Politica de preço para o leite longa vida

Chama a atenção para a necessidade de se implantar, por mais dificuldade que se tenha, uma política para evitar as grandes flutuações do preço do leite longa vida, que acabam gerando restrição de demanda pelo consumidor por efeito psicológico.

Publicado por: MilkPoint

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Política de preço para o leite longa vida

O Milkpoint publicou a excelente matéria do Marcelo Carvalho e da Marilizi Moruzzi, “Com a produção reduzida os preços iniciam trajetória de alta”.

Em carta relativa a esse artigo o Osmar Coelho Barbosa diz que as vezes se esquecem que os preços que estão sendo praticados não cabem na massa salarial. Isso naturalmente provoca a queda na demanda de um produto.

Mas no caso do leite longa vida o problema me parece que a queda na demanda pode ter uma influência de ordem psicológica. É natural que o consumidor ao ver um produto dobrar de preço, num curto intervalo de tempo, mesmo que possa pagar por ele, ache que está sendo roubado e corte ou reduza a compra do produto. Penso que isso é determinante na reação do consumidor às grandes variações de preço no leite longa vida.

Em 2009, numa reunião de representantes da Câmara Setorial de Leite e Derivados de São Paulo com representantes da APAS – Associação Paulista de Supermercados, manifestei essa opinião e disse que o varejo e a indústria deveriam estabelecer uma política de preços para o leite longa vida, de forma a evitar a grande variação de preços do produto, às vezes passando de 60% a te mesmo de 80%, para evitar queda da demanda pelo efeito psicológico dessa variação.

Para o produtor e para a indústria isso tem gerado um ciclo perverso. Num determinado momento os preços do leite longa vida são tão baixos levando o preço ao produtor a valores insustentáveis, cai a oferta, começa a corrida pelo leite, o que leva o preço ao produtor e do leite longa vida a subir, até que o consumidor reduz a compra ou deixa de comprar, e começa o ciclo de queda, até que os preços ficam tão baixos e o preço ao produtor tão aviltado que a oferta reduz-se substancialmente, provocando o início de um novo ciclo de alta.

Abaixo transcrição de trecho da matéria relativa ao setor de lacticínios, que a revista Feed&food de fevereiro passado publicou na reportagem especial sobre produção de proteína animal, onde manifesto mais uma vez manifesto minha opinião que é preciso limitar a flutuação de preço do leite longa vida, o que coincide com o que o Roberto Jank Jr. colocou na sua carta relativa à matéria “Com a produção reduzida os preços iniciam trajetória de alta.

Por mais dificuldade que tenhamos é mais do que hora de enfrentarmos esse problema e estabelecer uma política para os preços do leite longa vida evitando essas grandes variações, pois isso é fundamental para o desenvolvimento da pecuária leiteira nacional.

Marcello de Moura Campos Filho
Presidente da Leite São Paulo

Lacticínios e ociosidade ( publicado no feed&foof nº 35 - fev/2110 )

Assim como os outros, o mercado lácteo esperava um 2009 bem diferente. É o que afirma o zootecnista e consultor da Scot Consultoria, Rafael Ribeiro. Segundo conta, os anos anteriores, 2007 e 2008, foram positivos, principalmente no que diz respeito à exportação.”Por isso, muitas empresas se prepararam e investiram esperando aumentar a quantidade de leite em pó exportado em 2009”.

Entretanto, frisa Ribeiro, com a redução da demanda mundial, principalmente de alguns paises da América do Sul e norte da África, muitas dessas empresas ficaram ociosas e houve redução de 70% em termos de faturamento no Brasil. As importações ultrapassaram as exportações, o que deixou o setor em alerta. Ao contrário de 2008, onde as exportações chegaram a US$ 509.167,74 e as importações a US$ 211.162,71, em 2009 as exportações foram de US$ 147.793,62 e as importações de US$ 261.943,39.

Para o presidente da Associação dos Técnicos e Produtores de Leite do Estado de São Paulo ( Leite São Paulo ) e membro da Câmara Setorial de Leite e Derivados do Estado de São Paulo, Marcello de Moura Campos Filho, o que aconteceu no agronegócio do leite brasileiro em 2008 e 2009 deveria ser investigado.

Segundo conta, no final de 2008 a indústria pagou pouco ao produtor e alegou excesso de produção e alta nos estoques.”Em janeiro de 2009, período em que o consumo diminui, os estoques “sumiram” e foi necess´srio importar leite em pó de paises vizinhos como a Argentina e o Uruguai”, comenta.

