contribuir para a manutenção da doença. Um bom levantamento de índices auxilia o produtor e o técnico a suspeitar da doença, e com base nesta suspeita, devem ser realizados os testes laboratoriais para diagnosticar a enfermidade. Sem um bom acompanhamento dos índices do rebanho o produtor poderá considerar as baixas taxas de concepção, abortos e perda de bezerros como dentro de um limite aceitável e não irá desconfiar que estes fatores já podem ser indícios do BVDV.

Caso exista a suspeita da ocorrência do BVDV no rebanho, o próximo passo é a realização dos exames para o diagnóstico da doença. Os métodos de diagnóstico, testes para triagem, suas características e os materiais que devem ser enviados ao laboratório serão abordados no próximo artigo.

Fonte:

BROWNLIE, J. Bovine virus diarrhoea virus: pathogenesis and control. In: WORLD BUIATRICS CONGRESS, 22, Hannover, 2002. Proceedings p.25-30.
Hoard's Dairyman, Outubro / Novembro / Dezembro, 2002 e Janeiro de 2003.
FLORES, E.F. et al. Diversidade antigênica de amostras do vírus da diarréia viral bovina isoladas no Brasil: implicações para o diagnóstico e estratégias de imunização. Arq. Bras. Méd. Vet. Zootec. v.52, p.11-17, 2000.
BRUM, M.C.S. et al. Proteção fetal frente a desafio com o vírus da Diarréia Viral Bovina (BVDV) em ovelhas imunizadas com duas amostras de vírus modificadas experimentalmente. . Pesq. Vet. Bras. v.22, p.64-72, 2002.
SCHERER, C.F.C. et al. Técnica rápida de neutralização viral para a detecção de anticorpos contar o vírus da Diarréia Viral Bovina (BVDV) no leite. Pesq. Vet. Bras. v.22, p.45-50, 2002.

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Material escrito por:

Renata de Oliveira Souza Dias

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Richard James Walter Robertson
RICHARD JAMES WALTER ROBERTSON

RIO VERDE DE MATO GROSSO - MATO GROSSO DO SUL

EM 27/04/2003

Perfeito o artigo.

O que mais me preocupa em relação ao complexo BVD-IBR-Leptospirose é a alta prevalência destes patógenos em nosso rebanho, caracterizando caráter endêmico das mesmas, e os resultados duvidosos das vacinas disponíveis em nosso país.
O alto custo de um bom programa de imunização, aliado a estes resultados duvidosos, dificulta a recomendação, por parte dos técnicos.

O produtor por sua vez, com certa razão, reluta em adotar esta prática, por exigir sempre soluções a curto prazo.


Richard J.W. Robertson
Médico Veterinário e Prod. Rural
Sind. Rural de Rio Verde-MS
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