No segundo semestre do ano passado, a indústria alegou novamente, afirma Moura, excesso de oferta, devido a abundância das chuvas aumentando a produção dos pastos.”Dessa maneira, é estranho que as importações liquidas de leite em pó tenha se mantido elevada no segundo semestre. Como resultado, em 2009 houve a importação de leite em pó equivalente a meio bilhão de litros”, frisa.

Campos espera que em 2010 haja mais comunicação e entendimento entre produtor, indústria e varejo.”O Governo Federal deveria tomar a iniciativa e mediar, não comandar e apenas coordenar uma conversa entre os elos para que seja feita daqui para frente uma política do setor lácteo. Caso contrário, o Brasil corre um sério risco de se tornar um grande importador de lácteos novamente”, ressalta e acrescenta: “não é só o produtor que sofre com o problema do setor, a indústria também é muito frágil e também perde”, afirma. No caso do varejo, há uma grande instabilidade nos preços como o do leite longa vida, por exemplo.”Seria interessante que não se abaixe tanto com o excesso de oferta e fizessem uma reserva monetária para não precisar aumentar tanto o preço na falta do produto”,exemplifica.

Campos acredita que só com o envolvimento de todo o setor é que o Brasil conseguirá ser competitivo no mercado internacional e abrir mais mercados.
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Marcello de Moura Campos Filho
MARCELLO DE MOURA CAMPOS FILHO

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 10/03/2010

Prezado Gilson Alcântara Nunes

Agradeço o comentário.

De fato o leite é um alimento fundamental para o desenvolvimento físico e neurológico das crianças e nos USA a mais de 70 anos uma pesquisa comprovou que existe uma correlação entre o consumo de leite da criança e seu desempenho escolar, e essa pesquisa foi decisiva para mudar o quadro da pecuária leiteira lá, que naquela época era tão ruim como hoje acontece aqui.

Sugiro que o Ministério da Agricultura entre em contato com o Ministério da Educação e proponha a realização de uma pesquisa para verificar se existe uma correlação entre o consumo de leite e o desempenho escolar dos estudantes brasileiros. Acredito que os resultados serão importantes para resolver o problema da repetência e de alunos que passam de ano mas que não sabem nada como comprovam os resultados dos testes aqui realizados com alunos. E se o Governo se sensibilizar com isso, com certeza deixará de tratar com pouco caso a pecuária leiteira, tal como ocorreu nos USA.

Com relação ao produtor se empenhar cada vez mais para, em função do preço que recebe e das contas que paga, conseguir sobreviver, é preciso perceber que existe limites uma vez que não existem milagres. O fato de em 2009 termos importado em leite em pó equivalente a 0,5 bilhão de litros, e nos dois primeiros meses de 2010 já termos importado o equivalente a cerca de 50 milhões de litros de leite , mostra que esses limites fora superados, e o Brasil tende a voltar a ser grande importador de leite como fomos por décadas no passado.

Todavia estudos do MAPA mostram preocupação com excedentes de produção, e vejo o Ministério do Desenvolvimento, Comércio e Indústria discutindo a integração do setor lácteo brasileiro com o argentino sem que o MAPA e entidades de produtores tenham participado do processo.

Há alguns anos tenho alertado que não temos um forum adequado para estabelecimento da política e planejamento do setor leiteiro nacional consistente, inclusive apresentei pleito à Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Leite e Derivados do MAPA no sentido de implementar esse forum. Mas creio que tenho pregado no deserto, não consegui sensibilisar nem o Governo nem da cadeia produtiva, incluindo das entidades de produtores, para isso.

Por isso hoje só posso esperar que, ou que esteja vendo o diabo mais feio do que ele é, ou que Deus proteja os produtore de leite e as crianças do Brasil.

Abraço

Marcello de Moura Campos Filho
Presidente da leite São Paulo

Gilson Alcântara Borges
GILSON ALCÂNTARA BORGES

JANAÚBA - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 10/03/2010

Apesar do leite ser o principal alimento para toda crinaça, e no Brasil elas são milhões, o governo não se preocupa com uma política que regule preços compatíveis com a situação dos produtores e dos principais consumidores. Entretanto a cada ano o produtor consegue superar mais barreiras e coloca no mercado um produto de qualidade com preços bem abaixo dos níveis inflacionários. Por outro lado, milhares de crianças ainda crecem desnutridas por não terem acesso a este "alimento vital".
Qual a sua dúvida hoje?